Lei Maria da Penha e a população LGBTQIA+
Cada agressão silenciada que desconsidera a diversidade reafirma a exclusão histórica

O livro “Lei Maria da Penha à mulher transgênero, ao homem transgênero e ao homem homossexual: uma reflexão à luz do Constitucionalismo Dialógico Contra-Hegemônico” surge como um grito necessário diante de uma realidade marcada pela violência, pela exclusão e pelo silenciamento.
A obra rompe com a leitura restrita da Lei Maria da Penha — historicamente voltada apenas às mulheres cisgênero — para mostrar que a proteção contra a violência doméstica e familiar deve alcançar todas as pessoas vítimas de opressão em razão de gênero ou sexualidade.
Negar essa proteção é perpetuar a lógica cisheteronormativa que naturaliza a vulnerabilidade de pessoas LGBTQIA+ e legitima violências muitas vezes invisibilizadas pelo próprio sistema de justiça. Ao analisar a jurisprudência brasileira, o autor evidencia uma luta jurídica e política urgente: garantir que pessoas transgênero e homens homossexuais também sejam reconhecidos como sujeitos plenos de direitos.
A discussão não se limita ao campo acadêmico. Trata-se de vidas reais atravessadas diariamente pelo machismo e pelo patriarcado. Cada agressão silenciada e cada decisão judicial que desconsidera a diversidade reafirmam a exclusão histórica promovida pelo Estado.
Nesse contexto, obras como esta tornam-se instrumentos de resistência, mostrando que a lei, quando interpretada à luz dos direitos humanos e de uma hermenêutica inclusiva, pode e deve ser usada como arma contra a violência estrutural.
A relevância do livro ultrapassa suas páginas: é um convite à reflexão, à mobilização e ao enfrentamento da injustiça. Para a população LGBTQIA+, representa reconhecimento, visibilidade e dignidade. Para a sociedade em geral, é um alerta de que não haverá justiça plena enquanto a proteção legal continuar sendo seletiva.
Mais do que uma análise jurídica, a obra é um apelo firme contra retrocessos e exclusões, reafirmando que nenhuma forma de violência pode ser tolerada ou silenciada.
Fábio Sposito
Advogado especialista em Direitos LGBTQIA+, Família e Sucessões, mestre em Direito Público e Evolução Social e vice-Coordenador da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Rio Preto.