Bolsonaro pede 'patriotismo' para frear preço do arroz

DISPARADA DE PREÇOS

Bolsonaro pede 'patriotismo' para frear preço do arroz

Presidente diz que não pretende dar 'canetada', nem interferir na economia


Jair Bolsonaro, presidente da República
Jair Bolsonaro, presidente da República - Isac Nóbrega/Presidência da República

Com receio do risco de inflação, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 4, que tem buscado conversar com associações de supermercados para tentar baixar os preços de produtos que compõem a cesta básica. Ele ponderou que não pretende dar "canetada em lugar nenhum", nem interferir na área econômica.

"Está subindo arroz, feijão? Só para vocês saberem, já conversei com intermediários, vou conversar logo mais com a associação de supermercados", disse o presidente. "Estou conversando para ver se os produtos da cesta básica aí... estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro."

Na mesma conversa, Bolsonaro indicou que tem receio do risco de inflação. "Não é no grito, ninguém vai dar canetada em lugar nenhum... porque veio o auxílio emergencial, o pessoal começou a gastar um pouco mais, muito papel na praça, a inflação vem", declarou. "A melhor maneira de controlar a economia é não interferindo. Porque se interferir, dar canetada, não dá certo", ponderou na sequência.

Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) alegou que o setor supermercadista tem sofrido forte pressão de aumento nos preços. "Conforme apuramos, isso se deve ao aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima e a diminuição das importações desses itens", disse a associação, em comunicado. "Somando-se a isso a política fiscal de incentivo às exportações, e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial do governo federal."

Recessão profunda

O abandono do teto de gastos, mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação, poderia mergulhar o País numa recessão ainda mais profunda em 2020, reduzir o crescimento em 2021, além de elevar juros e inflação, calcula a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia. O órgão divulgou na quinta, 3, nota técnica em defesa do teto, num momento em que economistas de diferentes correntes de pensamento aderem à defesa por mudanças na regra.

Nos cálculos da SPE, o abandono da regra do teto acentuaria a queda do PIB esperada para este ano. Hoje a previsão de recuo é de 4,7%, mas o tombo poderia chegar a 6,9%. Além disso, o crescimento esperado para 2021, de 3,2%, seria menor, com alta de 1,7%.