SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2021
AgroDiário

Investimento 'blinda' avicultura do calorão na região de Rio Preto

Setor em alta na região sofreu com as altas temperaturas registradas recentemente e perdas foram minimizadas graças a melhorias nas granjas que evitam o 'estresse térmico' das aves

Marival CorreaPublicado em 16/10/2020 às 23:44Atualizado há 06/06/2021 às 18:48
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Setor em alta na região sofreu com as altas temperaturas registradas recentemente e perdas foram minimizadas graças a melhorias nas granjas que evitam o 'estresse térmico' das aves (Divulgação)

A chuva, ainda que tímida, já representa um alívio para a avicultura, uma das mais sensíveis às oscilações de temperatura, fator determinante para a produção de frangos de corte. O calor extremo, como foi registrado no fim de setembro, acendeu um sinal de alerta no setor, que está em crescimento na região. Os produtores precisaram ficar mais atentos para que não ocorresse a mortalidade de frangos em suas granjas.

"Com as temperaturas elevadas deste ano, que estão sendo atípicas, para a produção de frangos é o terror", diz o produtor rural Murilo Gil. Ele explica que a oscilação de temperatura interfere muito na produção dos frangos. "As mudanças no clima foram muito bruscas, com alguns dias de muito frio, e de muito calor, com temperaturas que ultrapassaram os 41 graus", afirma Murilo, que tem uma produção de 600 mil aves de corte, por ano, em granjas instaladas em Ipiguá e no distrito de Engenheiro Schmitt. O segredo, no seu caso, é cuidado constante com o desempenho térmico em que estão submetidas às aves no aviário.

Para que não ocorra prejuízo para o produtor, o avicultor destaca que é essencial ter boas instalações para alojar as aves, de forma que não ocorra o estresse térmico no animal com as altas temperaturas provocadas pelo calor. "A infraestrutura é importante, com a instalação de equipamentos que façam a ventilação", enfatiza o produtor, lembrando ainda que a temperatura ideal para um frango com 40 dias de vida deve ser de 24 graus.

"Quando as aves chegam ao aviário, com apenas um dia de vida, é preciso controlar a temperatura, geralmente elas necessitam de conforto térmico maior entre, 34 e 35 graus, sentem mais frio. E depois, quando o frango já está pronto para o abate, com 42 a 45 dias de vida, a temperatura ideal é entre 23 e 24 graus."

Murilo destaca ainda que com a falta de uma boa estrutura, de ventilação e de refrigeração nos galpões, o risco de perda das aves é maior para o produtor. Além disso, ele conta, em seus aviários, com sistema de poço artesiano. Os gastos com água e energia elétrica, elevam muito a conta do produtor, segundo Murilo. "É preciso ainda ficar bastante atento com a queda de energia elétrica. Mesmo com o gerador de energia, esse tipo de risco aumenta quando o calor é intenso", acrescenta.

A produtora rural Fernanda Zanirato Facio, em dois anos de manejo com as aves de corte, não registra mortalidade de frangos em decorrência do estresse térmico exatamente devido aos investimentos realizados. "Nunca tive problema, mas é preciso ficar muito atento, fazer a manutenção dos equipamentos sempre, caso contrário a gente perde a criada", comenta. Na cidade de Palestina, a produção de Fernanda é de 172 mil aves, em um sistema de integração com um frigorífico, onde as aves são abatidas para depois chegarem ao consumidor no supermercado.

As modernas instalações para a criação de frangos de corte são importantes, ressalta Fernanda, que conta com um sistema de controle de temperatura todo automatizado, com painéis evaporativos que regulam a temperatura. O investimento é alto, com gastos maiores com energia elétrica e água, mas garantem o bom funcionamento do plantel de aves.

Estresse calórico

Na época mais quente do ano, a do verão, as notícias sobre a mortalidade de aves por problemas com as altas temperaturas se tornam comuns e por isso, os produtores devem estar preparados para mitigar essa alta temperatura que atinge vários estados brasileiros. A informação é do especialista em ambiência para aves, José Luis Januário, da Cobb - empresa de genética avícola, que possui uma unidade instalada em Guapiaçu.

No ambiente em que estão alojadas as aves, José Luis explica que de 60% a 80% do calor é gerado pelos próprios animais, "e somado ao sol, ao calor, fica complicado minimizar esses efeitos térmicos". A orientação dada pelo especialista, ao produtor de aves, é para o cuidado com a ventilação e resfriamento do ambiente, além do esgotamento da água com maior frequência quando o calor for extremo.

Outra medida muito indicada para diminuir os danos com o calor é sombrear o aviário, seja com o uso de telas de proteção que minimizem a intensidade do sol no local ou ainda com o plantio de árvores. "Tudo deve ser de acordo com a regulamentação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, para que o produtor possa ter as árvores no entorno do aviário", complementa José Luis.

Durante este ano, o calor foi intenso antes mesmo do verão, e José Luis lembra como são importantes os investimentos em equipamentos que proporcionem maior conforto térmico para as aves. Ele diz ainda que a ave de corte, quando está mais pesada, espalha mais calor no ambiente. "Quando a ave atinge o estresse térmico, o produtor precisa atuar rapidamente, evitando assim a exaustão do animal, que leva a morte", finaliza José Luis.

Defesa registra mortalidade de aves

De acordo com a regulamentação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, os produtores de aves precisam fazer a notificação de mortalidade de aves quando ocorrer número de mortes acima de 15% da capacidade do aviário. O médico veterinário do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA), de Rio Preto, Fernando Buchala, diz que no mês de setembro foram registradas apenas duas ocorrências de mortalidade de aves em granjas da região de Rio Preto.

"Em duas granjas da região, com mortalidade de aves acima de 15%, os veterinários responsáveis, precisam notificar. Foram dois casos de queda de energia, em decorrência de incêndios que atingiram a rede de energia elétrica e causou a morte das aves pelo estresse térmico", disse Fernando. Para o produtor de aves, Fernando lembra que são vários requisitos exigidos no manejo dos animais, como por exemplo, a necessidade de registro da granja junto à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Nos 24 municípios da região de Rio Preto, de atuação do Escritório de Defesa Agropecuária, Fernando disse que estão cadastrados 220 aviários, com a produção de aproximadamente 1,5 milhão de aves. Na maioria da produção avícola, Fernando explicou que os produtores trabalham em sistema de parceria ou integração com os frigoríficos. "Os frigoríficos fornecem a matéria - prima (a ave), a assistência técnica dos veterinários e os produtores são responsáveis pela mão-de-obra e pelas instalações", diz Fernando. (CC)

Impacto do estresse térmico

O aumento da mortalidade de animais nos aviários em decorrência das altas temperaturas em vários Estados brasileiros, assim como na região do Noroeste Paulista causa impacto significativo para os produtores. Para o médico veterinário, Leonardo Attab Rodrigues, "o grande desafio na região de Rio Preto, para a avicultura, é a oscilação de temperatura, o que demanda investimentos em automação e controle de ambiência".

Rodrigues explica que as aves possuem capacidade de retenção maior de calor, sendo que boa parte da energia que o frango consome é perdida e gera calor para o ambiente. "Se o ambiente está com altas temperaturas, a ave morre por estresse calórico. É o que chamamos de alcalose, quando aumenta a pressão sanguínea e a ave tem dificuldades para respirar."

No frigorífico Confina, localizado em Poloni, o médico veterinário Guilherme Rosseto de Freitas diz que não há perda significativa com relação à mortalidade de aves por estresse térmico. "No transporte da granja até o frigorífico pode ocorrer alguma perda, em torno de 3% do lote de aves, associada às altas temperaturas", explica.

Algumas medidas também são importantes para minimizar o calor até que as aves sejam abatidas, segundo Guilherme, como a adição de gelo nas caixas e a adequação dos ventiladores. Ele explica ainda que após deixar os aviários, as aves precisam ficar no frigorífico no período de cerca de duas horas, para descanso. "As aves são sensíveis, há a questão fisiológica que precisa ser controlada, para depois chegar ao abate." (CC)

Infraestrutura com refrigeração faz a diferença na granja de Fernanda Facio (Divulgação)
As aves na granja da produtora Fernanda Facio: conforto térmico evita o estresse das criações e mortandade (Fotos: Divulgação)
As aves, na granja em Palestina, da produtora Fernanda Zanirato Facio (Divulgação)
Temperatura adequada é garantia de proteção das aves, desde que chegam à granja até o abate (Divulgação)
O avicultor Murilo Gil possui produção de 600 mil aves de corte, por ano (Divulgação)
Produção de aves de corte da produtora rural Fernanda Zanirato Facio, em Palestina (Divulgação)
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