Maledicência: vade retro!
Diferente da crítica construtiva ou da denúncia responsável, ela visa ferir, manchar reputações

“Antes de falar, deixe suas palavras passarem por três portões. No primeiro, pergunte: é verdade? No segundo: é necessário? No terceiro: é gentil?” Se não passar por todos, é melhor o silêncio" - Provérbio Oriental.
Vivemos tempos em que a palavra ganhou força desmedida, seja no sussurro das redes sociais, no grupo da família ou nas conversas de corredor. E entre tantos discursos, a maledicência se insinua com facilidade: um comentário aparentemente inofensivo, uma crítica velada, uma ironia aqui, uma exposição ali. Pouco a pouco, o hábito de falar mal do outro se torna corriqueiro, quase banal.
A maledicência é traiçoeira. Diferente da crítica construtiva ou da denúncia responsável, ela visa ferir, manchar reputações, sabotar laços. Não há busca por verdade ou justiça, mas um prazer sombrio em apontar falhas alheias, muitas vezes para esconder as próprias. Ela se alimenta da vaidade, da inveja e da insegurança. E quando encontra plateia, torna-se ainda mais corrosiva.
A raiz da maledicência é o julgamento apressado. Falamos do outro com base em suposições, fragmentos de informação ou apenas por conveniência. Esquecemo-nos de que, ao propagar maledicências, corrompemos a própria integridade. Afinal, quem fala de um hoje, falará de nós amanhã. E o que se espalha com leveza pode voltar com peso dobrado.
Imagine um caso fictício: uma pessoa, por maledicência, é injustamente afastada do trabalho após colegas espalharem boatos infundados sobre sua conduta. Mesmo sem provas, os comentários ganharam corpo e mancharam sua imagem. Meses depois, a verdade vem à tona. Mas o dano já estava feito.
Quantos casos reais temos ao nosso redor que lembram este fictício? Vítimas de línguas soltas e ouvidos descuidados, que são prejudicados indevidamente?
Maledicência não é apenas um ato isolado. É um hábito cultivado. E, como tal, pode ser combatido. Começa com a vigilância interior: pensar antes de falar, resistir à tentação do comentário fácil, recusar ser cúmplice do disse me disse.
Exige empatia e humildade: compreender que todos erram, inclusive nós, e que o silêncio, às vezes, é o maior sinal de respeito.
Dizer “vade retro” à maledicência é mais do que uma postura ética: é um compromisso com a saúde das relações, com a construção de ambientes mais humanos, com a paz possível no cotidiano. É recusar-se a ser agente de destruição e optar por ser ponte, não muro.
Muitos na sociedade estão sedentos de escuta, atenção verdadeira e compreensão. Sermos quem silencia a maldade e promove a verdade é, sem dúvida, um combatente eficaz da maldita maledicência.
Carlos Fett
Mentor e consultor pessoal, empresarial e em franchising ([email protected])