CONFISCO DA POUPANÇA

Collor pede desculpas, 30 anos depois

Collor disse que a meta de sua equipe era conter a hiperinflação de 80% ao mês


A então ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, acompanhada dos assessores, Antonio Kandir (esq.) e 
Ibrahim Eris, anuncia o Plano Collor em 16 de março de 1990
A então ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, acompanhada dos assessores, Antonio Kandir (esq.) e Ibrahim Eris, anuncia o Plano Collor em 16 de março de 1990 - Reprodução/Facebook

O ex-presidente da República Fernando Collor de Mello pediu perdão nesta segunda-feira, 18, pelo confisco de saldos de cadernetas de poupança e contas correntes em março de 1990. Pelo Twitter, o agora senador pelo Pros de Alagoas disse que acreditou que as medidas radicais poderiam conter a inflação.

O pedido de desculpas acontece mais de 30 anos após o anúncio do Plano Collor 1, em 16 de março de 1990. "Acreditei que aquelas medidas radicais eram o caminho certo. Infelizmente errei. Gostaria de pedir perdão a todas aquelas pessoas que foram prejudicadas pelo bloqueio dos ativos", escreveu.

Collor disse que o objetivo central de sua equipe era conter a hiperinflação de 80% ao mês e que não via alternativa viável na época. A situação econômica do País, segundo ele, prejudicava os mais pobres e as "pessoas estavam morrendo de fome".

"Era uma decisão dificílima. Mas resolvi assumir o risco. Sabia que arriscava ali perder a minha popularidade e até mesmo a Presidência", diz a publicação. "Quisemos muito acertar. Nosso objetivo sempre foi o bem do Brasil e dos brasileiros."

Nas últimas semanas, o ex-presidente tem reforçado sua presença nas redes sociais e abriu espaço para internautas enviarem perguntas. "Respondo toda e qualquer questão, mas o volume tá muito grande e vou aos poucos."

Nação em choque

Além da promessa de "caçar marajás" e exterminar a corrupção, Collor também venceu aquelas eleições sob o signo de uma espécie de herói capaz de enfrentar um cenário econômico dominado pela hiperinflação - o total acumulado ao longo de 1989, chegou a 1.782,9%, um recorde nacional.

Foi assim durante toda a campanha à Presidência da República: Collor defendia a criação de um plano de ataque frontal à inflação. No dia seguinte à sua posse, em 16 de março de 1990, a sua equipe, capitaneada pela ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, anunciou o mais truculento pacote econômico do País.

O pacote, oficialmente chamado de Plano Brasil Novo logo, ficou conhecido como Plano Collor pelo impacto negativo que as medidas inéditas de estabilização geraram na sociedade. A mais traumática foi o desastroso confisco da poupança e de todas as aplicações financeiras acima de 50 mil cruzados novos - cerca de R$ 6 mil. Segundo uma intransigente ministra da Fazenda, o bloqueio serviria para reduzir o dinheiro em circulação na economia e inibir o consumo. O resultado, no entanto, foi o pior possível: muita gente não teve dinheiro sequer para pagar despesas básicas e economias inteiras de municípios ficaram comprometidas.