Advogada de Ipiguá esteve com Queiroz em Atibaia

EM IPIGUÁ

Advogada de Ipiguá esteve com Queiroz em Atibaia

Ana Flávia Rigamonti, que mora com a família em Ipiguá, falou ao Diário sobre "rotina normal" na casa onde ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj, Fabrício Queiroz, foi preso na semana passada


Momento da prisão de Fabrício Queiroz (de vermelho) na casa em Atibaia, onde a advogada morou no ano passado
Momento da prisão de Fabrício Queiroz (de vermelho) na casa em Atibaia, onde a advogada morou no ano passado - Divulgação/Polícia Civil

A advogada que morou na casa de Frederick Wassef, a mesma que abrigava Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), pivô de escândalo de "rachadinha" na Assembleia do Rio de Janeiro, é de Ipiguá e já trabalhou em Rio Preto. Ana Flávia Rigamonti, formada em Direito pela Unip, provocou reviravolta no caso ao afirmar que a mulher Queiroz, preso na semana passada, frequentava a casa periodicamente. Márcia Oliveira é considerada foragida pela Justiça.

Ana Flávia foi contratada por Wassef e morou em Atibaia em 2019 e depois voltou a Ipiguá, onde vive com a família e atua na região. O Diário entrevistou a advogada, por telefone, nesta quinta-feira, 25. Ela confirmou declarações dadas ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite anterior e disse ainda que passou "temporadas" em Atibaia. Ela não quis revelar onde estava quando falou com a reportagem do Diário. Disse apenas que "estava trabalhando" e afirmou que sabia das investigações que envolviam Queiroz, uma pessoa "tranquila", na definição dela. Sobre a mulher do ex-assessor, revelou que Márcia "ia e vinha" à moradia de Atibaia. A revelação surpreendeu o meio político rio-pretense e advogados que convivem com Ana Flávia.

O Diário conseguiu, por telefone, contato com a advogada de Ipiguá que esteve na casa em que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (sem partido), Fábrício Queiroz, foi preso em Atibaia, na quinta-feira, 18, na "Operação Anjo" articulada pelos Ministérios Públicos do Rio e de São Paulo. "Anjo" seria o codinome de Wassef, que até semana passada representava o presidente Jair Bolsonaro e era assíduo frequentador do Palácio do Planalto.

Queiroz é investigado por um suposto esquema de rachadinhas no gabinete de Flávio na Alerj - funcionários eram contratados para trabalhar no gabinete, sob condição de pagar uma parte de volta ao então deputado estadual. Os promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro revelaram 483 depósitos de 13 ex-assessores na conta bancária de Queiroz. As transferências foram por meio de cheques e dinheiro vivo. Ainda de acordo com o MP, o atual senador utilizava uma loja de chocolates para lavar o dinheiro. Os valores chegam a R$ 2,3 milhões.

'Não era foragido'

A reportagem foi até a casa onde a advogada vive, em Ipiguá. Uma das portas de uma loja, que fica anexa o endereço estava aberta, mas, mesmo assim, ninguém atendeu. A advogada, contudo, retornou às chamadas feitas por telefone. Tranquila, respondeu aos questionamentos a respeito da convivência com Queiroz.

Segundo relatou, não havia problemas de convivência entre eles e os advogados contratados por Wassef ocupavam o local de maneira esporádica. "No caso do Queiroz, ele não era um foragido, não tinha um mandado de prisão. No tempo que fiquei em Atibaia não tinha nada disso."

A advogada afirmou que não se lembra exatamente quando foi que Queiroz chegou na casa, mas já trabalhava no local quando o ex-assessor chegou."Tinha um processo contra ele, mas processos, muitas pessoas têm."

Em entrevista à TV Globo, Ana Flávia disse que chegou a emprestar o carro para o ex-assessor, mas o motivo do uso não era conhecido. "Para onde ele ia, a viagem ao certo, eu não ficava perguntando. Mas acho que emprestei meu carro umas três, quatro vezes, pelo menos", contou.

Atualmente, a advogada atua na região de Rio Preto e faz trabalhos nas partes financeira e administrativa. São os mesmos serviços que ela prestava a Wassef quando foi chamada para trabalhar em Atibaia. O Ministério Público e a Polícia Civil não citam Ana como advogada de Queiroz. Ela não é investigada.

O Diário entrou em contato com Frederick Wassef por telefone e também por mensagem, mas não obteve resposta.

(Colaborou Marival Correa)

Guilherme Baffi 25/6/2020

A advogada Ana Flávia Rigamonti, que virou pivô do caso que envolve Fabrício Queiroz, ligado a Flávio Bolsonaro, afirmou ao Diário que ficava por "temporadas" na casa em Atibaia, onde o ex-assessor do senador foi preso na quinta-feira, 19. Ela disse que sabia que Queiroz era investigado, mas que ele não era considerado foragido. A advogada afirmou ainda não saber do paradeiro da mulher do ex-assessor, Márcia Oliveira de Aguiar, considerada foragida pela Justiça. O mandato de prisão contra Queiroz foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro.

Leia abaixo principais trechos da entrevista da advogada, concedida ao Diário por telefone, nesta quinta.

Diário - Como era a convivência com o Queiroz?

Ana Flávia -O Queiroz era uma pessoa normal, tranquila, não tinha nenhum problema

Diário - Como era o dia a dia na casa?

Ana Flávia -Era mais um lugar que eu ia para dormir, né? Não era um lugar de residência, eram temporadas que eu passava ali. Eu viajava bastante porque ficava muito tempo em São Paulo, também. Então eu viajava bastante e vinha muito pro interior.

Era muito puxado, muito corrido, tanto que eu resolvi vir embora.

Diário - Vocês sabiam sobre os processos dele?

Ana Flávia -No caso do Queiroz, ele não era um foragido, não tinha um mandado de prisão, no tempo que fiquei em Atibaia não tinha nada disso. Ele tinha um processo contra ele, mas processos, muitas pessoas têm.

Diário - A esposa dele ia ao local?

Ana Flávia -A esposa dele passou algumas temporadas na casa. (LI)

Justiça do Rio aceitou na tarde desta quinta-feira, 25, um habeas corpus apresentado pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para que ele seja julgado pela segunda instância no Caso Queiroz. Por 2 votos a 1, os desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça fluminense concordaram com o argumento de que Flávio Bolsonaro teria direito a foro especial.

Representado pelos advogados Rodrigo Roca e Luciana Pires, o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, argumentava que, por ser deputado estadual na época dos crimes supostamente praticados, teria direito a ser julgado pelo Órgão Especial do TJ, onde os parlamentares fluminenses têm foro.

Votou contra o HC a desembargadora Suimei Meira Cavalieri (relatora); a favor, Monica Tolledo De Oliveira e Paulo Sergio Rangel Do Nascimento. Eles afirmaram que o caso deveria tramitar na segunda instância, mas que as decisões tomadas até aqui não seriam anuladas imediatamente: o Órgão Especial precisaria reavaliá-las.

Se fosse aprovado do modo como a defesa pedia, o habeas corpus teria poder de anular decisões do juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da primeira instância, ao longo do inquérito das "rachadinhas". Entre elas, a prisão preventiva de Fabrício Queiroz e quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico.

O caso está prestes a ter a primeira denúncia apresentada pelo Ministério Público, segundo pessoas que acompanham a investigação.

Desde o início do inquérito, em 2018, a Promotoria fluminense afirma que há indícios dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa por parte de Flávio Bolsonaro e seus assessores.

Em nota divulgada à imprensa, a defesa do senador afirmou que "sempre esteve muito confiante neste resultado por ter convicção de que o processo nunca deveria ter se iniciado em primeira instância e muito menos chegado até onde foi".

(Agência Estado)

 

O fato de advogada de Ipiguá, que cursou direito em Rio Preto, ter morado na casa onde Fabrício Queiroz foi preso chamou atenção do meio político do município. O vereador Renato Pupo (PSDB, por exemplo, afirmou que ficou surpreso ao saber do caso.

Ele, que é delegado civil licenciado, disse que Ana Flávia foi sua aluna. Pupo é professor de direito penal. Ele disse que deu aulas para a então estudante na Unip. "Ela é uma pessoa muito boa, uma excelente pessoa. Boa aluna e boa pessoa", afirmou.

Ana Flávia conclui seu bacharelado em Direito em 2015. Ela está registrada como advogada pela OAB, subseção de Rio Preto. Seu cadastro, inscrito em agosto de 2015, consta como "ativo normal". Ainda em Rio Preto ela consta como advogada em duas ações na área cível. Ana Flávia trabalhou com o vereador Jean Dornelas (MDB), em 2016, fato confirmado por ele. O vereador é advogado e atua em área de direito dos consumidores.

(Vinícius Marques)

A mulher de Fabrício Queiroz está foragida há uma semana. Em conversas obtidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e citadas no documento que embasou a prisão do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, a mulher dele, Márcia Oliveira de Aguiar, dizia que poderia fugir caso tivesse a prisão decretada. Os diálogos se deram em dezembro do ano passado.

No último dia 18, o que o casal mais temia aconteceu. Alvos de mandados de prisão preventiva, Queiroz foi detido, mas a mulher cumpriu o que planejava: fugiu.

O MP classifica Márcia como peça-chave na suposta tentativa de obstrução de Justiça por parte de Queiroz e de seus aliados. Além das conversas, que já denotavam preocupação com os desdobramentos do inquérito que apura suposta prática de 'rachadinha' no gabinete que o atual senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comandava quando era deputado estadual, os promotores do Rio também apontam que ela recebeu, de origem desconhecida, R$ 174 mil em espécie durante o sumiço de Queiroz.

A investigação apontou que o dinheiro teria bancado, por exemplo, as despesas hospitalares do ex-assessor do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

(Agência Estado)