DENÚNCIA

Prefeito de Guapiaçu é acusado de pedir propina em negociação de área

Denúncia indica que prefeito de Guapiaçu pediu R$ 400 mil para destinar terreno a madeireira de Rio Preto


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O prefeito de Guapiaçu, Carlos Cesar Zaitune (MDB), foi acusado de pedir propina no valor de R$ 400 mil em negociação de área do município com uma madeireira instalada em Rio Preto. A denúncia foi feita durante a sessão da Câmara na terça-feira, 5, quando foi lida declaração pública do presidente da Associação Clube do Rodeio de Guapiaçu, Percival Lopes, que afirmou ser "laranja" do emedebista.

Cinco dos nove vereadores já assinaram requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Legislativo para investigar o caso. "O caso é grave e o presidente já deveria ter constituída a comissão no dia 5, mas encaminhou ao jurídico para análise. Há fatos especificados, mas ele sem explicação deixou de fazer isso", disse o vereador Cláudio Ventura de Lima (PHS).

O documento assinado por Lopes teve a assinatura reconhecida no dia 30 de abril deste ano, no Cartório de Registro Civil do município. O tabelião substituto Juliano Silveira disse que reconheceu a autenticidade da declaração. O promotor de Justiça Sérgio Clementino disse que o assunto deve ser investigado nas esferas cível — improbidade administrativa — e na criminal — corrupção.

De acordo com Lopes, no início de 2018, ele foi procurado por Zaitune para encontrar uma empresa interessada em ocupar a área, localizada na marginal da rodovia Assis Chateaubriand, com cerca de 25 mil metros quadrados para se instalar em Guapiaçu. O presidente da associação disse que procurou o representantes da madeireira Aripuanã e, posteriormente, participou de reuniões para tratar do assunto.

"O objetivo dessas reuniões eram as tratativas de negociação do terreno acima citado, onde o valor que o senhor Carlos Cesar pediu de propina foi R$ 700 mil, porém, acordaram o valor de R$ 400 mil", afirmou Lopes no documento. Munícipes também já haviam denunciado a possível irregularidade no legislativo.

De acordo com o presidente da associação, o representante da empresa pediu o parcelamento do valor. Ele cita que a negociação foi acompanhada por uma advogada do prefeito.

Segundo Lopes, em junho de 2018, metade do valor foi pago por meio de cheques de terceiros, no valor total de R$ 63 mil, e o restante em dinheiro, que teria sido entregue a Zaitune.

O presidente da associação afirmou na declaração que os cheques repassados pela madeireira foram depositados na conta da entidade. Ele disse que quem movimentava a conta da instituição era o prefeito, inclusive, ficava com talões de cheques da associação. Lopes disse que parte do pagamento foi usado para quitar dívida da campanha eleitoral do prefeito.

Outro lado

Zaitune rebateu na sexta-feira, 8, as acusações feitas por Lopes. Ele disse que ainda não teve acesso à declaração do presidente da Associação e acredita que a denúncia tenha motivação política, já que as tratativas da área ocorreram em 2018. Disse que Lopes terá de provar as acusações. Ele afirma que o depósito feito pela madeireira foi para patrocínio da festa de rodeio.

O emedebista disse ainda que vai se defender, mas que não teme a instalação de uma CPI na Câmara. Ele, inclusive, admitiu que o presidente do Legislativo, Júnior Pereira Cardoso (PSDB), é um dos possíveis nomes para ser vice no seu projeto de reeleição na disputa eleitoral de outubro. "Mas, não tem nada definido", disse Zaitune.

Cardoso foi procurado e atendeu o telefone, mas disse que não poderia falar porque estava no trânsito. Ele não respondeu às mensagens. Advogada do prefeito também não foi localizada para comentar o assunto.

Vereadores de Guapiaçu prometem protocolar documentação com a denúncia contra o prefeito de Guapiaçu, Carlos Cesar Zaitune, no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) nos próximos dias. Cláudio Ventura de Lima (PHS) afirma que a medida é para antecipar a apuração da denúncia, já que o presidente da Câmara, Junior Pereira Cardoso (PSDB), estaria adotando manobra para evitar a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

"Nós assinamos toda a documentação para enviar o caso para o Ministério Público e TCE já nos próximos dias. Esperamos que a CPI seja instalada na sessão do dia 19", afirmou o vereador do PHS.

O empresário Paulo Egidio, sócio-proprietário da madeireira Aripuanã, negou pagamento de propina ao prefeito, conforme declaração feita pelo presidente da Associação Clube de Rodeio de Guapiaçu, Percival Lopes. "O que fiz foi contribuir com patrocínio para a festa do peão", afirmou.

Egidio disse ainda que o terreno foi cedido para a empresa de maneira gratuita. Em contrapartida, além de levar suas instalações para o município, a madeireira passaria a recolher imposto na cidade e emplacar os veículos em Guapiaçu. "A previsão é de fazer uma construção com 9 mil metros quadrados", afirmou o empresário.

O sócio da madeireira também suspeita de motivação política para a denúncia. Ele cita que repassou à associação cerca de R$ 80 mil de patrocínio para a festa do peão da cidade em 2018. "Se fizeram os R$ 80 mil de propina não sei", disse o empresário. (RL)