Prisão de Queiroz leva crise ao Planalto

Em Atibaia

Prisão de Queiroz leva crise ao Planalto

Queiroz foi preso acusado de obstruir investigação sobre rachadinha


Policiais civis cumpriram mandado de prisão de Queiroz (de vermelho) na manhã desta quinta, em Atibaia
Policiais civis cumpriram mandado de prisão de Queiroz (de vermelho) na manhã desta quinta, em Atibaia - Foto: Polícia Civil

Fabrício Queiroz, ex-assessor do agora senador Flávio Bolsonaro, foi preso na manhã desta quinta-feira, 18, em Atibaia, em São Paulo. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, ele estava num imóvel do advogado Frederick Wassef e foi levado para o Rio de Janeiro ainda nesta quinta. Queiroz foi assessor de Flávio quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O advogado participou nesta quarta-feira, 17, da cerimônia de posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria, em Brasília.

Pouco após a prisão de Queiroz, o presidente Jair Bolsonaro convocou seus principais auxiliares para traçar uma estratégia de reação. O clima no governo é tenso e o desafio do Planalto é como explicar o envolvimento do advogado Frederick Wassef, que representa o senador Flávio Bolsonaro no caso Queiroz. Wassef se apresenta como advogado de Bolsonaro, mas não atua formalmente em nenhuma causa em nome do presidente.

Os mandados de busca e apreensão e de prisão contra Queiroz foram expedidos pela Justiça do Rio e a prisão foi feita na Operação Anjo da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Queiroz é investigado em suposto esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio e por lavagem de dinheiro em transações imobiliárias com valores de compra e venda fraudados. Em dezembro de 2018 ele foi citado em um relatório do antigo Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentar R$ 1,2 milhão em sua conta de maneira "atípica".

A Justiça acolheu o argumento do Ministério Público de que o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz estava embaraçando a apuração sobre organização criminosa que envolveria o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A obstrução desse tipo de investigação é também um crime, definido na lei das organizações criminosas. A pena para esse delito é de três a oito anos de prisão. O mandado de prisão especifica ainda outra acusação contra Queiroz: lavagem de dinheiro, cuja pena é de 3 a 10 anos de prisão para cada conduta de lavagem.

Flávio Bolsonaro comentou a prisão pelas redes sociais. "Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo. O jogo é bruto", escreveu o senador.

Já o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em live, que a prisão de Queiroz foi "espetaculosa" e parecia que estavam prendendo "o maior bandido da face da terra".

"O Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandado de prisão contra ele. Foi feita uma prisão espetaculosa", disse o presidente em transmissão ao vivo no Facebook.

Divulgação/Agência Brasil

Em vídeo publicado nas redes sociais, o ministro da Educação, Abraham Weintraub anunciou, nesta quinta-feira, 18, sua saída do governo. O presidente Jair Bolsonaro vinha sendo pressionado a fazer um gesto de trégua ao Supremo Tribunal Federal (STF), e aparece ao lado de Weintraub no vídeo com o anúncio da demissão, a exemplo do que fez com Regina Duarte. Weintraub foi o décimo a cair desde o início do governo.

"Eu estou saindo do MEC, vou começar a transição agora e nos próximos dias eu passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo. Neste momento, não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe. O importante é dizer que recebi o convite para ser diretor de um banco, já fui diretor de um banco no passado, volto ao mesmo cargo, porém no Banco Mundial", disse Weintraub em vídeo publicado no Twitter.

Após a fala de Weintraub no vídeo, Bolsonaro diz que é "um momento difícil para todos", mas afirmou que vai manter os compromissos de campanha. "É um momento difícil, todos os meus compromissos de campanha continuam de pé. A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão assistindo são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando.