Após ações do STF, Bolsonaro critica abuso

Quebra do silêncio

Após ações do STF, Bolsonaro critica abuso

Presidente disse que não pode "fingir naturalidade" diante da situação


Presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações nesta quarta-feira, 17, no Palácio do Planalto
Presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de posse do novo ministro das Comunicações nesta quarta-feira, 17, no Palácio do Planalto - Divulgação/Agência Brasil

Pressionado por seus apoiadores a se manifestar sobre a operação da Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro quebrou o silêncio e falou em "abusos" e disse que tomará todas as medidas legais para proteger a Constituição porque não pode "fingir naturalidade" diante do que está acontecendo. Sem citar os mandados de busca e apreensão que atingiram seus aliados, Bolsonaro não deixou dúvidas sobre o destinatário de suas críticas nesse momento de tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas", escreveu o presidente nas redes sociais. "Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros".Em outra postagem, Bolsonaro afirmou que o histórico de seu governo "prova" que ele sempre esteve ao lado da democracia e da Constituição. "Os abusos presenciados por todos nas últimas semanas foram recebidos pelo governo com a mesma cautela de sempre, cobrando, com o simples poder da palavra, o respeito e a harmonia entre os poderes. Essa tem sido nossa postura, mesmo diante de ataques concretos", disse Bolsonaro.

O presidente havia orientado pessoas próximas a evitar manifestações públicas sobre a Operação Lume da Polícia Federal, que investiga seus aliados no âmbito do inquérito sobre os atos antidemocráticos. A pedido da Procuradoria-Geral da República, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a quebra de sigilo bancário de dez deputados federais e um senador bolsonaristas.

Bolsonaro decidiu romper o silêncio, no entanto, após ser muito cobrado nas redes sociais. "Só pode haver democracia onde o povo é respeitado, onde os governados escolhem quem irá governá-los e onde as liberdades fundamentais são protegidas. É o povo que legitima as instituições, e não o contrário. Isso, sim, é democracia", afirmou o presidente.

Bolsonaro mencionou "abusos" que teriam sido cometidos contra o governo. "E fingir naturalidade diante de tudo o que está acontecendo só contribuiria para a sua completa destruição. Nada é mais autoritário do que atentar contra a liberdade de seu próprio povo", insistiu.

Bolsonaro disse que não houve por parte do governo nenhuma medida que demonstrasse apreço ao autoritarismo.

O deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) tomou posse nesta quarta, 17, como novo ministro das Comunicações e disse que entre as suas prioridades está inclusão digital da população. Para Faria, o momento atual do país, também exige uma postura de compreensão e abertura ao diálogo.

"É tempo de levantarmos a guarda contra o novo coronavírus, também é hora de um armistício patriótico e deixarmos a arena eleitoral para 2022. É preciso sobretudo respeito e que deixemos as nossas diferenças político-ideológicas de lado para enfrentarmos esse inimigo invisível comum que tem tirado a vida de milhares de pessoas e gerado danos incalculáveis à economia. É hora de pacificar o país", disse ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

Faria destacou a transformação e o impacto da pandemia de covid-19 na vida das pessoas e os efeitos na saúde pública e na economia, especialmente na área das comunicações. Ele citou avanços na tramitação digital de atos, na telemedicina e no comércio eletrônico.