Procura por paisagismo cresce até 40% em Rio Preto

NEGÓCIO QUE FLORESCE

Procura por paisagismo cresce até 40% em Rio Preto

Empresas que trabalham com projetos paisagísticos registram aumento de até 40% na procura neste momento; deixar a casa mais agradável e ter um hobby são algumas das explicações para a alta


Douglas Zaneti, proprietário da Plant Garden: aumento de 35% a 40% na procura por projetos
Douglas Zaneti, proprietário da Plant Garden: aumento de 35% a 40% na procura por projetos - Fotos: Johnny Torres 17/7/2020

Entre os poucos setores que têm conseguido manter uma parte do faturamento durante a pandemia de coronavírus está o de paisagismo. As empresas de Rio Preto e região estão sendo procuradas por consumidores interessados em serviços de projetos de decoração de casas e apartamentos, que são os lugares em que as pessoas mais têm passado o tempo atualmente por conta do isolamento social e da necessidade de evitar as saídas desnecessárias. Isso contribuiu para um aumento de, no mínimo, 20% nas vendas em algumas empresas especializadas de Rio Preto.

A busca por um ambiente agradável e a vontade de se ocupar foram dois fatores essenciais para o movimento do setor de paisagismo continuar mesmo durante a pandemia. Essa foi uma boa oportunidade para investir na própria residência, que se tornou o único lugar seguro e acolhedor em meio a um momento tão difícil.

De acordo com o empresário do ramo de projetos arquitetônicos, paisagismo e decoração, Douglas Zaneti, da empresa Plant Garden, houve um aumento de 35% a 40% na procura por projetos, plantas e árvores que pudessem ser plantados e cultivados pelas próprias pessoas. "Com a necessidade de ficar em casa e não poder receber pessoas, o 'faça você mesmo' ganhou destaque. Além de um ambiente mais confortável e alinhado aos interesses da pessoa, o paisagismo e a decoração vieram como uma prática altamente relaxante para as pessoas neste período de isolamento", comenta.

Alberto Leite, proprietário da Biogarden Paisagismo, afirma que o rendimento no período de inverno é sempre baixo, visto que a época não é propícia para as plantas, mas que se surpreendeu com o aumento das vendas neste ano. "Houve um aumento de cerca de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Estamos atendendo pelo menos 15 clientes por dia."

Carina Seron é dona da empresa Garden Carina Seron, em José Bonifácio, mas presta serviços para clientes em Rio Preto e outras cidades da região. Ela conta que conseguiu manter o faturamento, visto que dobrou as vendas neste período com projetos variados, desde plantas para vasos até planejamento de jardins. "Ficamos 50 dias com a loja fechada, mas a prestação de serviço nunca parou. Tivemos que trabalhar bastante com o Instagram e as redes sociais."

Segundo a empresária, a repaginação dos jardins foi o serviço mais procurado. Os projetos maiores ficam em média entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil; os clientes que procuram apenas pelas plantas, compram no mínimo, R$ 30.

Na Plant Garden, os principais destaques foram os vasos e as plantas para dentro de casa, além da decoração de jardins, paredes verdes verticais, mini hortas, suculentas e terrários. Os valores são bem variáveis: as plantas, por exemplo, podem ser de suculentas e temperos, que custam a partir de R$ 5, até raridades como "oliveiras decanas" e "ficus elásticas", que podem chegar a custar R$ 1,1 mil.

As plantas mais procuradas na Biogarden foram também as menores, para decoração em vasos, como a jiboia, a zamioculca e o lírio-da-paz, que custam, em média, R$ 30. Alberto conta que o principal motivo da escolha, muitas vezes, é pela facilidade de cuidar. "A pessoa que não é especialista escolhe uma planta mais simples para não ter problemas na hora de cuidar".

Ele ainda reforça que é necessário ter conhecimento sobre a planta que está comprando em função de suas particularidades.

Terapia

Carina Santana Branco, 42 anos, sempre gostou de plantas, mas, durante a pandemia, comprou inúmeras mudinhas e replantou as que já tinha em seu apartamento. Só na semana passada, ela comprou mais oito mudas de suculentas e cactos para colocar na sacada e deixar o ambiente mais agradável.

Sua filha, Gabriela Santana Bueno, 19 anos, também ajudou a colocar as plantas nos vasos e nos suportes que a mãe adquiriu. "Gastamos pouco, ao todo R$ 40, e o resultado ficou ótimo, além de ser uma ótima maneira para nos distrairmos durante esse momento de isolamento. É como uma terapia dentro da própria casa", conta a mãe.

(Colaborou Ingrid Bicker)

Embora as lojas e empresas de paisagismo tenham atingido um aumento significativo nas vendas durante a pandemia, a situação dos permissionários do Mercado das Flores, no Ceasa, não é a mesma, segundo ele. O faturamento caiu durante esse período.

O movimento caiu aproximadamente 50% na maioria das bancas que realiza as vendas no local, visto que o horário de funcionamento foi reduzido e os donos precisam manter o pagamento do aluguel e, em alguns casos, de funcionários. Durante o período mais drástico da quarentena, o local ficou fechado durante um mês e meio.

"A situação melhorou em comparação com o início da pandemia, em março e abril, mas ainda não é o bastante para manter o faturamento anterior. Minhas vendas caíram cerca de 50%", conta o proprietário da Dido Flores, uma das bancas do local.

O Mercado das Flores segue o mesmo horário de funcionamento do comércio, de quarta-feira a sábado, das 10h às 16h.