Pedidos de seguro-desemprego disparam em Rio Preto

CORONAVÍRUS

Pedidos de seguro-desemprego disparam em Rio Preto

Quantidade de solicitações chegou a 3.667 em maio, número 103% maior do que o registrado em março, quando começou a quarentena em Rio Preto


Comércio fechado no Calçadão de Rio Preto: restrições foram impostas para combater o coronavírus
Comércio fechado no Calçadão de Rio Preto: restrições foram impostas para combater o coronavírus - Guilherme Baffi 16/4/2020

A pandemia da Covid-19 fez disparar o número de pedidos de seguro-desemprego em Rio Preto. Somente no mês de maio, 3.667 pessoas deram entrada no auxílio, segundo dados levantados pelo Diário junto ao Ministério da Economia. O número é 103% maior do que os 1.805 pedidos realizados em março, quando iniciou a quarentena no Estado de São Paulo. No acumulado desde o início da pandemia, a pasta recebeu 8.054 solicitações para conseguir o benefício fornecido pelo governo federal.

Em comparação com o mês de abril, quando foram registrados 2.582 pedidos, o aumento em Rio Preto foi de 42%, número acima do percentual nacional, que foi de 28,3%. Em todo o país, o número de solicitações  saltou de 748.540 para 960.258.

São Paulo foi o Estado com maior número de requerimentos, com aumento foi de 29,5%: de 217.260 pedidos registrados em abril para 281.360 em maio. Na sequência aparecem os estados de Minas Gerais (103.329 pedidos em maio) e Rio de Janeiro (82.584).

Sobre o perfil dos solicitantes no País, 41,3% eram mulheres e 58,7% homens. A faixa etária que concentrava a maior proporção de solicitantes era de 30 a 39 anos, com 32,3%. Em termos de escolaridade, 61,4% tinham ensino médio completo. Já com relação aos setores econômicos, os pedidos estiveram distribuídos entre serviços (42%), comércio (25,8%), indústria (20,5%), construção (8,2%) e agropecuária (3,4%).

Com as medidas de isolamento social decorrentes da pandemia da Covid-19, os atendimentos via web (734.353 no Brasil) representaram 76,5% dos pedidos. No mesmo mês de 2019, os atendimentos pela internet chegaram a apenas 8.597 (1,4% dos pedidos).

Em Rio Preto, até a primeira quinzena de março, quando foram solicitados 1061 pedidos, antes da pandemia, 97,55% dos atendimentos foram presenciais, número que seguia o padrão dos meses anteriores. Na primeira quinzena de abril, com a quarentena, as solicitações foram 97,22% online, média que se manteve até os últimos 15 dias de maio, quando o índice caiu para 73,63%, mantendo a predominância dos requerimentos via web.

Segundo o economista rio-pretense Hipólito Martins Filho, o aumento das solicitações já era esperado, uma vez que estamos vivenciando três crises (sanitária, econômica e política) e todo sistema econômico vive de expectativas. "A expectativa do Brasil no momento não é das melhores, porque estamos no epicentro da pandemia do coronavírus, o que fez com que pessoas voltassem para casa, as empresas parassem de produzir. Evidentemente, não tem renda, consumo e uma coisa vai levando a outra", explicou o especialista. 

Hipólito avalia que os números do desemprego ainda podem aumentar ao longo do ano. "No primeiro trimestre deste ano, comparado com o ano passado, o PIB caiu 1% e a previsão é de que caia mais", lembrou o economista, que acredita que os trabalhadores informais serão os mais afetados, ressaltando a importância de programas assistenciais do governo federal. "O auxílio emergencial precisaria ser estendido por mais tempo, porque não vai ser fácil sair dessa crise e, mesmo quando a economia voltar a andar, o emprego não vai ser gerado com a mesma velocidade, porque o mundo do trabalho já vem mudando radicalmente", disse Hipólito.

O economista cita a reforma trabalhista e as novas formas de produção mecanizadas como fatores que vão influenciar na retomada da economia e no desemprego. "Vamos ter aumento de trabalho, mas o emprego não vai crescer na mesma proporção. Por isso, o seguro desemprego é uma garantia para um auxilio emergencial que é pouco", finalizou o rio-pretense.

O decreto federal número 10.329, de 28 de abril de 2020, definiu como essenciais as atividades de processamento do benefício do seguro-desemprego e de outros benefícios relacionados. Com isso, diversas unidades do Sistema Nacional de Emprego (Sine), de administração estadual e municipal, reabriram e as solicitações estão em patamar de regularidade, informou o ministério.

"Não foi mais verificado número atípico de beneficiários que ainda não tenham realizado a solicitação do seguro-desemprego. Cabe lembrar que o trabalhador tem até 120 dias para requerer o seguro-desemprego e os pedidos podem ser feitos de forma 100% digital. Não há espera para concessão de benefício", informou o ministério.

Confira o número de pedidos de seguro-desemprego nos últimos meses em Rio Preto:

MÊS/ANO
NÚMERO DE PEDIDOS
DE SEGURO-DESEMPREGO
JANEIRO/2019
2039
FEVEREIRO/2019
2099
MARÇO/2019
1913
ABRIL/2019
2017
MAIO/2019
2120
JUNHO/2019 1800
JULHO/2019 2265
AGOSTO/2019 2047
SETEMBRO/2019 1733
OUTUBRO/2019 2236
NOVEMBRO/2019 1733
DEZEMBRO/2019 1362
JANEIRO/2020 1912
FEVEREIRO/2020
1733
MARÇO/2020 1805
ABRIL/2020
2582
MAIO/2020
3667

Demissões

Em abril, Rio Preto perdeu 3.311 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério da Economia. No mês foram registradas 5.366 demissões e 2.055 contratações. Desde o início do ano, a cidade teve 21.303 demissões e 18.383 novas contratações, o que representa um saldo de 2.920 postos de trabalho perdidos.

Em abril do ano passado, Rio Preto havia registrado 4.876 desligamentos e 4.976 admissões, o que representou um saldo positivo de 100 novos empregos na cidade. De janeiro a abril de 2019, o município registrou 58.674 contratações e 57.232 demissões, ficando com um saldo de 1.442 empregos gerados.

(Com informações da Agência Brasil)