Bolsonaro retira máscara e causa aglomeração no Piauí

NO NORDESTE

Bolsonaro retira máscara e causa aglomeração no Piauí

Presidente afirma que uso de cloroquina "funcionou" com ele, que pegou coronavírus


Jair Bolsonaro cumprimenta populares no aeroporto Serra da Capivara de São Raimundo Nonato, no Piauí
Jair Bolsonaro cumprimenta populares no aeroporto Serra da Capivara de São Raimundo Nonato, no Piauí - Divulgação/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro foi recebido por dezenas de pessoas ao desembarcar no aeroporto de São Raimundo Nonato, no Piauí, nesta quinta, 30, em sua primeira viagem após ser diagnosticado com o novo coronavírus no início do mês. No sábado, 25, Bolsonaro anunciou pelas redes sociais que testou negativo para a doença. Com chapéu branco de couro, o presidente montou em um cavalo e acenou para as pessoas que o chamavam de "mito".

Bolsonaro apareceu do lado de fora do aeroporto com máscara, mas logo deixou-a abaixo do queixo enquanto era cercado por apoiadores, alguns sem máscara. Outro grupo protestou segurando faixas criticando a postura do governo no combate ao coronavírus.

O presidente participou em Campo Alegre de Lourdes, no interior da Bahia, da inauguração de adutora que leva água do Rio São Francisco para o município. "Ninguém governa sozinho", disse. "Começamos enfrentando uma pandemia, ninguém esperava isso, mas ela veio, e nós fizemos tudo o possível para que seus efeitos fossem minorados. Mas fizemos isso tendo ao nosso lado valorosos senadores e deputados."

Funcionou

Bolsonaro disse, durante transmissão semanal ao vivo, que agradece por ter se curado da Covid, "primeiro a Deus e depois à medicação a hidroxicloroquina que foi dada, que foi a hidroxicloroquina". Ele recebeu o diagnóstico da doença no último dia 7. Segundo Bolsonaro, no dia seguinte ao ter tomado a cloroquina "já estava bom". "Se foi coincidência ou não, não sei, mas funcionou", disse Bolsonaro. Segundo o presidente outros ministros que foram diagnosticados com a doença também fizeram uso do medicamento e melhoraram.

O presidente rejeitou as vacinas que estão sendo desenvolvidas pela China. E "tranquilizou" sua militância ao dizer que seu governo não está negociando a droga que está sendo desenvolvida pelo principal parceiro comercial do Brasil. "Estamos no consórcio de Oxford. Serão 100 milhões de unidades. Não é daquele outro país não", disse, sem citar a China.

Apoiadores na rede

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de contas de 16 apoiadores de Bolsonaro em redes sociais também no exterior. Na prática, a determinação ampliou o alcance de uma outra decisão. No último dia 24, as contas foram retiradas do ar por decisão de Moraes, mas alguns dos investigados tentaram driblar a ordem e mudaram, por exemplo, as configurações de localização para outros países para continuarem publicando mensagens e usaram perfis alternativos.