Decotelli ganha sobrevida em meio à criseDecotelli ganha sobrevida em meio à crise

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Decotelli ganha sobrevida em meio à crise

Decotelli perdeu apoio do grupo militar que o havia indicado para o cargo


Carlos Alberto Decotelli, que foi nomeado como ministro da Educação teve a posse adiada, nesta segunda
Carlos Alberto Decotelli, que foi nomeado como ministro da Educação teve a posse adiada, nesta segunda - Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro decidiu manter o professor Carlos Alberto Decotelli no Ministério da Educação (MEC), apesar dos sucessivos questionamentos ao seu currículo e do anúncio de que sua posse, que aconteceria nesta segunda-feira, 29, tinha sido adiada e até mesmo que o Planatlo já estaria em busca de substitutos. A decisão foi tomada pelo presidente Jair Bolsonaro, que ouviu as versões do professor e concluiu que ele tem "lastro acadêmico" e "reconhecimento como gestor", depois de 42 anos de vida pública.

O presidente preferiu prestigiar a prática de vida em detrimento de "detalhes formais de currículo". E optou por frear a busca por nomes para substituir o sucessor de Abraham Weintraub após a conversa.

Carlos Alberto Decotelli, que foi nomeado ministro da Educação na semana passada e teve a posse adiada por causa de incoerências em seu currículo. Por conta disso, perdeu apoio do grupo que o indicou - constrangida, a ala militar tentava emplacar substitutos já nesta segunda-feira, entre eles Marcus Vinícius Rodrigues, que foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) na gestão de Ricardo Velez e se reuniu com Bolsonaro na semana passada. Ele é engenheiro, especializado em gestão e ligado ao mesmo grupo militar de Decotelli.

Decotelli também perdeu o apoio que tinha entre professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A preocupação tanto dos militares quanto dos educadores é que integrantes ligados a Olavo de Carvalho agora tenham argumentos para indicar um nome que prevaleça. O deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, teria sugerido Sérgio Sant'ana, ex-assessor especial de Abraham Weintraub e ligado a olavistas do governo.

Currículo na mira

Desde que foi anunciado como novo ministro da Educação, Decotelli passou a ter as informações de seu currículo questionadas. Ao anunciar o sucessor de Abraham Weintraub na pasta, o presidente Jair Bolsonaro mencionou a formação do professor: "Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela Uerj, Mestre pela FGV, Doutor pela Universidade de Rosário, Argentina, e Pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha", escreveu na quinta-feira, 25.

No dia seguinte, o título de doutor do novo ministro foi questionado por Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário, que disse que Decotelli não conclui o doutorado.

Pelas redes sociais, nesta segunda-feira, 29, Bolsonaro escreveu que "por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério." Ele, no entanto, disse que Decotelli admitiu que errou. "O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco." Bolsonaro encerra a publicação com elogios. "Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos."

Agência Senado

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) enviou representação à Corte pedindo investigações sobre 'possíveis prejuízos' aos cofres públicos na nomeação de Carlos Alberto Decotelli para o Ministério da Educação (MEC) e o período em que teria cursado, mas não concluído, o doutorado na Argentina. As apurações ocorrem em meio a denúncias contra o currículo do substituto de Abraham Weintraub no MEC.

De acordo com o subprocurador-geral Lucas Furtado, as investigações visam apurar 'possíveis possíveis prejuízos ao erário decorrentes da nomeação do novo ministro da Educação, Sr. Carlos Alberto Decotelli, considerando as notícias de que, embora constasse me seu currículo o título de 'doutor', na verdade ele não concluiu essa titulação acadêmica, bem como as suspeitas que pairam sobre suposto plágio ocorrido na dissertação de mestrado'.

Neste caso, a apuração deve mirar a 'eventual invalidade do ato de nomeação' de Decotelli, no que resultaria a necessidade de ressarcimento dos cofres públicos de benefícios e subsídios pagos ao novo ministro da Educação, como auxílio-mudança. Na visão de Furtado, o governo pode ter sido induzido ao erro com a nomeação.