Setembro Amarelo: falar salva ou aumenta o risco?
O suicídio é a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no país

A saúde mental das minorias é profundamente afetada por discriminação e vulnerabilidades sociais.
O setembro amarelo não deve ser visto como um tabu, mas como uma oportunidade de reflexão e de apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo o Conselho Federal de Medicina, a taxa de suicídio no Brasil cresceu 43% em uma década. Entre 2010 e 2019, os casos de suicídio passaram de 9.454 para 13.523, evidenciando o crescimento preocupante desse fenômeno.
Entre adolescentes, a taxa aumentou 81%, saltando de 3,5 para 6,4 óbitos por 100 mil jovens, em relação às crianças menores de 14 anos houve um crescimento de 113% entre 2010 e 2013. Atualmente, o suicídio é a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no país. Segundo a OMS, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente em todo o mundo.
Diante das altas taxas de suicídio, o Brasil instituiu a Lei nº 13.819/2019, conhecida como Lei Vovó Rose, em homenagem a Rosângela Reis, militante da prevenção ao suicídio adepta à causa após perder uma neta. A lei estabelece a notificação obrigatória acerca dos casos de automutilação e de tentativas de suicídio, cria um comitê gestor para coordenar estratégias de prevenção, prevê a capacitação de profissionais da saúde e da educação para a identificação de sinais de alerta e, ainda, fomenta a campanha Setembro Amarelo como forma de combater preconceitos e incentivar o cuidado com a saúde mental.
Segundo o Conselho Federal de Psicologia, a atuação do psicólogo deve ir além das intervenções individuais, acolhendo e ressignificando sofrimentos a partir de sua relação com fatores sociais, históricos e culturais, em diálogo com outros campos do saber.
Grupos de minorias sujeitos a discriminações, como refugiados, migrantes, indígenas e população LGBTQIA+, apresentam elevados índices de suicídio. Rejeição, preconceito e violência não apenas aumentam o risco de adoecimento mental, mas também intensificam o sofrimento psicológico e a vulnerabilidade desses indivíduos, ressaltando a urgência de políticas de específicas para essas populações.
Portanto, o mês de setembro deve ser utilizado para tratar o tema suicídio com responsabilidade. É essencial que a sociedade valorize o trabalho do psicólogo e supere preconceitos que ainda associam a busca por ajuda psicológica à ‘loucura’. É urgente promover acolhimento, cuidado e apoio adequados a quem enfrenta sofrimento emocional, reforçando a importância da atenção à saúde mental.
Juliane Green Rodrigues
Ms. em Sociologia e membra do coletivo Mulheres na Política.