Distantes da crise, empresas de tecnologia lançam novos produtos em Rio Preto

INOVAÇÃO

Distantes da crise, empresas de tecnologia lançam novos produtos em Rio Preto

Pesquisa mostra que boa parte das empresas do setor de tecnologia da informação na cidade não demitiu funcionários


Rogerio Martins, que lançou um produto  em sua empresa de T.I
Rogerio Martins, que lançou um produto em sua empresa de T.I - Guilherme Baffi 26/6/2020

Enquanto boa parte das empresas sofre com os impactos da pandemia de coronavírus e ainda que tenha havido reflexo no faturamento, empresas do setor de tecnologia da informação de Rio Preto aproveitaram esse período para lançar novos produtos no mercado. É o que aponta pesquisa realizada pela Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação (Apeti).

Das 27 empresas que participaram do levantamento, 37% lançaram novos produtos e 40,7% afirmaram ter esse plano no curto prazo. Os produtos colocados no mercado nesse período são, na maioria, aplicações que atendem aos desafios do novo momento, como a necessidade de trabalho remoto e de mobilidade na entrega de produtos e serviços, assim como, na área de saúde, o atendimento via telemedicina.

Segundo Marcelo Lorencin, presidente da Apeti, a associação reúne 30 empresas, mas em Rio Preto e região há cerca de 600 empresas do ramo. Entre as respondentes à pesquisa, 59,3% têm entre 20 e 99 colaboradores e, no grupo, 44,4% tiveram queda de até 20% no faturamento. "Nessa nova situação é preciso pensar no caixa, fazer retração no investimento, mas também é hora de repensar o negócio", afirmou Lorencin.

Razão essa que tem feito empresários apostarem em produtos e serviços que possam melhorar seu caixa, mas que também facilitem de alguma forma a vida de seus clientes, sejam eles do ramo de saúde, hotelaria, alimentação ou tantos outros. "Da mesma forma que as empresas de TI estão sendo desafiadas, os clientes também estão enfrentando desafios, daí surgiram oportunidades que antes não eram vistas e que têm apresentando bons resultados."

Para Lorencin, a pandemia mostrou que as soluções empresariais precisam ser tomadas em nível global, ou seja, que possam ser benéficas para a empresa, para seus clientes e para seus fornecedores. "Eu preciso ajudar meu fornecedor e manter meu cliente vivo. A crise trouxe a mudança de pensamento e propôs uma reflexão ao empresariado, de que ele está muito mais conectado do que imaginava", disse.

Nesse sentido, empresas que conseguirem aproveitar o momento para oferecer produtos ou serviços que, de fato, colaborem com sua cadeia, serão as que terão mais valor quando a pandemia passar. "Na crise, alguns empresários congelam, outros são empreendedores natos e se arriscam."

O empresário Gustavo Arroyo, presidente da Verhaw, empresa de TI que oferece portfólio com soluções de serviços, infraestrutura, relatórios e análise de dados, segurança, entre outras, testa um produto que está prestes a ser lançado no mercado. Trata-se de um software em várias camadas que vai aumentar o nível de segurança das empresas. "Neste momento em que boa parte das empresas está em sistema home office, observamos que o empresário tem duas dores: a segurança de suas informações e a produtividade dos colaboradores."

Por conta disso, a empresa está desenvolvendo essa ferramenta cujo objetivo é garantir que informações sigilosas, como um projeto, a carteira de clientes ou os preços possam ficar protegidos e não sejam divulgados ao mercado. "Por exemplo, dependendo do nível de segurança, é possível fazer com que a tela fique em branco caso o colaborador tire uma foto da tela", explica.

No quesito produtividade, é possível saber quanto tempo o funcionário ficou logado, se de fato atuou em seu projeto, se fez compras ou se transferiu dados da empresa. "A decisão pelo investimento nesse projeto ocorreu por conta de que o home office tende a crescer muito."

Segundo Rogério Martins, diretor da Netspeed Tecnologia em Sistemas, houve uma coincidência muito positiva no seu caso. Com 20 anos de história, a empresa atua com o desenvolvimento de software para a área contábil. "Estamos trabalhando nessa ferramenta desde outubro do ano passado e iríamos lançar no primeiro semestre. Calhou de estarmos trabalhando 100% em home office", disse.

A empresa lançou o Netcloud, um sistema em nuvem que permite aos escritórios e empresas de contabilidade o acesso a serviços e ferramentas remotamente, sem a necessidade de parar as suas operações ou de estar dentro da empresa. "A facilidade é que o cliente pode acessar sistemas de folha de pagamento, livro fiscal, por exemplo, de longe da empresa", disse.

Rogério conta que precisou contratar três pessoas para atender à demanda. Para quando voltar à "normalidade", a ideia é reduzir custos e, para isso, o home office deve ser uma prática rotineira. "Agora estamos aprimorando a forma de atender o cliente home office e estudando como reduzir custos com a modalidade", disse.

Qual o impacto estimado da pandemia em seu faturamento?

  • 44,4% queda de até 20%
  • 22,2% queda acima de 20%
  • 22,2% não afetou

Qual o impacto em demanda (procura do mercado) em seus produtos e serviços?

  • 33,3% queda acima de 20%
  • 25,9% queda de até 20%
  • 18,5% não afetou

Quais as mudanças no seu quadro de colaboradores?

  • 51,9% mantiveram o quadro
  • 33,3% reduziram em até 20%
  • 7,4% aumentaram em até 20%

Quanto ao trabalho remoto, o que ocorreu na sua empresa?

  • 85,2% está com mais de 50% em home office
  • 7,4% está com até 30% da equipe em trabalho remoto
  • 3,7% está com entre 30% e 50% da equipe em home office

Sobre a redução de custos por adesão ao trabalho remoto, quais as estimativas?

  • 40,7% redução entre 10% e 20%
  • 25,9% redução de até 10%
  • 29,6% não houve redução

Sobre o lançamento de produtos motivados pelo novo cenário?

  • 40,7% não lancei, mas pretendo lançar
  • 37% lancei novos produtos
  • 22,2% não pretendo lançar

Sua empresa investiu em novas formas de comunicação com seus clientes e mercados que não utilizava antes da pandemia?

  • 70,4% sim
  • 29,6% não

Mesmo em meio à pandemia de coronavírus, empresas do setor de franchising continuam mantendo seus investimentos e abrindo unidades, especialmente aquelas ligadas à entrega de produtos. Em Rio Preto, surgiu neste mês uma marca ligada ao serviço de delivery e outra rede registra alta nas vendas de unidades.

Com o mercado de entregas em alta, foi lançada nesta semana a Neo Delivery, franquia de logística de entrega, cuja unidade piloto é de Rio Preto. A plataforma (www.neodelivery.com.br) oferece entregas via motofrete e já está fazendo o cadastramento de motofrentistas e de estabelecimentos comerciais interessados em fazer parceria, não apenas de alimentação, mas qualquer ramo da economia, cujo produto possa ser transportado em uma moto.

O investimento na empresa varia de R$ 56 mil a R$ 108, dependendo do modelo, e o faturamento varia de R$ 11 mil a R$ 40 mil. A empresa espera ter 20 franquias no primeiro semestre do ano, atingir faturamento de R$ 7 milhões em transações na plataforma, e 40 unidades no final do ano. O trabalho do franqueado pode ser executado em modelo home office, modalidade muito usual atualmente.

Crescimento

A microfranquia RapidãoApp, também de Rio Preto, prevê encerrar seu primeiro ano completo de operação com 250 operações. Criada para atender pequenas e médias cidades, entre 20 mil e 600 mil habitantes, a microfranquia também é uma plataforma de aplicativo de delivery que concentra vários segmentos.

"Quando decidimos desenvolver o aplicativo em junho do ano passado, percebemos que este tipo de atendimento era uma carência comum aos estabelecimentos de pequenas cidades, e hoje para muitos comerciantes o nosso serviço é a única maneira de continuar vendendo seus produtos", conta Leone Schultz, CEO da rede.

Desde o início das medidas mais restritivas no país, a marca registrou um aumento de 70% nas vendas diretas. De março para cá foram comercializadas mais de 60 franquias e o objetivo é terminar 2020 com o faturamento de R$ 10 milhões. Atualmente, a empresa conta com mais de 100 unidades vendidas, mais de 60 mil usuários ativos e já está presente em 19 estados brasileiros. (LM)

Empresa de inteligência artificial para apoio de diabéticos na tomada de decisão, a startup GlucoGear, identificou durante a pandemia a dificuldade dos diabéticos para monitorar seus níveis de açúcar no sangue (glicemia). "Com a mudança da rotina devido ao isolamento, as pessoas mudaram muito seus hábitos: alimentação, atividade física, níveis de estresse e tudo isso impacta a glicemia do paciente", afirmou Rafael Braile, diretor da empresa que tem seis funcionários.

Por conta da dificuldade de controle da doença crônica, a empresa decidiu inovar e acelerar o desenvolvimento de um produto: integrou um sistema de relatórios digitais automatizados a plataformas de telemedicina de laboratórios e planos de saúde para diminuir o distanciamento médico-paciente. "Nosso sistema permite que médicos e pacientes tenham acesso em tempo real a dados da nova rotina do paciente: todo o histórico de glicemia integrado aos monitores dos pacientes, dados de suas rotinas de alimentação e atividades", disse. Nesse contexto, ainda foi contratada mais uma pessoa, para se dedicar exclusivamente a esse projeto. (LM)

A pesquisa da Apeti mostra ainda que 51,9% dos entrevistados, assim como Rogério Martins, não precisaram demitir funcionários de suas equipes. Segundo Marcelo Lorecin, entre 60% e 70% dos custos numa empresa de TI são com funcionários, entretanto, essa que seria a mais rápida alternativa para diminuir os gastos é a pior dentre elas, já que pode trazer resultados negativos a médio e longo prazos. "Esse é o capital intelectual da empresa. Se ela demitir, vai perder a inteligência do negócio, a principal força na hora da retomada de mercado", afirmou Lorencin.

Em relação à adesão ao trabalho remoto, 85,2% dos participantes da pesquisa afirmaram estar com a totalidade da equipe nessas condições. Cerca de 40% apontam que a medida, além da possibilidade de manter a empresa operando mesmo em meio à pandemia, trará redução de custo entre 10 e 20%.

Por esse motivo, há empresas do setor que têm estudado a ideia de manter esse formato de trabalho mesmo após a crise. "As empresas associadas à Apeti acreditam que, no chamado novo normal, haverá uma mescla do trabalho in office e home office, assim como uma mescla de atividades em vários negócios", destaca Lorencin.

Entre as medidas adotadas pelas empresas de tecnologia para uma boa adaptação da equipe ao trabalho em home office, estão o empréstimo de móveis e utensílios para os colaboradores, a participação em grupo de estudos sobre trabalho remoto promovido pela Apeti e o atendimento do RH aos trabalhadores, via chamada de vídeo, para discutir medos e anseios. (LM)