Sem competições, Secretaria de Esportes gasta R$ 250 mil por mês

ESFORÇO COLETIVO

Sem competições, Secretaria de Esportes gasta R$ 250 mil por mês

Mesmo sem atividades esportivas na pandemia, Secretaria de Esportes consome R$ 1 milhão


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Desde abril deste ano, quando a Prefeitura de Rio Preto anunciou as medidas para conter o avanço do coronavírus, 243 professores e atletas ligados à Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Smel) se viram sem a bolsa Auxílio Atleta. Desde então, o grupo tenta retomar suas atividades por meio de aulas e treinos remotos, mas ainda não teve sinal verde da Procuradoria-geral do Município e Secretaria. Todos os profissionais continuam parados e sem rendimentos.

Enquanto isso, mesmo com as competições suspensas - Jogos Regionais, da Juventude e torneios federados - e os projetos paralisados, a pasta continua a funcionar com cerca de 50 servidores, incluindo a secretária Cléa Bernardelli. Segundo levantamento feito pelo Diário com base na folha salarial publicada pela Prefeitura, a pasta consumiu entre março e junho, R$ 1 milhão em salários.

Pelo Portal da Transparência, em janeiro e fevereiro deste ano, a bolsa consumiu R$ 310 mil dos R$ 2,8 milhões previstos. Até uma lei do vereador José Lagoeiro (Patriota) foi criada para que fosse retomado o pagamento, mas ela foi derrubada por uma liminar obtida pela Prefeitura.

A média dos vencimentos de quem trabalha na secretaria de Esportes é de R$ 5.049,70, números bem distantes dos valores pagos pelo Auxílio Atleta, que variavam entre R$ 800 e R$ 1,5 mil. Somente o salário de Cléa, servidora de carreira que acumula o cargo de secretária, passa dos R$ 34 mil, mas com os redutores aplicados, fica restrito a R$ 14,2 mil.

Professores e atletas chegaram a se reunir com a secretária para apresentar uma proposta de uso de plataformas online para ministrar e monitorar as atividades dos atletas, mas até agora não houve uma resposta da PGM.

Para piorar o clima, os atletas alegam que não são mais recebidos. "Está tudo parado porque não existe parecer (jurídico) de não querer pagar os professores e atletas. Daí ela (Cléa) alega que tem medo que o Tribunal de Contas venha pra cima", afirma Luís Rogério Lopes, o Lopinho, coordenador da Academia Futebol Futuro/Smel e líder do Movimento pelo Esporte Riopretense.

A reportagem do Diário entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura, mas não obteve retorno.

Busca por alternativas

Com as sucessivas negativas, uma parte dos professores e atletas se mobilizou para tentar ajudar aqueles que tinham no auxílio a maior parte da renda. Por isso, um leilão de diversos itens esportivos será feito para pagar cestas básicas aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. Entre os itens estão uma camisa do São Paulo assinada pelo meia Igor Gomes, uma camiseta autografada pelo lutador Wanderlei Silva, uma jaqueta da equipe paralímpica brasileira, uma camisa do Rio Preto Weilers com a medalha do Campeonato Paulista de 2019, bonés do Rio Preto e um uniforme do Flamengo.

No mês passado foram distribuídos 12 cestas e, neste mês, outras 15. No entanto, os pedidos aumentaram. "Tem muitas pessoas que estavam com vergonha de pedir, mas a situação apertou", conclui Lopinho.

Valores líquidos pagos a servidores de carreira e comissionados

Março

  • R$ 257.793,84

Abril

  • R$ 247.435,64

Maio

  • R$ 247.435,64

Junho

  • R$ 247.435,64

Total: R$ 1.000.100,76

Valores pagos com Auxílio Atleta

Janeiro

  • R$ 43.070,00 (atletas e técnicos)
  • R$ 52.026,00 (iniciação esportiva)
  • R$ 44.954,00 (esporte comunitário)

Fevereiro

  • R$ 74.152,00 (atletas e técnicos)
  • R$ 54.119,00 (iniciação esportiva)
  • R$ 42.029,00 (esporte comunitário)

Total: R$ 310.350,00