Federação adia conselho e MP pode ajudar

RETOMADA DO FUTEBOL

Federação adia conselho e MP pode ajudar

MP sancionada por Bolsonaro permite contratos de 30 dias para jogadores


Luis Oyama é um dos pratas da casa com contrato longo com o Leão
Luis Oyama é um dos pratas da casa com contrato longo com o Leão - Léo Roveroni/Agência Mirassol

Mirassol e Novorizontino, integrantes da Paulistão, além de Votuporanguense, Monte Azul (A-2) Rio Preto e Olímpia (A-3) poderão se beneficiar da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quinta-feira, 19, que liberou os contratos de atletas com duração mínima de 30 dias ao invés dos atuais 90 dias exigidos pela Lei Pelé. A medida é válida até dezembro para ajudar na conclusão dos regionais.

O governador João Dória (PSDB) liberou a volta aos treinos dos times paulistas a partir de 1º de julho, mas ainda não tem data prevista para retomada do Paulistão. O conselho técnico por videoconferência que estava marcado para esta quinta-feira, 18, foi suspenso pela FPF para análise do Protocolo de Segurança definido pelo Governo do Estado.

Mirassol e Novorizontino, além de terem de encerrar o regional, participarão da Série D do Campeonato Brasileiro, o que pode impedir de se beneficiar da MP. "Nós estamos de uma maneira totalmente excepcional. As partidas que faltam, são somente seis datas até a final, e esse período se encaixa perfeitamente", disse o presidente do Leão, Edson Antônio Ermenegildo.

O Mirassol perdeu 18 atletas por contratos vencidos, mas 11 estão apalavrados para voltar. Restaram 13 jogadores na lista de inscritos, sendo oito da lista A e outros cinco da B (formada por jogadores pratas da casa e com vínculos mais longos). Destes, apenas seis compunham a base titular do técnico Ricardo Catalá, entre eles o volante Luís Oyama. "Além da questão financeira, há o período [dos jogos] que não está pré-determinado. Impossibilita qualquer contratação."

Opinião semelhante à do presidente do Novorizontino, Genílson Rocha Santos. "Os menores terão dificuldade de realizar contratos mais longos e facilita para os atletas, já que todos vão ter que flexibilizar", explica.

O Tigre renovou contrato com cinco atletas estavam no Paulistão - o zagueiro Edson Silva, o lateral-esquerdo Paulinho e os volantes Adilson Goiano, Léo Baiano e Vinícius Kiss. São 15 que permanecem da lista A e mais 8 da B.

Os demais clubes da região avaliam a medida como positiva. Isso porque a maioria deles não tem calendário até o final do ano. "Nesse momento a gente não pensa em contratações, mas a MP vai beneficiar a gente quando tiver a certeza da volta (do futebol)", afirma o presidente do Atlético Monte Azul, Marcelo Cardoso. Rio Preto, Votuporanguense e Olímpia não atenderam a reportagem.

Os clubes de São Paulo e a Federação Paulista de Futebol ficaram insatisfeitos e surpresos com a decisão anunciada pelo governador João Doria de autorizar a volta dos times aos treinos apenas para 1º de julho. Dirigentes e comissões técnicas das equipes esperavam uma liberação imediata para a retomada das atividades depois de mais de três meses de paralisação causada pela pandemia do novo coronavírus.

A frustração ecoada entre clubes e a FPF é resultado da expectativa criada na noite de terça-feira, quando o vice-governador Rodrigo Garcia enviou ao presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP), Antonio Olim, uma mensagem com a informação de que Doria confirmaria a liberação em entrevista coletiva marcada para quarta. "Nós não entendemos o motivo de a data ser 1º de julho e não agora. Até as prefeituras haviam autorizado a volta aos treinos. A decisão do governo foi uma surpresa. A proposta dos clubes é para se fazer apenas treinos individuais. Os jogadores estão mais protegidos em um CT do que ir ao mercado", disse Ermenegildo. "Vejo que agora ficou mais difícil, porque os clubes se programaram, se organizaram em cima do protocolo médico da FPF e agora tudo se atrasou. Nós pensávamos que o retorno seria antes e nos preparamos para isso", comentou Rocha.

(Com Agência Estado)

 

Outra Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estabeleceu alterações nos direitos de transmissão de jogos de futebol. Segundo o texto, a partir de agora, a transmissão será liberada para o clube mandante. Anteriormente, um canal de televisão só poderia transmitir uma partida se tivesse acordo estabelecido com as duas equipes, conforme previso na Lei Pelé e no Estatuto do Torcedor.

O texto ainda estabelece que "serão distribuídos, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo 5% da receita proveniente da exploração de direitos desportivos audiovisuais, como pagamento de natureza civil, exceto se houver disposição em contrário constante de convenção coletiva de trabalho".

Além disso, a MP diz que, na hipótese de eventos desportivos sem definição do mando de jogo, a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, dependerá da anuência de ambas as entidades de prática desportiva participantes. (LI)