Fabrício Queiroz negocia delação premiada

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Fabrício Queiroz negocia delação premiada

Advogado Wassef muda versão e admite que abrigou Queiroz em seu imóvel em Atibaia


Momento da prisão de Fabrício Queiroz (de vermelho) em Atibaia
Momento da prisão de Fabrício Queiroz (de vermelho) em Atibaia - Divulgação/Polícia Civil

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), informou nesta sexta-feira, 26, reportagem da CNN Brasil. Queiroz foi preso na quinta-feira da semana passada, dia 18, em um imóvel do advogado Frederick Wassef em Atibaia, na "Operação Anjo", articulada pelos Ministérios Públicos do Rio e de São Paulo que investiga o "esquema da rachadinha" de salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na época em que Flávio Bolsonaro era deputado estadual.

De acordo com fontes envolvidas na investigação, a maior preocupação de Queiroz é com a segurança da família. Ele quer garantidas e proteções para a mulher, Márcia Aguiar de Oliveira, que está foragida, e para as filhas, Nathalia Mello e Evelyn Mello, todas também investigadas no "esquema da rachadinha". A investigação aponta que a maior parte do dinheiro recebido pelas três foi depositada na mesma conta corrente que Queiroz usava para gerenciar as "rachadinhas".

Ele também pede para cumprir prisão domiciliar. Queiroz estaria bastante preocupado que as filhas venham a ser presas e que Márcia seja localizada.

"A negociação está arrastada porque os promotores querem garantias que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro tem informações novas para apresentar e não apenas relatar fatos que a investigação já conseguiu remontar", informa ainda a reportagem.

Risco de morte

O ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) Frederick Wassef mudou a versão que sustentava até então e admitiu que abriu as portas de sua residência em Atibaia, a Fabrício Queiroz, mas por "questão humanitária" e que teria mantido sigilo sobre esta informação inclusive para o presidente Jair Bolsonaro e o filho dele Flávio Bolsonaro, os quais representava até a semana passada.

Wassef disse que tomou essa atitude após receber informações de que o ex-assessor seria assassinado. Em entrevista à revista Veja, publicada em sua versão online nesta sexta-feira, 26, Wassef disse que tinha informações sobre um possível atentado contra Queiroz - e que a família Bolsonaro seria responsabilizada pelo crime. O advogado disse ainda que considera que salvou a vida do ex-assessor.

"Eu tinha a minha mais absoluta convicção de que ele seria executado no Rio de Janeiro. Além de terem chegado a mim essas informações, eu tive certeza absoluta de que quem estivesse por trás desse homicídio, dessa execução, iria colocar isso na conta da família Bolsonaro", disse.

Wassef disse que a morte do ex-assessor seria parte de uma fraude, comparando ao depoimento do porteiro do condomínio do presidente no caso Marielle. "Algo parecido com o que tentaram fazer no caso Marielle, com aquela história do porteiro que mentiu.". Ele também afirma que omitiu do presidente e do filho "01" a trama e o paradeiro do ex-assessor.

Além do possível crime, Wassef também afirmou que ficou sensibilizado com o estado de saúde de Queiroz e o momento vivido pelo ex-assessor do senador. Sem revelar se ofereceu ajuda ou se foi procurado, o advogado disse que "fez chegar ao conhecimento" de Queiroz que estava disponibilizando três endereços para ele ficar: a casa de Atibaia, uma casa em São Paulo e outra no litoral. Ele se negou a dizer se manteve contato com Queiroz durante o período.

No dia 20 de junho, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Wassef negou ter escondido Queiroz em seu escritório em Atibaia. O advogado também afirmou nunca ter trocado mensagens ou telefonado para Queiroz e alegou ser vítima de uma armação. "Isso é uma armação para incriminar o presidente".

(Com Agência Estado)

 

Gabriela Bilo/ Estadão Conteúdo

A advogada Ana Flávia Rigamonti, de Ipiguá, afirmou ao Diário que trabalhou com Frederick Wassef, advogado que representava o presidente da República, Jair Bolsonaro, viveu sete meses em Atibaia, sendo que seis meses no imóvel onde Fabrício Queiroz foi preso. Queiroz foi assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos), investigado em suposto esquema de rachadinhas na época em que era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Pelo esquema, os funcionários contratados eram obrigados a retornar parte do pagamento ao então deputado.

"Eu fui pra Atibaia na metade de maio de 2019 e voltei embora definitivamente no começo de dezembro de 2019", afirmou a advogada, que hoje não presta mais serviços advocatícios e financeiros a Wassef.

O período compreende aquele em que a advogada conviveu com Queiroz, levado à casa de Atibaia em julho de 2019, após ficar cinco meses em um apartamento no Guarujá que pertence a avó de Frederick Wassef, segundo divulgado pela TV Bandeirantes.

O advogado ainda admitiu que escondeu Queiroz porque havia uma trama para matar o ex-assessor e incriminar o presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao Diário nesta quinta-feira, 25, Ana Flávia afirmou que conviveu com Queiroz, a quem classificou como uma pessoa "tranquila." A advogada não é citada pelo Ministério Público e pela Justiça como investigada.

Queiroz foi preso no dia 18 de junho em ação da Polícia Civil a mando da Justiça do Rio de Janeiro, que enxerga em Queiroz uma peça-chave para no esquema das rachadinhas.