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RADAR ECONÔMICO

Nova receita do chocolate

O avanço da cacauicultura no interior paulista mostra que uma nova onda agrícola pode estar em formação — e, mais uma vez, ela começa a ganhar força a partir de Rio Preto

por André Seixas
Publicação em 24/05/2026
André Seixas (Divulgação)
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André Seixas (Divulgação)
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A nova legislação que altera os percentuais mínimos de cacau e a rotulagem dos chocolates comercializados no Brasil gerou muita repercussão na mídia nos últimos dias. Existe uma grande expectativa de que esta legislação aumente a demanda nacional de cacau e, por consequência, resulte em aumento de preço. Se vai funcionar, descobriremos a partir do momento em que a lei entrar em vigor. Até agora, o grande beneficiário é o consumidor de chocolate, que terá uma rotulagem mais clara e transparente do produto que está comprando.

Esse cenário será o centro das discussões do Cacau Paulista, primeiro simpósio voltado ao desenvolvimento da cultura no estado, que será realizado no dia 25 de junho, em São José do Rio Preto. O evento organizado pela ACIRP e CATI/SAA reunirá produtores, pesquisadores, empresas e especialistas para discutir os desafios técnicos, as oportunidades de mercado e o avanço da cadeia produtiva no interior de São Paulo e em outras regiões emergentes do Brasil.

A safra mundial 2023/2024 registrou déficit estimado em aproximadamente 489 mil toneladas de cacau, enquanto a indústria amplia a exigência por qualidade, rastreabilidade e padronização. Com a nova legislação brasileira, a expectativa é de aumento da demanda por matéria-prima também no mercado interno.

Nos últimos anos, São Paulo mais do que dobrou sua área cultivada com cacau, passando de aproximadamente 320 hectares para cerca de 650 hectares distribuídos em dezenas de municípios. Esse avanço tem sido impulsionado por tecnologia, irrigação, sistemas integrados de produção e adaptação de materiais genéticos às condições locais. O noroeste paulista, especialmente a região de São José do Rio Preto, participa diretamente desse movimento, consolidando um ambiente técnico e produtivo voltado ao crescimento da cultura.

Dentro desse contexto, o debate técnico se torna fundamental. O simpósio foi estruturado para discutir desde sistemas produtivos, poda, irrigação, mecanização, até pós-colheita, mercado, investimentos e perspectivas para a cultura no Brasil.

São José do Rio Preto e o noroeste paulista já mostraram, no passado, capacidade de liderar movimentos importantes dentro do agro brasileiro, como aconteceu com a seringueira e a produção de borracha. Agora, a região volta a chamar atenção ao assumir protagonismo em uma nova cadeia produtiva, conectada à tecnologia, mercado e valor agregado.

Ainda é cedo para medir a dimensão desse movimento. Mas o avanço da cacauicultura no interior paulista mostra que uma nova onda agrícola pode estar em formação — e, mais uma vez, ela começa a ganhar força a partir de Rio Preto.

André Seixas
Vice-presidente da Acirp