Pandemia prejudica comércio exterior de Rio Preto

QUEDA

Pandemia prejudica comércio exterior de Rio Preto

Exportações atingiram US$ 9,5 milhões no primeiro semestre, queda de 15,9%; importações totalizaram US$ 45,7 milhões, redução de 17,2% no período


Empresa Mar e Rio Pescados está importando 300 mil toneladas a menos do que importava antes da pandemia
Empresa Mar e Rio Pescados está importando 300 mil toneladas a menos do que importava antes da pandemia - Divulgação

O comércio externo de Rio Preto sofreu um desaquecimento no primeiro semestre de 2020 provocado pela pandemia do coronavírus. Dados do Ministério da Economia mostram uma queda de 15,9% nas vendas para países estrangeiros em comparação aos seis primeiros meses de 2019.

Entre janeiro e junho deste ano, as vendas para o exterior totalizaram US$ 9,5 milhões; no ano passado foram US$ 11,3 milhões. Com esse desempenho, Rio Preto ocupa a 197ª colocação no ranking estadual e a 740ª no País, com uma contribuição discreta, de 0,009% no Brasil e de 0,04% no Estado.

No período, o destaque ficou por conta das miudezas comestíveis de animais, com 19% do total, seguido por artigos e aparelhos ortopédicos (16%), plantas vivas (9,9%) e preparações capilares (7,3%). A lista de países que mais compram das empresas de Rio Preto são Hong Kong e Estados Unidos (ambos com 19%), Paraguai (11%) e Colômbia (7,9%).

Apesar da queda nas exportações, especialistas em mercado externo enxergam o cenário com otimismo. Isso porque o número de empresas que passaram a oferecer seus produtos para outras países subiu para 49 em 2020 (alta de 8%). Eles foram motivados pela alta do dólar e pela intensa disputa comercial travada entre Estados Unidos e China.

Em uma das empresas que atua com despacho aduaneiro em Rio Preto, a quantidade de operações chegou a dobrar nos últimos três meses. "Nós tínhamos um número de embarques de produtos na ordem de 200 por mês, agora conseguimos embarcar 320. Nosso produto é muito barato e está bastante competitivo lá fora", afirma o despachante aduaneiro Paulo Narcizo Rodrigues, da Caribbean Express.

Para Márcio Marcassa Júnior, despachante aduaneiro da Rioport, a demanda expressiva de empresas querendo colocar seus produtos lá fora tem relação com a queda na demanda do mercado interno. "Acreditamos que, com essa notícia de uma possível vacina [para o coronavírus] a gente possa retomar a economia de uma maneira mais rápida do que a gente esperava".

Ainda de acordo com Rodrigues, a expectativa é de que no mês de agosto o cenário das exportações mude de maneira exponencial, já que uma combinação de fatores influenciou para represar as exportações. "A pandemia causou a diminuição de rotas de navios, que impossibilitou que as embarcações atracassem nos portos, com isso muitos navios foram embora. As aeronaves permaneceram no solo e algumas empresas entraram com pedido de recuperação judicial. Isso acabou postergando o embarque das mercadorias".

Para quem está de olho no mercado externo, a orientação é buscar informações com empresas que já exportam e com associações que viabilizem a entrada dos produtos no exterior. Outro ponto importante é não abrir as vendas para o mercado externo apenas para aproveitar a alta do dólar, exportando a sobra de produção e, em seguida, cortar as operações quando o mercado interno voltar a aquecer. "Isso, para a imagem do Brasil e para a própria empresa acaba sendo um negócio ruim", afirma Júnior.

Importações

Prejudicada duas vezes, pela alta do dólar e pela pandemia, as importações registraram uma queda de 17,2% no período, totalizando US$ 45,7 milhões entre janeiro e junho deste ano. Com isso, Rio Preto ocupa a 68ª colocação no ranking estadual e a 202ª no ranking nacional, o que representa uma participação de 0,2% no Estado. Ao todo, Rio Preto tinha 96 empresas importadoras no período.

"As empresas estão importando estritamente o necessário para manter o negócio funcionando", afirma Rodrigues.

A predominância das importações ainda é de peixes frescos ou refrigerados, que representam 41% do total. Em seguida, aparecem materiais elétricos (díodos, transistores, dispositivos), num total de 17%. Outros materiais do tipo aparecem na terceira colocação, com 3,6%. O país que mais vende para o Brasil é o Chile (42%), seguido da China (36%) e dos Estados Unidos (8,4%).

"As importações de salmão e matéria-prima para vários produtos tiveram queda, mas as empresas não deixaram de importar. Tivemos outras quedas em alguns produtos supérfluos ou algumas produções das quais não está havendo mercado e as vendas não estão sendo tão boas", pontua Júnior.

De acordo com o proprietário da empresa Mar e Rio Pescados, Júlio Cesar Antônio, a queda nas importações de salmão fresco e de pescados congelados foi provocada pelo fechamento de restaurantes e estabelecimentos do setor alimentício. A queda geral no faturamento da empresa é de 25%. "Estamos vivendo semana a semana. Prevemos uma retomada no mês de agosto, mais ainda é algo incerto", destaca.

Atualmente, a empresa importa 1,7 mil toneladas de produtos do Chile, 300 toneladas a menos do que era importado antes da pandemia. "Somente o salmão representa 30% do que trazemos do Chile. Como ele é um produto fresco, não podemos trabalhar com muito estoque". 

No período, o saldo da balança comercial é negativo. O volume fechou em déficit de US$ 36,2 milhões (as exportações totalizam US$ 9,5 milhões e as importações, US$ 45,7 milhões).

Exportações

  • US$ 9,5 milhões
  • Queda de 15,9%
  • 197ª no ranking estadual
  • 0,04% de participação no Estado
  • 740ª no País
  • 0,009% de participação no Brasil

Produtos

  • Miudezas comestíveis de animais (19%)
  • Artigos e aparelhos ortopédicos (16%)
  • Plantas vivas (9,9%)
  • Preparações capilares (7,3%)

Países

  • Hong Kong e Estados Unidos (19%)
  • Paraguai (11%)
  • Colômbia (7,9%)

Importações

  • US$ 45,7 milhões
  • Queda de 17,2%
  • 68ª no ranking estadual
  • 0,2% de participação no Estado
  • 202ª no ranking nacional
  • 0,06% de participação no Brasil

Produtos

  • Peixes frescos ou refrigerados (41%)
  • Materiais elétricos - díodos, transistores, dispositivos - (17%)
  • Outros materiais do tipo (3,6%)

Países

  • Chile (42%)
  • China (36%)
  • Estados Unidos (8,4%)