Diário da Região

07/12/2014 - 01h45min

Museus rurais da região

Propriedades ajudam a manter viva a memória e vida da roça

Museus rurais da região

Sidnei Costa Quem chega ao Museu do Café é automaticamente transportado para o começo do século 20
Quem chega ao Museu do Café é automaticamente transportado para o começo do século 20

Movidas pelo desejo de manter viva a memória de seus antepassados, famílias de Tabapuã criaram e mantêm por conta própria pequenos museus privados que ajudam a entender a história da nossa região. A iniciativa mais emblemática fica dentro da antiga fazenda de café São Luis, hoje sítio São Luis, onde a professora aposentada Maria Tereza Mazucato, 74 anos, criou o Museu do Café. O local abriga um rico acervo sobre a cultura cafeeira no interior paulista, atividade que foi predominante por décadas naquela propriedade.


Quem chega ao local é transportado de volta ao início do século 20, ao ficar diante do prédio onde está instalada até hoje a máquina de beneficiamento de café, com a tulha ao lado e o terreirão à frente. O espaço reúne inúmeros objetos que eram utilizados na fazenda, principalmente máquinas manuais, como uma coletora de selecionar grãos de café da década de 1930.


Rastelo, peneira, pilão, torrador, moedor de café e carriola são alguns dos instrumentos que passaram pelas mãos dos trabalhadores e agora ficam em exposição para os visitantes. A saga da família de Maria Tereza começou com o imigrante italiano Luigi Facchin. Uma arvore genealógica da família fica à vista na recepção. Carlos Ângelo Mazucato, 71, irmão de Maria Tereza, dono do Sítio Beija-Flor, tem a mesma paixão pela memória da família, e em sua propriedade instalou um minimuseu que guarda outras peças, a exemplo de um filtro de água usado pelos bisavós que ele próprio reformou, balanças, máquinas de costura e latões usados para guardar leite.


"Cada objeto tem sua história", atesta Mazucato. No Beija-Flor, também há atrações como uma pequena réplica do Cristo Redentor, uma capela e vários tratadores de passarinhos, que atraem canários, tico-ticos e mais espécies. Os irmãos costumam receber grupos de visitantes, principalmente de estudantes, e as visitas precisam ser agendadas com antecedência.


Novo e antigo


Proprietário da Estância São Domingos, João Carlos Ornelas decidiu há cerca de dois anos levar o acervo que mantinha na propriedade para um barracão dentro de Tabapuã. No Museu da Roça (MUR) Professor Mário Tertuliano Jardim Ornellas, nome de seu pai, um dos pioneiros no plantio de laranja na região, Ornelas diz que une peças antigas com a modernidade da roça. "O museu não é um espaço para coisas velhas, ele é um espaço vivo, que precisa ser sempre repensado." O espaço fica aberto de segunda a sexta-feira, das 9 às 11, e das 13 às 16 horas.


A Estância Pau D'Alho é outra propriedade de Tabapuã que aposta no patrimônio cultural. Um pouco da história do local está no Museu Boca do Sertão, que fica no local. O espaço é mantido por Izabel de Toledo Zaccareli, 54, uma das proprietárias, e também recebe eventos que promovem a cultura regional, como a já tradicional Queima do Alho, no mês de julho, que neste ano contou com encontro de grupos de Folia de Reis e de violeiros. Hoje, por exemplo, haverá uma missa sertaneja, a partir das 11 horas. O local também possui como atrativo um pesqueiro.


Davidson Panis Kaseker, diretor do Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP), considera que museus rurais como esses são importantes pela representatividade que exercem em relação ao patrimônio cultural, especialmente no que se refere aos ciclos econômicos da região, à presença de imigrantes e suas contribuições ao país, bem como aos usos, costumes, saberes e fazeres das populações rurais. "São pequenos museus, em geral mantidos por cidadãos interessados na preservação da memória social. Exercem uma função social, portanto, da mais alta relevância.


A despeito de não contarem com grandes investimentos, são bem cuidados e, sobretudo, muito atraentes do ponto de vista do turismo cultural ou turismo rural", observa. Segundo ele, além do desafio de se estruturarem nas áreas de salvaguarda e comunicação de seus acervos, o que inclui boas estratégias de educação patrimonial, é fundamental para esses museus a atuação em rede. "Atuando conjuntamente, por meio da interação, troca de experiência e soma de esforços, esses museus poderão potencializar sua capacidade de articulação com outros parceiros importantes da cadeia produtiva do turismo regional, assegurando o desenvolvimento social." Mais informações sobre esses museus estão no link: www.atrnp.com.br.

   

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