Produção de uva na região de Jales segue em alta e vendas aumentam

AgroDiário

Produção de uva na região de Jales segue em alta e vendas aumentam

Em meio à pandemia, colheita da uva na região de Jales se manteve firme e com alta produtividade; está até difícil para viticultores atenderem demanda


Parreiras de uvas de associado da Cooperativa de Palmeira d'Oeste
Parreiras de uvas de associado da Cooperativa de Palmeira d'Oeste - Fotos: Divulgação

A colheita de uvas finas e comuns de mesa se iniciou no mês de junho, com poucas expectativas por parte dos produtores, mas surpreendeu quem não desistiu de investir na fruta. Na região de Jales, um dos principais polos produtores de uva do estado de São Paulo, os viticultores não esperavam que a demanda aumentasse em até 80%. Com relação à safra passada, os preços das vendas também foram superiores entre 30% e 40% para os produtores de uva.

"Com a pandemia, ficamos apreensivos com o fato de não conseguirmos mercado para as uvas. No mês de maio fizemos a poda, um trabalho que não pode parar. Mas aconteceu exatamente o contrário, a demanda pela uva só aumentou", disse o viticultor Fábio Carlos Friozi. Da produção de 2,5 hectares de uvas Niagara e Vitória, Fábio já colheu metade das frutas, com a expectativa de finalizar a safra, no mês de novembro, com ótimos resultados.

Na propriedade rural, em Jales, o trabalho com as uvas é feito pela família do Fábio. Ele acredita que só assim, sem precisar contratar funcionários, é possível manter as despesas com a produção das uvas. "Muitos vizinhos nossos aqui desistiram da plantação de uva, porque estava difícil de fechar a conta", explica Fábio. Mas nesta safra, com preços 35% maiores em comparação ao mesmo período do ano passado, o viticultor está satisfeito com a produção deste ano.

As uvas consideradas finas- os frutos, de alta qualidade, são muito apreciados para o consumo ao natural -, como as cultivares Itália, Rubi, Benitaka, Brasil e Red Globe, preferencialmente são cultivadas nos parreirais da região de Jales. Já as uvas comuns ou rústicas, muito consumidas em todo o Brasil, a Niagara rosada é ainda uma das mais cultivadas por produtores da região do noroeste paulista. E em outro grupo, as uvas sem semente, como a Vitória, além da Isis e Núbia, estão as cultivares lançadas mais recentemente pela Embrapa de Jales, e que vem se expandindo a cada ano em plantações daquela região.

O produtor Carlos Tinelli foi um dos que investiram na expansão de plantio da uva Isis. "A aceitação do consumidor pela uva Isis vem crescendo, a fruta é mais crocante, com sabor mais neutro e não é tão doce como a Vitória", diz Carlos. Em Marinópolis, na região de Jales, Carlos tem nove hectares de plantações de uva, como as cultivares Itália, Rubi, Brasil, Benitaka, Vitória e Núbia.

Carlos também está satisfeito com a safra deste ano. "Os preços estão bons e está até faltando o fruto. Se eu tivesse o dobro da uva, conseguiria atender a demanda. Na safra passada, sobrava fruta, a gente tinha que fazer oferta para os revendedores". Com a pandemia, ele acredita que muitas pessoas consomem mais alimentos pelo fato de estarem em casa. E com a uva não foi diferente, segundo Carlos, o consumo aumentou.

Melhores negociações

A safra da uva deste ano também trouxe outro fator positivo para o produtor. De acordo com Carlos Tinelli, como não há muita oferta do fruto, as negociações ficaram melhores para os produtores, que tinham dificuldade para receber o pagamento pela venda das uvas. "Hoje é tudo pagamento à vista, antes a gente tinha que esperar de 60 até 90 dias para receber pela safra", comentou o viticultor.

Para o produtor João Guilherme Fachim Cardoso, de Palmeira d'Oeste, a conta também estava difícil de fechar na safra da uva do ano passado. Este ano, mesmo com a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, João Guilherme afirmou que a colheita rendeu bons frutos e as negociações superaram a expectativa do produtor.

João Guilherme observou ainda que os compradores que procuram pela uva da sua plantação, em alguns casos, são pessoas que vendem o fruto em locais públicos, como nas ruas e nas rodovias de várias cidades do país. "Com a pandemia, muitos trabalhadores perderam seus empregos e investiram em negócio próprio, como a venda de frutas", analisou João Guilherme.

Clima bom

O clima seco, mas com temperaturas mais amenas nos períodos noturnos são muito favoráveis para as plantações de uva da região do noroeste do Estado de São Paulo, conforme explica o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e supervisor da Estação Experimental de Viticultura Tropical de Jales, João Dimas Garcia Maia.

Outra questão que favoreceu o manejo da uva na região de Jales, está na diminuição do uso de defensivos agrícolas. Segundo João Dimas, com pouca umidade, não há tanto o aparecimento de pragas e doenças, que se ambientam mais quando há muita umidade no ar. "Como não chove há bastante tempo, foi possível evitar as pulverizações de defensivos", acrescenta.

Na avaliação do pesquisador, o cenário, que no início parecia ruim para o viticultor, com a pandemia coincidindo com a colheita dos frutos, tem sido o melhor dos últimos anos. "Há menor oferta de uvas, mas a procura aumentou e os produtores não conseguem atender a demanda. Com isso, os preços estão melhores, com aumentos de 30% para a venda das uvas Niagara e 25% para as uvas finas, como a Itália", disse João Dimas.

 

Há um ano, produtores de uva se organizaram e fundaram a Cooperativa Agropecuária de Palmeira d'Oeste (Cooapalm), com a finalidade de orientar melhor o produtor rural. De acordo com a presidente da Cooapalm, Elenita Bocalon Pires, são 37 associados, que a partir desta safra negociaram seus produtos através da cooperativa. "É muito seguro para o produtor, porque fazemos as vendas para uma empresa séria, conhecida nos grandes centros, de cidades como São Paulo e Campinas", afirma Elenita.

Uma das dificuldades dos viticultores, segundo Elenita, era com relação ao recebimento da venda das frutas. "Muitos produtores tiveram prejuízos na cidade, com valores que ultrapassam R$ 5 mil, porque não tinham nota fiscal e muitas vezes acreditavam no comprador."

A presidente da cooperativa explica ainda que não foi possível fazer um balanço sobre a comercialização de uvas desta safra, mas ela acredita que as vendas aumentaram em até 80%. "A procura pela uva está grande, cresceu durante a pandemia", destaca Elenita, que também é produtora de uvas em Palmeira d'Oeste.

Rica em vitaminas

As uvas, principalmente as de cores escuras, são fontes importantes de nutrientes para o organismo. A nutricionista Flávia Pinto César explica que o suco de uva integral, sem açúcar e sem conservantes, possui nutrientes como vitaminas e minerais, além de substâncias, como as antocianinas, que previnem doenças e exercem ação antioxidante no organismo.

Flávia disse ainda que as uvas, importantes fontes de minerais, como cálcio, ferro, cobre, potássio, entre outros, podem prevenir a osteoporose e as anemias. "As uvas também são ricas em vitaminas do tipo A, C, complexo B e vitamina K. São fontes importantes para o combate do envelhecimento precoce e das doenças cardiovasculares", explicou a nutricionista.

Como fonte de vitaminas do tipo A e C, as uvas são importantes para a imunidade do organismo, de acordo com Flávia. "Nesta pandemia, a uva in natura e o suco de uva são grandes colaboradores para o fortalecimento da imunidade", enfatiza a nutricionista, lembrando ainda que estas mesmas propriedades estão no vinho tinto, desde que seja consumido na proporção de uma taça apenas. (CC)