REABERTURA DO COMÉRCIO

'A flexibilização está nas mãos de cada um', afirma prefeito de Rio Preto

Edinho Araújo diz que abertura de setores da economia após o dia 31 vai depender do aumento do isolamento; semana decisiva entre os dias 25 a 28 vai definir a flexibilização de serviços


Prefeito Edinho durante apresentação para apresentar projeto do dia
Prefeito Edinho durante apresentação para apresentar projeto do dia "D" aos prefeitos da região e aliados - Divulgação/Prefeitura de Rio Preto

Prestes a apresentar proposta de flexibilização do comércio para o governo do Estado nesta segunda-feira, 18, o prefeito Edinho Araújo (MDB) afirma que os 102 municípios que formam a região administrativa devem ao menos se aproximar das metas estabelecidas no chamado dia "D". Até o dia 31, o emedebista afirma que os prefeitos e a população devem se unir para aumentar o isolamento social para, no mínimo, 50% entre os dias 25 a 28 deste mês. Ele enfatiza que até o fim do término da quarentena nada muda.

Apesar do índice ser cinco pontos percentuais abaixo do previsto pelo governador João Doria (PSDB), Edinho prevê que os municípios terão maiores chances de conseguir atender ou se aproximar dos outros dois pré-requisitos: redução no número de casos do coronavírus por 14 dias e ocupação de leitos de UTI inferior a 60%. O prefeito de Rio Preto quer negociar uma redução de casos da doença em um período menor: de oito dias.

Em entrevista ao Diário, Edinho disse que não está preocupado com a reeleição, crítica o uso eleitoreiro da pandemia e afirma: "O momento é extrema gravidade. Em defesa da vida e me amparo na ciência. Não posso temer qualquer desgaste. Sou capaz de sacrificar a minha carreira política para salvar vidas". Veja os principais trechos:

Plano 'D'

A questão do plano nós estamos esboçando. Temos o plano municipal que o Aldenis colocou na live da manhã (na sexta-feira, 15). Os municípios fizeram aquela reunião que você acompanhou com os prefeitos e estão encaminhando as propostas. Designei o Jorge Luís, secretário de Desenvolvimento Econômico, juntamente com Mário Soler (da Comunicação), no final de semana, para compilar todas as sugestões. Na segunda-feira de manhã, nós vamos trabalhar isso e conhecer as propostas para levar a visão da região para o governador (João Doria). Agora, nenhuma mudança até o dia 31, que fique claro. Ele tem as condicionantes que são o isolamento social com 55%, ocupação dos leitos de UTI, no máximo, de 60%. A curva dos casos durante 14 dias numa queda. Temos três parâmetros e temos de trabalhar muito essa questão. Só depois do dia 31 é que poderá haver alguma flexibilização. Tenho procurando dizer a verdade, a nossa situação é uma crescente. O vírus está chegando. E nós queremos que isso seja bem organizado para que a gente não desassista ninguém. E viemos salvar vida. Nosso projeto já explicitado. E agora estamos colhendo as posições das microrregiões.

Flexibilização e economia

É um tema muito complexo. Todos querem a economia girando, nós prefeitos mais do que ninguém desejam que haja emprego e renda porque isso que forma o orçamento. Agora, não vi ninguém desconsiderar a questão fundamental que é a vida e a saúde. Claro que há municípios com característica muito específica e cuja economia é centralizada em algumas áreas. Olímpia é turismo.

Abertura de setores

Vou ser fiel ao que os prefeitos me encaminharem. Eu quero a flexibilização. Todos nós queremos. Há uma certa dubiedade. Eu diria que são duas faces da mesma moeda. Vejo essa questão como a metáfora: o juiz joga a medalha para cima e vira. Da frente para mim será sempre a vida. Sempre a saúde. A outra é a economia. Agora, você não tem economia sem vida. Se cumprimos esses índices e critérios temos condições. Tem 40% dos leitos disponíveis. O que é fundamental? Quando você abre e flexibiliza? Quando está em uma queda. Isso me parece ser a questão mais importante. Você não pode flexibilizar quando o vírus está avançando. A questão de leitos para enfermaria e UTI já tínhamos e vamos ter mais.Rio Preto e região está bem assistidas. Faço reunião com a DRS-15 há 50 dias. Sempre com essa preocupação com a infraestrutura. Precisamos que todos façam a sua parte. E Rio Preto tem a responsabilidade de ser uma cidade líder. As pessoas consomem, visitam investem aqui. Estaremos sempre solidários com os prefeitos. Temos o Hospital de Base, que é regional.

Isolamento social

Nós todos temos de contribuir para que o isolamento possa ser uma meta de todos. Tivemos ontem (quinta-feira) 39%. Esse critério com 14 dias de queda de casos e, durante esse período, atingir 55% de isolamento. Resumindo: o prefeito e vereadores são as autoridades mais próximas. A cobrança é muito intensa. Lamento pelas vidas que já se foram. Não temos ainda parentes e amigos próximos (contaminados). Esse vírus não mostrou a cara. Costumo dizer que não vimos a cara dele efetivamente. Há uma necessidade da retomada da economia, mas não abro mão da ciência e dos critérios científicos do comitês (de combate ao coronavírus) tem me trazido.

Metas até o dia 31

O isolamento é um grande desafio. Vamos imaginar que não atingimos o índice (de 55%), mas esteja próximo dele e o número de casos você preencha. Está em uma queda nos últimos oito dias. A regra são 14 dias. Você esteja com o número de leitos dentro da regra com mais de 40% à disposição. Você não atinge os 55% (de isolamento), mas esteja com 50%. É uma possibilidade de negociar mais efetivamente. A decisão (do governo do Estado) vai se dar ao meu ver no dia 29, uma sexta-feira. A tendência do dia 25 até o dia 28, se o quadro for de queda de casos, de ter melhorado o isolamento e a ocupação está dentro dos requisitos porque não solicitar flexibilização de algumas áreas? Essa é a meta e temos de atingi-la.

Setores beneficiados

Nós temos a questão de regrar as academias, as revendas de carros (garagistas) e outro setor muito afetado são os shopping. Restaurante pode flexibilizar pouco por metro quadrado, duas pessoas na mesa. Até lá, vamos ter visão mais clara do que está acontecendo na Itália, na Espanha e, mesmo em Nova Iorque. Não podemos relaxar. A flexibilização está nas mãos de cada um. No espírito humanitário e na solidariedade de cada um. Só teremos condições de pedir ou solicitar flexibilização se o quadro for favorável, onde o coronavírus esteja sob controle e, em baixa. Se tiver com o nariz para cima e tiver em uma ascendente fica complicado. Nós temos metas até o dia 31. Se estivermos fazendo o dever de casa, fundamentalmente, a questão do isolamento social nós poderemos pleitear flexibilização em algumas áreas.

Prorrogação de quarentena

O governador delegou. Ele está dividindo a responsabilidade, ele entende que os prefeitos têm visão mais próxima. Os prefeitos são os mais pressionados. Ele é o poder local. Temos as nossas competências e estou atrelado à ciência. Essa é uma crise sanitária e uma questão de Saúde. E não temos e nenhuma referência. É inédita. Ninguém tem a verdade absoluta. Tenho acompanhado aquilo que é científico. São muitas lições que vamos tirar dessa pandemia. Uma delas é investir em pesquisa e valorizar cada vez mais o setor médico e da Assistência Social. Trouxe à tona as mazelas desse país. Que são as pessoas que moram em uma habitação precariamente. Temos orgulho de ter feito o dever de casa. Há duas décadas já estávamos aqui com o tratamento de esgoto.

Acompanhando as obras

Além das fotos, eu ando. Mas recebo mais de 50 fotos da cidade por dia.

Fechamento de espaços

Está proibido qualquer aglomeração. Qualquer denúncia que se faça a Guarda Municipal está presente. As pessoas que me contatam através de secretário ou amigo mando agir imediatamente. Estamos vigilantes. E tentar conscientizar cada vez mais as pessoas. Eu andei a cidade e a grande maioria, 90% das pessoas estão com máscaras. Vamos fazer avaliação diária (fechamento de espaços) da situação para podermos chegar na reta final, no dia 25, em condições de ter o quadro. Vamos depender muito da tendência. Qual é o cenário? É que o vírus está avançando no interior do Estado.

Números desfavoráveis

Vamos botar na mesa e enfrentar a realidade e tomar as providências que o comitê me sugerir. No sentido de evitar o colapso. Proporcionar assistência a todos, às pessoas mais simples e vulneráveis. Estamos cuidando, as cestas básicas para as famílias. Vacina da H1N1, fizemos o drive trhu. Estamos trabalhando muito corretamente. Cumprimentaria os profissionais da Saúde e Assistência Social. Estamos unidos, uma solidariedade absoluta e muito determinados.

Testes da Covid

Vamos continuar testando e a expectativa é de que partir de amanhã começam a chegar testes do governo de São Paulo. Deverá ser distribuído proporcionalmente. Toda a pessoa que manifestar síndrome gripal. Qualquer grau de gripe é teste. Rio Preto está na vanguarda de todas as ações, no sentido, de mitigar os efeitos da pandemia.

Posicionamento de Bolsonaro

Esse não é o momento de explorar a pandemia com fins eleitoreiros. O momento é extrema gravidade. Em defesa da vida e me amparo na ciência. Não posso temer qualquer desgaste. Sou capaz de sacrificar a minha carreira política para salvar vidas. Como estamos salvando com as medidas tomadas no enfrentamento contra o coronavírus. Agora, pessoas não acreditam e parece um subjetivismo. Coo gesto desta crise tenho responsabilidade e não tenho tempo para pensar em qualquer outro projeto que não seja salvar vidas. Não posso impedir que alguns atores políticos queiram usar a pandemia para alavancar alguma candidatura. Acho que o momento é focar. Temos de nos unir em Rio Preto e união.

Elogio vice-governador

O Rodrigo (Garcia) acompanha. Ele estando com a visão que tem de São Paulo e Brasil em papel importante. Mas olha Rio Preto. Fico feliz. O próprio Aloysio (Nunes, ex-chanceler) se manifestou. O próprio ex-presidente do Tribunal de Justiça. Recebo muitas manifestações que me deixam seguro. Percebo que tem muita gente que quer usar esse momento para alavancar e fazer (crítica). Essa questão do achismo todo mundo tem opinião e sugere alguma coisa. Depois lá na frente diz: "eu avisei o Edinho". Vamos seguir nesta linha mais confortável e que no dá tranquilidade que são os números e a ciência. Lamento esse tipo de exploração. Tenho de tomar medidas amargas. Quantas pessoas dizem: "você vai pedir simpatizante".

Reeleição

Não posso neste momento colocar a questão eleitoral. Estou convencido e estou tranquilo de que eleição não é prioridade para mim. O que ouço é que teremos eleições. O prefeito tem força mediante a opinião pública e o voto. Agora, não coloco a minha candidatura. Não converso sobre política. Não tem espaço. Não tenho tempo para pensar em eleição. O partido começar a pensar no plano de governo, mas eu não priorizarei a eleição enquanto estivermos debaixo dessa crise.

Projeto auxílio-atleta

Essa questão do auxílio-atleta temos de seguir a recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que não recomenda o pagamento porque não há trabalho ou atividade. E teríamos problema lá na frente. Há vício de iniciativa porque não compete ao parlamentar.

Queda na arrecadação

Outra questão fundamental é a financeira. Qual será a situação dos cofres públicos daqui a quatro meses? Quando chegar novembro e o 13º salário. Dois salários. Tenho de ter preocupação com a cidade como um todo e tentando honrar os compromissos. Espero que não (falte recursos para pagar os salários). Se eu for firme agora. Salvar vidas e administrar com a responsabilidade as finanças públicas.

Lockdown

Ouvirei o comitê que vai avaliar. Avaliamos diariamente. Nós estamos em um tempo muito diferente. Não tem nada semelhante e tenho quase 50 anos de vida pública. Nunca presenciei uma crise tão forte, tão aguda e ampla. Com inimigo tão poderoso que é o coronavírus.