Pandemia impulsiona criação de lojas virtuais em Rio Preto

E-commerce

Pandemia impulsiona criação de lojas virtuais em Rio Preto

Pandemia acelerou processo de digitalização; houve quem abrisse e-commerce como negócio e quem o fez como extensão do negócio físico neste momento em que o virtual ganhou ainda mais força


Kelly Bonfanti realizou o sonho de empreender e transformou a Pratella em negócio
Kelly Bonfanti realizou o sonho de empreender e transformou a Pratella em negócio - Guilherme Baffi 24/7/2020

O setor do varejo sofreu impactos significativos com o isolamento social causado pela pandemia do coronavírus, o que obrigou muitas empresas a acelerarem seus processos de transformação digital, já que as vendas pela internet e o delivery passaram a ser as poucas formas garantidas de venda.

Em Rio Preto, empresas especializadas na implantação de e-commerce e marketing de performance chegaram a registrar uma alta de 400% na procura de clientes que consideravam o mercado eletrônico apenas como um plano futuro, mas que precisaram correr para se adaptar à nova realidade.

O perfil de quem adota a loja virtual para venda de produtos físicos é bastante variado. Desde pessoas físicas que ficaram sem emprego devido ao fechamento de muitas empresas e buscam empreender com sua própria loja virtual, até empresas maiores e tradicionais que tiveram que diversificar os canais de venda para continuar gerando receita.

Há cerca de um ano, a proprietária de uma loja de calçados e vestuário infanto-juvenil estudava a possibilidade de se lançar no mercado eletrônico, mas ainda era um plano em andamento que não tinha data para ser concluído. "Já tínhamos esse projeto em desenvolvimento, mas a pandemia obrigou a gente a acelerar esse processo", afirma Luciana Bortoluzi, proprietária da loja Brechó Bambolê.

Há 14 anos no mercado, a empresária disse ter entendido agora a necessidade de ter um canal online de atendimento ao cliente que fosse capaz de atingir à nova geração de clientes, que é mais adepta a esse tipo de compra. "Foi um desafio muito grande, no momento está sendo um aprendizado. Mas tenho certeza de que no decorrer do tempo iremos nos adaptar".

A loja eletrônica está no ar há apenas uma semana, por isso ainda não é possível estipular uma estimativa de quanto ela poderá influenciar no faturamento mensal da empresa. Mesmo precoce, eles já puderam sentiram um retorno positivo. "Tenho uma cliente que sempre se frustrava quando via uma peça na rede social da loja, mas ela já tinha se esgotado. Isso não acontece no site, porque ela consegue saber se temos ou não a peça no estoque. É uma nova experiência", destaca Luciana.

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM), O Brasil abriu mais de uma loja virtual por minuto desde o início do isolamento social. Nos meses de abril e maio, foram mais de 107 mil novos estabelecimentos criados na internet para venda de produtos. Antes da quarentena, a média de pedidos para novas lojas virtuais era de 10 mil por mês.

Ter uma loja virtual está muito mais fácil atualmente, afirma Renato Cruz, diretor de marketing da Cammino Digital, empresa especializada em implantação de e-commerce e marketing de performance. Ele reforça que a tecnologia e o investimento não são mais uma barreira, como há alguns anos. "Existem diversas opções de fornecedores, cada um com o seu diferencial, que podem atender à necessidade das empresas".

Apesar da facilidade, é necessário ter um plano de negócio pensado especificamente para o segmento digital, onde é preciso considerar concorrentes a nível nacional, pensar em estratégias de divulgação em variados canais e estabelecer uma marca forte e presente para o seu nicho.

"Uma loja virtual, embora virtual, ainda continua sendo uma loja, um ponto de venda. É muito comum as empresas subestimarem o poder deste canal e não dar a devida atenção e tratar apenas como mais um site, um local para 'depositar' seus produtos", avalia Cruz. 

O mercado virtual também foi a saída para quem ficou parado durante a pandemia, como o que ocorreu com a vendedora Kelly Bonfanti, dona da marca Pratella (@pratellapratas). Apaixonada por joias, desde o ano passado ela juntou a facilidade que tem nas vendas com o olhar apurado sobre as tendências. O começo foi bastante despretensioso, e as vendas eram limitadas a amigas e pessoas do círculo social. "Criei um Instagram para ajudar na divulgação. Não era meu principal trabalho, então, quando dava eu fazia uma postagem. Não via a internet como um local que me ajudasse a vender", lembra.

Mas a necessidade foi a motivação que faltava para que ela colocasse em prática o desejo que cultivava há algum tempo: poder trabalhar para si mesma. Com o início do isolamento social, ela ficou um período sem trabalhar na antiga empresa, já que a rotina consistia na visita aos clientes. O tempo ocioso foi fundamental para que ela pudesse se dedicar às vendas das joias. "Comecei a caprichar no Instagram cada vez mais e postar bastante coisa. Mas nos primeiros 20 dias ninguém comprou nada. Foi quando comecei a pesquisar e notei que tinha a necessidade de um site para passar credibilidade", conta.

E Kelly estava certa. Segundo Cruz, uma loja virtual própria transmite segurança e mais credibilidade ao negócio, resultando em vendas. Ele destaca que os sites "buscam atender à demanda dos clientes, que avaliam a sua presença digital para decidir se é uma empresa a quem se pode confiar", diz.

Com a ajuda do marido, ela colocou o site no ar. A plataforma está ativa há três meses e atualmente representa 30% da renda mensal. "É um grande desafio e exige bastante dedicação, já que a gente trabalha a noite e de fim de semana. Mas eu estou bastante contente e estou conseguindo ter um retorno muito bom", destaca.

Conheça o mercado digital - vender em loja física é muito diferente que vender em loja online. Um fator que merece destaque e atenção é o preço do seu produto. Para saber como estipular o preço de venda adequado, confira o curso online gratuito do Sebrae sobre o assunto;

Organize o site - você não precisa contratar uma superequipe especialista em tecnologia para colocar o seu site no ar. Existem plataformas prontas que podem ser o pontapé inicial para o seu mundo online: Shopify, Wix, Magento, Woocommerce, entre outros. Nelas, você pode montar o seu site de forma bem intuitiva e com a cara da proposta da sua marca;

Conheça seu cliente - uma grande vantagem de vender na internet é conhecer seu consumidor de forma mais prática e fácil. Você pode conversar com ele por mensagem direta ou rede social. Outra forma de entender melhor o seu cliente é olhar sites e redes sociais do seu concorrente. Evite repetir o que faz o seu concorrente. Busque apenas referências e seja criativo e inovador ao aplicar o aprendizado no seu negócio

Desenvolva estratégias de marketing - Os investimentos em estratégias de marketing podem ser determinantes para o sucesso do seu e-commerce. É preciso saber vender o produto ou serviço e ser persuasivo o suficiente para convencer o cliente de que o seu negócio é de qualidade

Entenda sobre logística e estoque - a logística do e-commerce tem características diferentes. Já que o cliente não vai até sua loja pegar o produto, ele espera recebê-lo no endereço solicitado. Por isso é importante ficar atento a como melhorar seus processos de logística

Fonte: Sebrae

 

Ter uma loja virtual exige bastante esforço e dedicação. Ainda com boa vontade, algumas orientações são essenciais para manter o negócio funcionando.

O diretor-executivo do BNI Noroeste Paulista, André Mantovani, reforça que estar presente na internet é reforçar a sua marca pessoal e a da sua empresa, com o objetivo de transmitir confiança aos clientes e, assim, gerar mais negócios.

Entre as orientações para o especialista destaca que quem planeja migrar do físico para o digital precisa de planejamento. "O planejamento fará com que o empreendedor otimize seus esforços". Segundo Mantovani, na internet tem muita demanda, mas ele levanta o questionamento: quanto dessa demanda é de fato produção para o seu negócio?

"Realizar pouco significa desperdiçar recursos financeiros que poderiam ser melhor empregados naquilo que você é realmente bom. Conhecer o seu cliente, suas dores e apresentar soluções realmente diferenciadas, é um bom começo", destaca.

Também é preciso monitorar as ações, obter e entender relatórios de desempenho, irá ajudar você a otimizar seus recursos, aprimorar seus processos e potencializar os pontos fortes de cada empresa.

Outra dica é fazer networking. "Ter uma boa rede de relacionamentos vai conectar o cliente que está em busca do seu produto com o seu negócio, exatamente como se ele ligasse um GPS direto para o seu endereço web", reforça. (FN)