Mesmo com vaga na semi, Mirassol tem prejuízo

PAULISTÃO

Mesmo com vaga na semi, Mirassol tem prejuízo

Mirassol ganha espaço na mídia depois de eliminar o São Paulo, garante premiação de R$ 850 mil por estar entre os quatro melhores do Paulistão, mas estima perda de R$ 2 milhões em bilheteria


Selfie da vitória tirada nos vestiários do Morumbi, na noite de quarta
Selfie da vitória tirada nos vestiários do Morumbi, na noite de quarta - Mirassol FC/Divulgação

Se o sono demorou para chegar na noite de quarta-feira, 29, a quinta foi dia de 'popstar' para os jogadores e comissão técnica do Mirassol. Eliminar o São Paulo nas quartas de final do Paulistão colocou o time em evidência na mídia nacional, como o protagonista da maior "zebra" no principal estadual do Brasil. O Leão ainda garantiu uma premiação mínima de R$ 850 mil por estar entre os quatro, mas ainda está no prejuízo por conta dos contratempos trazidos pela pandemia da Covid-19.

"É um elemento importante para história do clube a classificação entre os quatro melhores de um Paulistão, é a primeira vez e vai ficar marcado na nossa história", disse o presidente Edson Antônio Ermenegildo "O clube ganha em exposição na mídia e com certeza vários desses atletas poderão ser contratos por times que disputam a Série A e B do Campeonato Brasileiro. Os mais jovens estão respondendo bem ao chamado do Ricardo Catalá [treinador]. Somos clube formador e a gente sempre prospectou a ida de atletas para clubes maiores, com indenização ao clube e para darem continuidade nas carreiras deles", emendou.

Apesar de razoável o valor da premiação a que tem direito, mesmo que pare no rival da semifinal, o presidente reforça que o prejuízo é gigante. O clube está tendo de bancar hospedagem e alimentação de 40 atletas da delegação na grande São Paulo e na cidade de Itu, onde voltou a treinar nesta quinta, e ainda perdeu a metade que teria direito das bilheterias nas quartas de final e semifinal.

"Esse dinheiro é uma forma de compensar os gastos que estamos tendo com o clube neste longo tempo de inatividade e agora com 40 pessoas em hotel, ônibus contratado. Com portões fechados nas quartas, onde a renda seria dividida, já tivemos uma receita negativa em torno de R$ 1 milhão, o que se dará no próximo jogo também. A renda perdida é maior. Estamos estabilizados, não tem retorno financeiro ainda, a não ser se for o campeão, que ganhará R$ 5 milhões, mas isso seria um próximo estágio", disse Ermenegildo.

Heróis no duelo, Catalá, o atacante Zé Roberto, autor de dois gols, e o lateral/meia Daniel Borges, que fez o gol da vitória, participaram ao vivo do programa Donos da Bola, na Band, e concederam entrevistas a emissoras de rádio, sites e TVs da Capital.

Superar o Tricolor foi visto pela imprensa da Capital como grande fracasso do time de Fernando Diniz, pois o Mirassol perdeu 18 jogadores do elenco que iniciou o Paulista. A visão de que o clube teria feito um 'catado' para as duas rodadas finais, além da inscrição do atacante Zé Roberto só para esse jogo, foi muito explorada. "De fato remontamos nosso time e nossos últimos dois resultados, empate e derrota, colocava o São Paulo como favorito. Teoricamente estava mais enfraquecida a equipe por conta dos atletas jovens, a expectativa era de passaria com certa facilidade, mas futebol é 11 contra 11 e se resolve no campo. Fomos bem, suportamos a pressão e aproveitamos as oportunidades", disse o presidente do Leão.

Segundo o cartola, vários atletas já estão sendo sondados e o clube deve passar por uma nova reformulação para disputa da Série D do Campeonato Brasileiro, que começa em setembro. "Os mais experientes devem sair, o Kewin, por exemplo, tem proposta pra ir para Portugal e vamos ter de reformular novamente, mas sabemos que podemos contar com bastante confiança nos mais jovens", finalizou.

Nesta sexta, às 11 horas, o conselho técnico virtual das semifinais definirá os horários dos confrontos semifinais, no domingo.

Mirassol FC/Divulgação

Contratado no final de abril de 2019, após o Mirassol se safar do rebaixamento no Paulistão, a missão do treinador Ricardo Catalá, 37 anos, era fazer com que o time apresentasse um futebol ousado e competitivo, capaz de atrair o torcedor e trazer bons resultados à agremiação. Claro que não foi da noite para o dia, o time demorou para deslanchar na Copa Paulista e conseguiu com a chegada de reforços atingir a semifinal do torneio. Essa sistematização do trabalho trouxe o grande feito em 2020, com a semifinal do Paulistão, mas Catalá promete mais esforço para quem sabe surpreender nesta reta final, como fez o Ituano em 2002 e 2014, além de Inter de Limeira (1986) e Bragantino (1990).

"Claro que não é impossível, tudo é possível. Acho que impossível é uma palavra criada para que as pessoas se limitem a não sair da sua zona de conforto. Nós estamos trabalhando no limite do limite, muitas horas por dia, quase 20 horas. Tenho arrancado o couro da comissão, vejo se é isso, se não está bom pede para fazer de novo e faz dentro daquele modelo que a gente já conversou bastante, de delegar, conferir, fiscalizar e deixar as pessoas trabalharem, para que a gente possa entregar o maior número de informações aos jogadores, com mais qualidade para que a gente possa ser mais competitivo", disse Catalá. "Onde nós podemos chegar, ninguém sabe essa resposta, mas nós nos esforçaremos para ir o mais longe possível."

O elenco mirassolense já retomou seu trabalho nesta quinta, em Itu, enquanto aguarda a semifinal. "Quando eu fui contratado o Mirassol pediu que eu mudasse o jeito do clube de jogar. Venho de 13 anos trabalhando em clubes com uma administração de governança corporativa, com processos bem definidos. Era para que eu trouxesse essa bagagem para dentro do clube e instituir-se alguns processos nessa relação profissional e base. Óbvio que o elenco do Campeonato Paulista não foi montado para usufruir da base, mas de um ano para cá esse processo se fortalece e vem comprovando de que o Mirassol cada vez mais se consolida em nível regional como um clube formador", disse Catalá. (OJ)