Cresce uso da internet no agronegócio regional

AgroDiário

Cresce uso da internet no agronegócio regional

Eventos online como lives, webinares e mesmo podcast aproximam produtores rurais de especialistas e disseminam informação de qualidade durante a pandemia de coronavírus


- Fotos: Divulgação

A vida virtual atravessou as porteiras das propriedades rurais com eventos, palestras e muita informação para o setor. Durante a pandemia do coronavírus, muitas mudanças e adaptações ocorreram em todos os setores, expandindo a conexão das pessoas com a internet. No caso do agronegócio não foi diferente. As lives, webinares e podcasts aproximaram os internautas, que estão mais tempo em casa, e as videoconferências - com todas essas tecnologias - já são consideradas o novo normal. Em direção a tudo isso, um encontro virtual com especialistas em manejo da irrigação, foi programado em Rio Preto, e ocorre com a supervisão da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos.

Com transmissão a partir da associação sediada em Rio Preto, 18 professores e especialistas de várias cidades do interior paulista participam de suas casas, do ciclo de palestras online. "Tivemos uma experiência muito boa no mês de abril com outro evento virtual sobre agronegócio. E pudemos observar que em nosso auditório, a capacidade é para 80 participantes, enquanto no ambiente virtual atingimos mais de 1,5 mil pessoas", disse Maurício Tucci Marconi, organizador do evento.

O ciclo de palestras - que teve início na última quarta-feira e encerramento programado para hoje - tem inscrições gratuitas e o internauta pode acompanhar as palestras ao vivo, além de interagir com perguntas direcionadas aos palestrantes. Segundo Maurício Marconi, a irrigação no campo - como assunto das palestras - é tema importante para o produtor "que investe em produtividade, deseja melhores resultados e acredita na sustentabilidade no manejo de seus produtos".

Assuntos como o uso de drones no monitoramento de áreas com estresse hídrico; desenvolvimento e expansão agropecuária irrigada no Noroeste Paulista; investimentos, objetivos, metas e expectativas com sistemas de irrigação; outorga e legalização; educação ambiental e uso sustentável da água; cuidados com uso de defensivos e fertilizantes em áreas irrigadas; entre outros, entraram na pauta das palestras virtuais.

Em um momento como o atual, o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) - campus de Jaboticabal- , Cristiano Zerbato, acredita que "vídeos em Youtube, podcasts e lives são ferramentas online muito boas para levar a informação e o conhecimento para todos que estão dentro de casa". O professor, que leciona no curso de Engenharia Agronômica, abordou o tema sobre o uso de drones na agricultura irrigada, durante o encontro virtual da Associação dos Engenheiros de Rio Preto.

O drone, de acordo com Cristiano, é um método de gerenciamento agrícola que ajuda o produtor rural a tomar decisão mais correta no manejo da lavoura. "Na agricultura irrigada os drones podem fazer a inspeção, por exemplo, de pivô central de irrigação", disse Cristiano.

Irrigação

Uma das referências em temas sobre a irrigação na agricultura, o professor-doutor Fernando Braz Tangerino Hernandez, da Unesp de Ilha Solteira, calcula em 20 mil hectares de área irrigada pelo sistema de pivô central em todo o Noroeste do Estado de São Paulo. Ele também foi um dos convidados a participar do ciclo de palestras online da Associação dos Engenheiros.

Entre as informações levadas pelo professor, foi abordado o sistema de pivô central de irrigação, uma torre suspensa que gira de modo circular sobre a plantação, levando a água de maneira correta e racional. "São equipamentos com mais de sete metros de altura e o produtor rural investe mais dinheiro, porém faz o uso da água de maneira mais eficiente", disse Tangerino.

Entre os serviços de apoio ao irrigante, outro aspecto da irrigação na agricultura, Tangerino explicou que a Unesp disponibiliza o uso livre de dados, através da Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista. "É um canal - o Clima-, que teve 160 usuários por dia, no ano passado, com mais de 600 páginas diferentes visualizadas. Um serviço importante para a agropecuária, com a disponibilização, a cada cinco minutos da informação climática nova", explicou.

Sobre a participação em eventos online, o professor Tangerino diz ser o novo normal, com uma interação maior do público, "que faz perguntas sem receio, no modo virtual, diferente da palestra presencial onde muitas vezes a pessoa não interage".

 

Aperfeiçoar a informação que chega aos produtores rurais em meio à pandemia do coronavírus, de modo online, foi a decisão que vem apresentando excelentes resultados para o professor Omar Jorge Sabbag, da Unesp de Ilha Solteira. Toda terça-feira ele faz a live, no Instagram, com o tema "Produtor com Valor". Levando sempre um convidado ligado ao agronegócio, Sabbag já realizou mais de 15 programas do tipo.

Muitos temas são relacionados aos impactos causados pela Covid-19 para os agricultores, nas lives semanais de Sabbag. Como o professor ministra aulas de economia, no curso de Engenharia Agronômica, alguns temas como gestão do agronegócio, eficiência na produtividade e gestão de custos são assuntos de muito interesse dos internautas.

"Em 50 minutos, programamos a live e podemos direcionar bem os diálogos da atualidade. Em nossos debates, pudemos falar das novas perspectivas pós-pandemia", lembra Sabbag. Ele acredita que as vendas online foram intensificadas na pandemia e devem ter continuidade dentro da previsão de normalidade, também para os produtores rurais, como forma de escoar os produtos.

Convidado a participar da live de Sabbab, o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, disse que os debates virtuais possibilitaram a socialização das informações. "É um aspecto positivo durante a pandemia, todos têm acesso a muitas informações".

Medeiros acredita que a piscicultura é um dos setores do agronegócio que manteve a demanda, mesmo com a pandemia. "Em um primeiro momento, logo no começo da pandemia, tivemos o impacto causado pelo isolamento social, que coincidiu com a quaresma, um dos principais períodos de crescimento nas vendas de peixes. Os restaurantes sentiram mais, porém houve uma procura dos consumidores para levar o produto para casa", concluiu Medeiros.

Reprodução

A escolha por manejo com irrigação de pivô central é a garantia de produção certa para o produtor rural Luis Augusto de Oliveira Neto, que possui propriedades em Adolfo e Mendonça, na região de Rio Preto. Em 2018, ele investiu R$ 250 mil na instalação do pivô, um investimento alto, mas que traz retorno em termos de produtividade da lavoura.

Neto plantou 20 hectares de milho verde e garante a produção do alimento o ano todo. "Com a irrigação no milharal garanto uma produtividade mais alta, de até 30%", pontua. O produtor plantou ainda, 12 hectares de milho verde em consórcio com 4 mil pés de limão tahiti, também com o manejo de irrigação por pivô central.

Em outra opção de agricultura irrigada nas áreas plantadas, Neto possui pés de limão consorciados com a plantação de mandioca. Nestas lavouras, ele utiliza o manejo da irrigação por gotejamento. "As plantações em consórcio são excelentes para fazer uma receita e cobrir custos da propriedade", diz o produtor.