Eleitorado de Rio Preto cresce quase o dobro da média nacional

ELEIÇÕES 2020

Eleitorado de Rio Preto cresce quase o dobro da média nacional

A tendência apontada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de um eleitorado com mais mulheres, idosos e com menos jovens


Ceci tem 75 anos e vota todas as eleições desde aos 18 anos
Ceci tem 75 anos e vota todas as eleições desde aos 18 anos - Johnny Torres 2/9/2020

O eleitorado de Rio Preto cresceu acima das médias estadual e nacional e chegou aos 332.540 eleitores aptos a irem às urnas na eleição deste ano. Enquanto o Estado e o Brasil ganharam mais 2,6% de eleitores nos últimos quatro anos, o município teve um aumento de 4,4% no período. Eleitorado que está mais feminino, mais idoso e mais instruído em comparação com as últimas eleições municipais. Por outro lado, a participação dos jovens, principalmente da parcela que ainda não é obrigada a votar, de 16 e 17 anos, reduziu na comparação.

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Os dados são de levantamento da reportagem junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2016, quando Rio Preto elegeu o prefeito Edinho Araújo (MDB), a cidade contava com 318.478 eleitores aptos para votação. Naquele momento, o Estado de São Paulo tinha 32.684.931 eleitores nos 645 municípios e o país contava com 144.088.912 distribuídos nas 5.570 cidades. De 2016 para 2020, Rio Preto ganhou 14.062 novos eleitores, enquanto no Estado teve um incremento de 880.363 títulos e o País registrou 3.829.571 votantes a mais.

Para o professor mestre em geografia pela Unesp de Rio Claro Francisco José Vigeta Castilho, esse aumento acima das médias estadual e nacional já era esperado pelo crescimento de Rio Preto no período. Em 2016, a população da cidade estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 446.649 habitantes, enquanto neste ano está em 464.983.

"Muitos moradores da região migram para Rio Preto por questões de trabalho e acabam transferindo o título de eleitor pra cá", avaliou Castilho. "É reflexo, como mostra recente publicação do Diário, do aumento da população do município, que em um ano cresceu uma Onda Verde (cidade da região)", completou o promotor da 268ª Zona Eleitoral, Carlos Gilberto Romani.

As mulheres representam 53,8% do total de eleitores da cidade. O percentual significa que dos mais de 330 mil títulos, 178.844 são do sexo feminino - 8.875 a mais que em 2016, quando 53,4% do eleitorado rio-pretense eram compostos de mulheres. "Também é uma tendência demográfica. No Brasil e em Rio Preto, a população feminina é maior (a mulher tem maior expectativa de vida). Portanto, o eleitorado feminino tem tendência de aumentar", analisou Castilho. Além dos 153.433 eleitores homens, há 263 eleitores que não informaram o gênero.

Outra tendência apontada pelas estatísticas do TSE é a do envelhecimento do eleitorado rio-pretense. Neste ano, os eleitores com 60 anos ou mais somam 81.458 cidadãos aptos a votarem. Em 2016, a quantidade de eleitores nessas faixas etárias somavam 68.148 - um aumento de 19,5% no período. "É uma questão de envelhecimento da população", afirmou o promotor da 267ª Zona Eleitoral, Marcos Antônio Lelis Moreira.

Pela Legislação Brasileira, todo cidadão entre 18 e 70 anos é obrigado a votar. Rio Preto tem hoje 38.017 eleitores entre 70 e mais de cem anos (165 eleitores nessa faixa etária). Mesmo sem a obrigação de ir às urnas, a aposentada Ceci Caldeira Brazão de Rezende, 78 anos, conta que desde que tirou o título de eleitor marcou presença em todas as votações. "Eu nasci em 1942 e desde 1960 eu voto nas eleições. Mesmo com a idade nunca deixei de votar. Felizmente sempre votei certo", afirma.

No geral, a maioria do eleitorado de Rio Preto está concentrado na faixa etária dos 35 a 39 anos. São 18.140 mulheres e 16.610 homens nesse grupo, como o empresário Leonardo Schimidinger, 37 anos. "Toda eleição eu participo. Extremamente importante, são as únicas ferramentas que temos, por mais 'prostituído' que seja, o voto é uma arma que temos", afirmou.

Na contramão dessas tendências de aumento que mostramos no texto, os dados do Tribunal apontam para uma redução da quantidade de jovens aptos a participar das eleições por meio do voto. Houve queda em todas as faixas etárias até aos 34 anos e, em especial, nos grupos de 16 e 17 anos, para os quais o voto é facultativo. "Eu entendo que é uma consequência diante de tantos desvios e complicações na política. Eles (jovens) ficam desestimulados a participarem. Isso é um erro. Eu espero que os jovens se interessem pela política. eles são o futuro", disse Lelis.

A estudante Estefani Luna, 17 anos, é um exemplo dos que se empenharam e aguardam pelo primeiro voto. "Votar é uma responsabilidade muito séria e eu percebo que boa parte das pessoas não entendem dessa forma. Eu decidi votar esse ano e além de votar, entender o que acontece na política da minha cidade, porque esse é o nosso dever como cidadão", afirmou.

 

O eleitor de Rio Preto está mais instruído, segundo o perfil desenhado pelas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 332.540 cidadãos e cidadãs aptas para votarem nas Eleições 2020, 51.993 possuem ensino superior completo, o que representa 15,64% do total. Um aumento significativo comparado com 2016, quando apenas 9,9% do eleitorado rio-pretense, 31.524 eleitores, tinham o terceiro grau concluído.

"Essa estatística está relacionada com o aumento do número de pessoas que concluíram o ensino superior no período. Apesar de ainda ter um número baixo, o Brasil apresentou um aumento de pessoas que concluíram o ensino superior nas duas últimas décadas", analisou o professor e mestre em geografia pela Unesp Rio Claro, Francisco José Vigeta Castilho.

A quantidade de votantes com ensino médio completo também aumentou no período e acompanhou a média de crescimento. Em 2016, a cidade tinha 77.150 títulos de cidadãos com este grau de instrução - 24,22% do total. Neste ano, o município conta com 94.571 eleitores com segundo grau concluído - 28,44%.

O promotor da 267ª Zona Eleitoral, Marcos Antônio Lelis Moreira, avalia os dados como positivo para uma consciência mais efetiva de quem for até às urnas sobre a importância do voto. "A gente espera um voto consciente, mudanças", afirmou. "Tudo, na verdade, tem uma consequência na política. A gente tem que buscar e incentivar o estudo", disse o promotor.

O percentual de analfabetos caiu, mas, não saiu da casa do 1%. Em 2016, 1,07% dos 318.478 não sabia nem ler e nem escrever, o que dava um total de 3.421. Neste ano, a porcentagem foi para 1,06%, mas na proporção ficou com 3.539 eleitores nesta condição de analfabeto. (FP)

Ensino médio completo - 94.571

Ensino fundamental incompleto - 73.349

Ensino médio incompleto - 55.711

Superior completo - 51.993

Ensino fundamental completo - 24.513

Superior incompleto - 18.523

Lê e escreve - 10.341

Analfabeto - 3.539

 

Gênero

Feminino: 178.844

Masculino: 153.433

Indefinido (não informado): 963

 

2,65% de aumento

  • 2016: 144.088.912
  • 2020: 147.918.483

2,69% de aumento

  • 2016: 32.684.931
  • 2020: 33.565.294

4,4% de aumento

  • 2016: 318.478
  • 2020: 332.540