Preço da carne ainda está em alta nos supermercados de Rio Preto

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Preço da carne ainda está em alta nos supermercados de Rio Preto

Exportações impactam no custo da carne; veja pesquisa e gaste menos


Paulo Pacheco e Patrícia Nakamura observam preços e qualidade
Paulo Pacheco e Patrícia Nakamura observam preços e qualidade - Leonardo Lino 28/9/2020

O quilo da carne bovina continua em alta nos açougues de Rio Preto. A carne de vaca vem registrando aumento desde julho, última pesquisa que havia sido feita pelo Diário. Agora, de acordo com o levantamento, o aumento foi de até 19%. Além da pesquisa do Diário, os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) - que indica os preços pagos aos produtores rurais - também confirmam a nova alta do alimento.

Na pesquisa publicada nesta terça-feira, 29, o quilo da ponta de peito, corte considerado de segunda, aumentou 19% comparado à pesquisa de julho. O quilo da carne pode ser encontrado pelo menor valor de R$ 24,99; antes, era R$ 20,99, um aumento de R$ 4.

Quem optar por cortes de primeira também encontrará o produto com o valor mais salgado. O quilo do contrafilé é encontrado hoje pelo menor valor de R$ 33,99; no dia 14 de julho era de R$ 29,99, um aumento de 13% ou R$ 4.

Segundo o levantamento feito pelo IPCA, a carne bovina subiu 3,33% no mês de agosto. Os dados oficiais ainda mostram que alguns cortes como costela (4,49%), acém (4,31%), patinho (2,46%), contrafilé (2,25%) e alcatra (1,98%) foram os que registraram maiores aumentos no último mês.

Atacado

O aumento da carne não é encontrado apenas nas vendas no varejo para o consumidor final, mas também no atacado. O indicador Cepea, que faz o levantamento do preço da arroba do boi, mostra que atualmente os produtores recebem R$ 255,65 pela arroba. No dia 14 de julho, custava R$ 218,60, aumento de R$ 37,05 ou 16%.

O médico veterinário e consultor de mercado da Scot consultoria, Hyberville Neto, afirma que o aumento do preço da carne é influenciado pelo grande volume de exportações, principalmente para a China. "No mercado de boi gordo a oferta de gado segue limitada e com a grande exportação e o consumo doméstico melhorando há uma dificuldade em ofertar um maior número de gado, o que acarreta o aumento".

Neto ainda diz que nos últimos sete dias houve um aumento em média de 1,1% nos preços da carne no atacado. "No atacado é a 13ª semana consecutiva de alta na carne sem osso, que é o que mais interessa ao mercado. No mesmo período de sete dias, quando se trata do varejo o aumento foi menor, em média de 0,5%".

O proprietário de um açougue em Rio Preto, José Antônio Barsanelli, diz que quase toda semana tem reajuste no preço da carne. "Nos últimos 40 dias o valor foi reajustado em até 25%. Essa alta não é nem um pouco boa para nós, pois as vendas não estão tão altas e com preço mais caro os consumidores não compram tanto".

Segundo o economista Hipólito Martins Filho, o dólar em alta influencia nos valores finais da carne, pois os insumos usados para tratar o gado em período de seca são importados e como os produtores estão pagando mais para tratar o gado, acabam repassando o valor.

O economista diz que agora é a hora de mudanças de hábitos e que o consumidor deve deixar a carne bovina um pouco de lado. "A carne vermelha é um alimento substituível e isso ajuda muito neste momento, pois o consumidor pode trocar por carne de frango, de porco ou até de peixe. O frango e o porco também registraram aumento, mas não é nada que chegue ao patamar da carne bovina e ainda cabem no orçamento".

O locutor Paulo Pacheco diz não abre mão de preço e qualidade. "Dependendo de como estiver o preço eu divido os locais onde compro: pego um pouco em cada um. Quando o valor da carne bovina está muito alto eu troco pela carne de frango ou de porco, não tem problema nenhum". A manicure Patrícia Nakamura, mulher de Paulo, acrescenta dizendo que procura por locais que estejam com ofertas.

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