Mercado de aluguel de trajes de Rio Preto ainda tem prejuízos com a pandemia

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Mercado de aluguel de trajes de Rio Preto ainda tem prejuízos com a pandemia

Setor de locação de vestidos de noivas e roupas de festas amarga prejuízos com a pandemia do coronavírus, mas acredita na retomada em 2021, quando festas voltarem a ser realizadas


Rio Preto
Wilson Squiaveto, proprietário da Silvania Noivas: queda de 90% no faturamento
Wilson Squiaveto, proprietário da Silvania Noivas: queda de 90% no faturamento - Guilherme Baffi 15/9/2020

Com a retomada gradual do comércio em Rio Preto, alguns setores já começaram a sentir reflexos positivos da flexibilização da quarentena. Mas, alguns segmentos ainda sofrem o peso das regras do isolamento social, como é o caso das empresas que trabalham no ramo de aluguel de trajes para festas e eventos.

A queda na procura começou antes mesmo do início da pandemia, afirma Wilson Squiaveto, proprietário da Silvania Noivas. "O movimento começou a cair no início de março até que no fim do mês ele parou totalmente. Em abril, a única procura que tivemos foi de clientes que queriam remarcar a data do aluguel", conta.

Antes da pandemia, a média de locação de vestidos de noiva girava entre 60 a 70 unidades por mês. As roupas destinadas às madrinhas tinham uma procura mensal de 250 peças. Em abril, já com a vigência das regras de isolamento social - o que restringiu a realização de eventos com aglomeração de pessoas - a locação de trajes chegou próximo de zero. "Registramos uma queda de 90% no faturamento e por isso tivemos que reduzir 30% o quadro de funcionários".

Do mês de julho em diante, a empresa passou a registrar um retorno ainda tímido de clientes. Essa reação, segundo o lojista, foi provocada principalmente por casais que decidiram não adiar o casamento e adaptaram as grandes cerimônias em eventos mais íntimos e restritos. "Ainda assim é um número bastante pequeno. Cerca de 20% do que viria normalmente", pontua Squiaveto.

Esse pequeno retorno também não é suficiente para equilibrar as contas, explica Marechal Carvalho, proprietário da Vinicius a Rigor, loja de locação de trajes masculinos. No mercado há 33 anos, ele conta que conseguiu manter a empresa funcionando nos primeiros meses da pandemia graças à receita que o estabelecimento conquistou em dezembro de 2019 e em janeiro deste ano, meses de bastante movimento.

"Esse dinheiro já acabou e precisei recorrer a um empréstimo bancário para manter as portas abertas. Se eu fosse depender do movimento durante a pandemia, já teria fechado a loja em abril". Mesmo com mudança para a fase amarela, o estabelecimento optou por continuar funcionando durante quatro dias na semana (de quarta-feira a sábado) e com horário reduzido.

Apesar de as grandes festas terem sido suspensas, nos cartórios, os casamentos continuam. É justamente nesse público que decidiu manter a data da união que a empresária Suelen Conradi Gumiero, sócia-proprietária da Petit Noivas, está focando as ações nas redes sociais. "Apesar de não terem mais aquelas grandes festas, as noivas que ainda não mudaram o casamento querem registrar o momento com o vestido. Tivemos procura por aluguel de noivas que optaram por fazer apenas o ensaio fotográfico".

A empresária também passou a oferecer desconto de até 40% e melhores condições de pagamento para atrair os clientes. Ainda assim, o resultado continua bastante tímido. Foram três peças nos últimos 30 dias, número que representa apenas 10% da média mensal para o período. Apesar de pequeno, isso ajudou a dar um fôlego maior para a empresa.

Represamento

Ainda amargando as perdas provocadas pela quarentena, os lojistas vivem uma expectativa de recuperar parte do prejuízo acumulado neste ano em 2021. É consenso entre os empresários de que as celebrações voltem a ser realizadas assim que as regras de isolamento social forem flexibilizadas, o que pode gerar um 'boom' no setor. 

"Para o ano que vem, estamos prevendo pelo menos um faturamento que possa compensar 2020, que está sendo um ano perdido para nós. Sentimos que a coisa está se represando e deve estourar quando a realização dos eventos for liberada", acredita Carvalho.

O lojista diz ainda não ter um termômetro para medir como será a procura no próximo ano, por trabalhar exclusivamente com o público masculino. Ele diz que os clientes costumam reservar os trajes poucos meses antes da data do evento. No caso de formandos e padrinhos de casamento, por exemplo, as locações costumam ser feitas na mesma semana da festa. Ainda assim, ele está otimista. "Temos uma grande estrutura e acreditamos que conseguiremos dar conta da demanda".

Com as lojas que trabalham com público feminino é um pouco diferente, já que a procura por um vestido costuma ocorrer com um ano de antecedência. "Estou atendendo clientes que já estão procurando por um vestido, mesmo sem ter o dia definido. Algumas estão reclamando da falta de datas disponíveis para o ano que vem", afirma Squiaveto.

Ele reforça que a locação de trajes está relacionada à disponibilidade de locais para a realização das festas. "Chego a atender até 17 noivas por fim de semana, mas conseguiria atender mais. Só que não adianta ter a peça se o cliente não tem lugar para usar".

Sem abrir mão de comemorar junto com a família e amigos, quem tinha algum vento marcado para 2020 e foi afetado pela pandemia do coronavírus decidiu remarcar a festa para o ano que vem, com a esperança de um retorno à antiga normalidade. São festas de casamento, aniversários de debutantes e até eventos corporativos. Por conta disso, a agenda dos bufês para o ano que vem está quase toda cheia. 

No bufê Espaço Vitória, praticamente todos os sábados de 2021 já estão reservados, afirma a responsável pelo atendimento Taynara Cândido. As únicas exceções que ainda estão disponíveis são dois finais de semana de dezembro de 2021. Por conta da falta de opções, os funcionários estão sugerindo datas menos convencionais, como domingos e dias no meio da semana. "Criamos pacotes de festas com um número menor de convidados e com um valor mais em conta para servir de opção para as pessoas que não conseguem encontrar uma data", explica.

No bufê Almeida Pires não foram só os adiamentos que tomaram conta da agenda de 2021. Desde o mês de maio, o espaço começou a ser procurado por gente interessada em realizar seu evento no ano que vem. A consequência: as principais datas já estão reservadas. "Aqui, o sábado é como se fosse ouro. Ainda temos dias disponíveis como sexta-feira e domingo, mas os sábados já estão todos agendados", afirma o empresário Eduardo Silveira Almeida Pires. Para os que não abrem mão do sábado, o espaço já abriu a agenda de 2022.

Agenda disponível

Mas ainda é possível encontrar datas disponíveis para o ano que vem, em Rio Preto. No bufê Manoel Carlos, metade da agenda de 2021 ainda está disponível. Wellington Paracatu de Brito, que é diretor do espaço, diz que no mês de setembro a agenda para o ano seguinte deveria estar 70% fechada. "Conseguimos reagendar algumas festas, mas tivemos cancelamento das empresas que organizam festas de formatura o que abriu espaço na agenda", relata. (FN)