Com academias fechadas, cresce a venda de equipamentos de ginástica em Rio Preto

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Com academias fechadas, cresce a venda de equipamentos de ginástica em Rio Preto

Consumidores também têm procurado itens menores, como barras e anilhas


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Renato Otsu, representante comercial, conta que vendas aumentaram muito, assim como chamados para dar manutenção em equipamentos de ginástica
Renato Otsu, representante comercial, conta que vendas aumentaram muito, assim como chamados para dar manutenção em equipamentos de ginástica - Guilherme Baffi 24/7/2020

Com as academias de Rio Preto fechadas há quatro meses - sejam elas particulares, de clubes ou mesmo de condomínios - a saída encontrada foi transformar o próprio ambiente residencial em uma espécie de academia. Razão essa que ajudou a incrementar as vendas de equipamentos como esteiras elétricas, bicicletas ergométricas e estações que possibilitam diferentes práticas de musculação. Indústrias e representantes comerciais de Rio Preto viram as vendas dobrar neste período.

A procura é tanta que tem até fila de espera para receber os equipamentos. É o que afirma Weverton Rodrigo Beltrane, diretor da Mundial Fitness, de Rio Preto. São cerca de 50 pessoas aguardando a entrega de bicicletas, esteiras e outros equipamentos e a previsão de entrega não é menor do que 40 dias. "A matéria-prima, o aço, está em falta, então isso está atrasando a produção".

Ele conta ainda que quem tem procurado bicicletas e esteiras residenciais no País não tem encontrando, nem na internet, já que os produtos desapareceram do mercado tamanha a procura. Disponíveis agora na sua empresa, apenas modelos profissionais, cujo custo é maior, da ordem de R$ 7,5 mil. "Como alternativa tenho vendido muito o equipamento cross Smith, que permite mais de 40 exercícios e custa a partir de R$ 6 mil. As vendas subiram em torno de 300%".

Segundo Weverton, a demanda está tão aquecida que a produção tem levado de 15 a 20 dias para finalizar os equipamentos. E, para não deixar os consumidores na mão, ele decidiu suspender as vendas de acessórios menores como anilhas, halteres e até colchonetes. "Estava tendo procura de 200 pessoa por dia, muita gente ligando, e como não estávamos conseguindo atender, suspendi as vendas desses itens por 60 dias."

O representante comercial e técnico em equipamentos fitness Renato Otsu afirma que houve um aumento de 100% na procura por equipamentos para treinos físicos em casa. Ele destaca, entre outros, esteiras, bicicletas do tipo spinning, vertical e horizontal, além de acessórios, como halteres, colchonetes, elásticos, barras, anilhas, fita de suspensão, step, jump e cordas. "Além dos consumidores, que deixaram de ir nas academias, estamos com procura pelos profissionais de educação física", explicou.

Segundo Renato, os preços variam entre as três categorias existentes: residencial, semi-profissional e profissional. Na média, a procura é por esteiras de até R$ 2 mil (do tipo residencial usada) e bicicletas na faixa de R$ 4,5 mil (nova) e R$ 2 mil (usada). "Também registrei um aumento de 150% em chamadas para manutenção em esteiras e bikes em residências, na grande maioria por estarem muito tempo paradas, algumas até emprestadas ou doadas", disse.

Com 36 anos de mercado em Rio Preto e 60 funcionários atualmente, a Vitally fabrica aparelhos para academias de ginástica, tabelas de basquete, aparelhos para condomínios, cross fit e a linha residencial. Nesta última, a empresa registrou alta de 80% nas vendas durante a pandemia, com destaque para estações de ginástica compactas. "São aparelhos para quem prefere se exercitar no conforto de casa, reunindo diversos exercícios físicos em um só aparelho", explica João Lopes de Almeida Júnior, diretor de marketing da empresa. Os preços são a partir de R$ 549.

Segundo o gerente comercial da indústria Lion Fitness, André Rocha, houve um aumento expressivo nas vendas de bicicletas ergométricas, esteiras elétricas, estações e acessórios durante a pandemia de coronavírus. "As pessoas estão mais preocupadas com a saúde e sabem que quem tem treina tem imunidade maior", afirmou. A Lion Fitness tem 25 anos e duas fábricas, uma em Valentim Gentil (São Paulo) e outra em Paranaíba (Mato Grosso do Sul).

Ele explicou que a empresa é focada na produção da linha profissional, voltada a academias, hotéis, clubes e condomínios, mas que também atua com a linha residencial, que registrou incremento nas vendas, incluindo os acessórios para treinos. "As pessoas querem comprar peso, colchonetes para treinar em casa. Porém, houve aumento na demanda pelo profissional de educação física porque também há um risco maior de lesão", alerta.

 

Divulgação

A publicitária Carla Prado treina há três anos e, como já conquistou objetivos importantes em sua qualidade de vida decidiu investir na compra de alguns equipamentos para manter a saúde em dia. Ela comprou halteres, barra, anilha, caneleiras e bola de pilates e investiu cerca de R$ 550 nos equipamentos de ginástica.

Como sempre fez atividade com acompanhamento de personal trainner, Carla diz que tem noção dos exercícios, por isso não corre risco de se machucar. "Treino não só para ter um físico melhor, mas pela qualidade de vida que me proporciona: durmo melhor, trabalho melhor e me alimento melhor. Já tive síndrome do pânico e praticar exercícios me ajudou bastante". (LM)