EMBALA PARA VIAGEM

Fábricas de embalagens de Rio Preto registram aumento da demanda e de lucros

Lojas que vendem embalagens - especialmente ao setor de alimentação - registram aumento nas vendas desse tipo de produto; nada que mude a queda no faturamento em geral, mas já é um alento


Bruna Rodrigues Britto
Bruna Rodrigues Britto - Johnny Torres

Com grande parte das empresas do setor de alimentação de Rio Preto trabalhando em sistema de delivery, as lojas de embalagens sentiram aumento nas vendas de itens destinados ao setor. Nada que supere a queda generalizada de faturamento por conta da pandemia de coronavírus, mas não deixa de ser um alento em meio à paradeira da atividade econômica.

Desde o fim de março, restaurantes, lanchonetes, bares e outros estabelecimentos do tipo podem trabalhar apenas se não oferecerem consumo no local, ou seja, em forma de entrega ou retirada. Por conta disso, o uso de materiais para embalar marmitas, lanches, hambúrgueres, açaís e tantas outros pratos aumentou. São itens como marmitas de isopor, caixinhas para hambúrguer, potes para doces, assadeiras de alumínio, saco de papel para acondicionar lanches. Tudo descartável.

Na Embalagens Dois Irmãos, que vende no atacado e no varejo, a venda desse tipo de item registrou um aumento médio de 20% durante a quarentena. "Não imaginávamos o movimento. Como temos um bom planejamento, temos estoque para atender ao aumento da demanda", afirma a vendedora Bruna Rodrigues Britto.

Segundo Bruna, entre os itens mais procurados se inclui também a mochila que os entregadores usam nas costas para levar os alimentos até os clientes. O custo é de a partir de R$ 182. Além dos produtos clássicos ligados a marmita, empresa também registra aumento nas vendas de barcas para açaí, cujo valor é de R$ 34 o pacote com dez unidades de dez litros. "Ao mesmo tempo, houve queda na venda de espetinhos e de copos descartáveis, já que as pessoas não estão consumindo no local", disse.

Segundo Rafael Finatto Amaral, proprietário da 3R Embalagem - que assim como na Dois Irmãos também funciona em sistema de delivery - o aumento da venda de itens específicos ligados ao setor de alimentos teve alta de 30%. "O estoque está sendo reposto mais rapidamente. Os fornecedores entregavam em torno de 15 dias e agora o prazo vai de quatro a cinco dias", afirmou. As vendas são feitas por telefone ou WhatsApp e a entrega, direto no carro da pessoa, ou com retirada na loja.

Na loja, a procura tem sido grande de produtos como marmitex de isopor com divisória (R$ 120 o pacote com 100 unidades), assim como sacos de papel biodegradáveis (ao custo de R$ 38 o pacote com 100) e embalagens de alumínio com capacidade de 220 gramas a dois quilos - destinada a pratos prontos - com valores entre R$ 25 e R$ 140 (100 unidades).

A proprietária da Pani Plastic Cristiane Luquini Vieira afirma que houve uma troca de produtos mais procurados. Anteriormente, saiam muito os itens maiores, voltados a restaurantes. Agora, a procura é por materiais menores. "Caiu muito a venda de itens voltados a festa e embalagens muito grande para bolos. Agora, têm saído os potinhos menores, para bolo em pote e sobremesas", disse.

Enquanto boa parte das atividades econômicas sofre com as restrições impostas pela quarentena, há alguns setores que, mais do que sobreviver ao período aumentam produção e até fazem contratações neste período, como é o caso de indústrias de álcool em gel, um dos itens mais procurados nesta pandemia. 

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o faturamento de vendas do álcool gel, em 2020, poderá superar em até dez vezes o registrado no ano passado - partindo de um faturamento de R$ 100 milhões para um de R$ 1 bilhão, já que além das unidades contabilizadas por indivíduo, estabelecimentos comerciais como supermercados, farmácias e outras lojas estão comprando o produto.

Na indústria química Prolink, de Guapiaçu, a produção voltada ao álcool em gel registrou uma alta de dez a 12 vezes em relação ao que produzia antes da pandemia de coronavírus e hoje o volume está na cada de 100 mil frascos por mês. "Fabricávamos em pequena quantidade já que nem havia mercado para isso, o que mudou muito nos últimos dias", afirmou Renato Oliveira, gerente comercial da empresa.

A indústria atua em quatro frentes: matéria-prima, cosméticos, hospitalar e odontológica e hoje tem entre 80 e 90 funcionários. Para dar conta do aumento da demanda, a indústria fez investimentos no maquinário da linha de produção e ainda em novas versões do álcool em gel. São opções em bisnaga de 50 gramas e frasco com bico dosador de 90 gramas e 440 gramas. "Precisamos contratar cerca de 20 funcionários para atuar na linha de álcool." O único problema é encontrar o insumo que transforma o álcool hidratado em álcool em gel - o espessante carbopol, seja no mercado nacional ou no internacional.

Na Rioquímica, a produção de álcool em gel triplicou depois do início da pandemia. A gerente industrial Graciele Thomé conta que a empresa respondeu de forma positiva às mudanças, conseguindo se adequar à demanda de mercado para atender seus clientes. "Foi necessário fazer novas contratações e realizar o aumento de mais um turno de trabalho, mas a empresa não teve problema de abastecimento de matéria-prima e conseguimos nos organizar para manter a produção", explica.

A indústria foi fundada em 1979 em Rio Preto e atua na produção de saneantes para ambientes hospitalares. Além desse segmento, oferece soluções para clínicas odontológicas, ambientes institucionais, produtos cosméticos e veterinários. 

Em março, logo no início da pandemia no Brasil e corrida em busca do álcool em gel, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma resolução em que libera a fabricação e a venda de produtos como álcool gel e desinfetantes para limpeza de superfícies e ambientes sem autorização prévia da agência reguladora.

(colaboraram Yasmin Lisboa e Agência Brasil)