Sustentabilidade: do diferencial à exigência
Recuperar o protagonismo do setor exige um salto qualitativo que só será possível por meio da eficiência sistêmica

Durante muitos anos, falar em sustentabilidade era abordar um diferencial competitivo. Hoje, essa realidade mudou. Para a indústria brasileira, a sustentabilidade passou a ser uma exigência de mercado e uma condição indispensável para conquistar eficiência, produtividade e competitividade.
O Brasil vive um momento decisivo. A participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) gira em torno de apenas 11% a 12%, percentual muito inferior ao observado em décadas anteriores. Recuperar o protagonismo do setor exige um salto qualitativo que só será possível por meio da eficiência sistêmica.
Isso significa olhar além do chão de fábrica. A produtividade depende de logística eficiente, infraestrutura adequada, energia competitiva, ambiente tributário simplificado e incorporação de novas tecnologias. Não basta produzir mais: é preciso produzir melhor, com menor desperdício e maior valor agregado.
Os números mostram a dimensão do desafio. Estudos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) indicam que a produtividade da mão de obra brasileira corresponde a apenas 25% da norte-americana. Ao mesmo tempo, dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que os custos logísticos consomem entre 13% e 15% do faturamento das empresas brasileiras, praticamente o dobro do registrado nos Estados Unidos.
Nesse cenário, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar uma estratégia econômica. O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com quase 90% da geração proveniente de fontes renováveis. Modernizar equipamentos, investir em eficiência energética e ampliar o acesso ao mercado livre de energia podem reduzir significativamente os custos industriais e fortalecer nossa posição internacional.
Outro caminho indispensável é a transformação digital. Estudos da McKinsey & Company — uma das maiores e mais prestigiadas empresas de consultoria de gestão estratégica do mundo — demonstram que tecnologias da Indústria 4.0 têm potencial para reduzir em até 40% os custos de manutenção, elevar a eficiência operacional em 25% e diminuir pela metade as paradas não programadas das máquinas.
Também precisamos avançar na simplificação burocrática. Segundo o Banco Mundial, empresas brasileiras dedicam cerca de 1.500 horas anuais apenas para cumprir obrigações tributárias. Tempo e recursos que poderiam estar direcionados à inovação, à geração de empregos e ao aumento da competitividade.
Para apoiar as empresas nessa transição indispensável, o CIESP Noroeste Paulista oferece suporte prático e estratégico por meio de estruturas como as diretorias de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Jurídica. Mantemos plantões técnicos de atendimento que dão suporte direto aos associados, auxiliando-os a desenvolver e implementar projetos que atendam às necessidades da produção moderna e aos critérios de ESG. Associar-se à nossa regional significa dispor de ferramentas essenciais para reduzir riscos, otimizar processos e transformar exigências de mercado em diferenciais de mercado.
No CIESP Noroeste Paulista, acreditamos que eficiência e sustentabilidade caminham lado a lado. Investir em inovação, descarbonização, infraestrutura e qualificação significa preparar a indústria para competir em um cenário cada vez mais exigente. Mais do que atender às demandas do presente, essa é a oportunidade de construir um futuro mais forte para o setor produtivo e para o desenvolvimento do Brasil.
Aldina Clarete D'Amico
Diretora titular do Ciesp Noroeste Paulista