Flexibilização

'Prefeito está de mãos atadas', diz Acirp

Diário promove live com empresários para avaliar cenário diante da pandemia


Live do Diário da Região contou com a participação do presidente da Acirp, Kelvin Kaiser, e da empresária Adriana Neves: retomada da economia local
Live do Diário da Região contou com a participação do presidente da Acirp, Kelvin Kaiser, e da empresária Adriana Neves: retomada da economia local - Johnny Torres 11/5/2020

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), Kelvin Kaiser, defendeu nesta segunda-feira, 11, a regionalização dos números da pandemia do coronavírus junto ao governo do Estado de São Paulo para que o prefeito Edinho Araújo (MDB) tenha maior autonomia para ampliar ou não os serviços fechados no município. Em live realizada pelo Diário nesta segunda-feira, Kaiser afirmou que Edinho "está de mãos atadas" diante do decreto anunciado pelo governador João Doria (PSDB) na última sexta-feira, 8.

Kaiser afirmou que o empresariado debate medidas de flexibilização com Edinho, que participa do Comitê de Municipalidade criado pelo governo estadual, integrado por 16 prefeitos de cidades sede de regiões administrativas do Estado. Eles querem flexibilizar o funcionamento de alguns segmentos do comércio e serviços antes do fim da quarentena, no dia 31 de maio. "A nossa proposta é trabalhar em conjunto com Edinho, ajudando-o com mais informações do que ele já tem, para que ele consiga defender a regionalização dos números e, dessa forma, fazer com que São José do Rio Preto tenha autonomia para decidir o que abre e o que não abre em virtude do controle do número de infectados do município. Este é um dos caminhos", afirmou o presidente da Acirp. Ele participou da live ao lado da empresária Adriana Neves, ex-presidente da associação e atual integrante do comitê de crise da Acirp.

O empresário disse ainda que outro caminho é interpretar o decreto Estadual, inclusive, com o apoio do Ministério Público para discutir quais outras atividades estão possibilitadas de abrir, ainda que com limitações. "Sempre, é claro, com muita responsabilidade para não infringir o decreto, mas ajudar a economia de Rio Preto flexibilizando mais alguns setores", afirmou Kaiser.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomercio), Ricardo Arroyo, afirmou nesta segunda-feira que os empresários devem enviar um novo documento a Edinho para pedir a reabertura de lojas da região central. "Temos uma empresa do setor varejista que já demitiu 120 funcionários. Muitas empresas não vão conseguir reabrir após o fim da pandemia", afirmou Arroyo. "Tenho seis lojas que me pagam aluguel, mas não consegui receber de nenhuma delas. Como vou cobrar o aluguel se as empresas não têm faturamento?", questionou.

De acordo com Arroyo, os sistemas de drive-thru e delivery permitidos pela Prefeitura não deram o resultado esperado pelos comerciantes. Ele disse que as empresas que aderiram ao sistema venderam cerca de 10% de um dia normal. "Não consegue sequer pagar as despesas do dia. Fazem isso para não ficar em casa", afirmou o presidente do Sincomércio.

Último recurso

Durante a live promovida pelo Diário, a empresária Adriana Neves afirmou que a demissão de funcionários deve ser a última opção das empresas. "É muito triste ter de demitir alguém", afirmou ao defender medidas que possam minimizar os impactos da crise em Rio Preto. Segundo ela, o diálogo com sindicatos tem sido produtivo no sentido de encontrar saídas para mitigar os reflexos da pandemia.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (Sincomerciários), vereadora Márcia Caldas (PSD), afirmou que neste momento deve prevalecer o período de quarentena até dia 31 de maio estabelecido no decreto do governo do Estado. Ela afirmou que essa é a posição do próprio prefeito Edinho Araújo (MDB), que afirmou: "contra Covid-19 não tem vacina. O remédio é o isolamento."

"A orientação foi de seguir o Estado. Já técnicos da Saúde opinaram por manter restrições, com mínimo de flexibilização diante de aumento recente casos na cidade. Assim o Sincomerciário tem recebido com base na medida provisória 936/2020, muitos pedidos de suspensão de contratos e redução de jornada", seguiu a vereadora. "Quanto a demissões, temos tido conhecimento que algumas empresas têm feito, porém não temos como medir esse número pois a partir da reforma trabalhista as homologações deixaram de ser obrigatória no sindicato", afirmou Márcia.

Até o dia 4, o departamento jurídico do sindicato atendeu em torno de 50 pessoas questionando direitos por terem sido demitidos. "Com a ampliação do isolamento até 31 de maio, a tendência é que muitos empresários deverão recorrer às demissões, principalmente lojas de shoppings, o que é muito preocupante", afirmou a vereadora.

Demissões

Na opinião de Márcia, se não houver nenhum tipo de flexibilização de algumas atividades comerciais, "algumas áreas podem, sim, começar a ter várias demissões". "Esperamos que a situação dessa pandemia melhore, a fim de que a municipalidade e o governo estadual possa retomar uma flexibilização de abertura, ainda que setorial, haja vista que hoje a situação da saúde é bem preocupante", finalizou. (RL)