AgroDiário

Soja em alta anima produtores

Considerada uma das principais culturas agrícolas do País e commoditie brasileira de peso no cenário internacional, a soja vem ganhando cada vez mais espaço na região


Produtor rural André Seixas mostra a soja da sua plantação
Produtor rural André Seixas mostra a soja da sua plantação - Divulgação

Produtores rurais que investiram nas lavouras de soja estão satisfeitos com a safra de 2019-2020, considerada uma das melhores dos últimos anos. Para uma região - a do noroeste do Estado de São Paulo- que tem tradição na cultura canavieira, a soja vem se expandido nas propriedades rurais, inclusive como cultura de rotação entre as plantações de cana-de-açúcar, milho e amendoim. Além disso, os preços atrativos, a alta demanda pelo produto e os embates comerciais entre China e Estados Unidos, impulsionaram ainda mais o investimento do produtor rural a cultivar a soja.

De acordo com a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), de Rio Preto, a área plantada de soja em 24 municípios, no ano passado, foi de 14.261 hectares, com produtividade de 41 sacas (de 60 quilos) por hectare. Os técnicos da CDRS afirmam que a produtividade não é maior- é considerada boa a colheita de 60 quilos por hectare- por conta dos fortes veranicos da região Noroeste paulista.

"Não passou pela nossa cabeça que a gente iria comercializar a soja com preços tão bons como os deste ano", comentou o produtor rural André Luis Seixas. Com o preço do dólar em elevação, o produto a ser exportado, como a soja, ganha força, principalmente por ser uma commoditie. Na avaliação de Seixas, outra vantagem para o produtor brasileiro foi em relação à exportação, com os embates entre China e Estados Unidos, o que elevou o preço da soja no Brasil.

Na safra passada - 2018-2019 -, Seixas explicou que na região de Rio Preto, as plantações de soja não foram satisfatórias, principalmente com o clima seco que não ajudou o manejo do produtor. "Mas este ano ficamos mais animados, com as cotações, que alcançaram preço de R$ 98,00 a saca". Na safra passada, Seixas disse que a comercialização do grão não foi tão lucrativa, se estabilizando na faixa de R$ 70,00, a saca de 60 quilos.

Com 200 hectares de área de soja plantada em Ipiguá, o produtor disse que a colheita da soja nos meses de fevereiro, março e abril, ocupa 80% da produção da sua propriedade rural comercializada, com o escoamento de grãos destinados principalmente para a exportação. "E para a próxima safra pelo menos 30% também está em negociação para a comercialização", acrescentou o produtor.

André Seixas também investiu no plantio da soja para, na entressafra da cana-de-açúcar, investir no grão e, assim, não deixar a terra parada, sem o cultivo de nenhuma cultura. "Entendemos que o plantio de soja é melhor em produtividade, com os nutrientes deixados pela palha da cana, além de podermos reformar o canavial".

No plantio de soja da safra passada, o agricultor Marcelo João Arruda teve prejuízo, em detrimento ao clima que não favoreceu e ainda, aos fatores econômicos, como o mercado da China para exportação pouco satisfatório e a cotação do dólar. "Mas este ano a produção foi rentável. Na safra passada os preços só caiam, passando de R$85,00 até chegar em R$67,00. Mas este ano, a cotação da saca de 60 quilos chegou a ser comercializada por R$105,00".

A experiência de Arruda com as lavouras de grãos - ele planta amendoim há 10 anos- fez com que ele investisse na rotação de culturas, o que garante maior lucratividade na sequência dos plantios. "Iniciei o plantio da soja quando percebi uma deficiência para o manejo do amendoim, que exige muito no preparo do solo".

Arruda diz que percebeu uma produtividade mais importante com a plantação de soja. Ele plantou 200 hectares da oleaginosa, em Itajobi - município da região de Catanduva-, e garantiu um rendimento de 60 sacas por hectare. O produtor considera ainda que a soja possui um mercado futuro, com projeções para as próximas colheitas de 10 a 20 mil sacas do produto.

A pandemia do novo coronavírus, segundo o produtor, não atrapalhou as negociações da soja, que já haviam sido realizadas. "No começo ficamos preocupados com o transporte dos grãos, assim que iniciou a pandemia no Brasil, mas depois percebemos que não teve nenhum problema", diz Marcelo.

Grãos armazenados

Os produtores rurais que fazem o plantio de soja na região de Rio Preto, depois da colheita, armazenam os grãos no silo graneleiro da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), localizado no distrito de Engenheiro Schmitt. De acordo com o responsável regional do Silo, Carlos Roberto do Espírito Santo, este ano, 30 mil toneladas de soja foram armazenadas no local.

"Dos últimos cinco anos, podemos considerar a safra 2019-2020, como uma das melhores na região de Rio Preto", disse o gerente. O silo graneleiro, de Engenheiro Schmitt tem capacidade para armazenar 60 mil toneladas de grãos - entre milho e soja - , além de açúcar a granel. "Em comparação com o ano passado, podemos notar a diferença, quando foram armazenadas 18 mil toneladas de soja".

Espírito Santo também explicou que a soja armazenada no silo graneleiro da Ceagesp é transportada para o porto de Santos e distribuída aos países que importam o produto do Brasil. "Já o milho estocado aqui, no silo, não é exportado, mas comercializado dentro do país", explicou.

Assim como em outras culturas, especialistas e pesquisadores alertam sobre a importância do planejamento da lavoura de soja, como a escolha da cultivar e o manejo, de modo que atendam às necessidades do clima e do solo da região Noroeste paulista. O engenheiro agrônomo da Casa de Agricultura de Guapiaçu, Roberto Pires de Albuquerque, destaca estes aspectos, ao afirmar que "o produtor rural, ao fazer o plantio da soja, precisa escolher a cultivar, que não pode ser a mesma que se planta, por exemplo, no estado do Paraná".

A plantação de soja, segundo Albuquerque, exige equilíbrio de nutrientes. Segundo ele, tem se verificado na região de Rio Preto o interesse de produtores que buscam o plantio do grão como rotação de culturas, além de renovar os canaviais. "Na renovação, planta-se a soja e aproveita-se como a segunda safra, também com o milho ou com o sorgo", explicou o agrônomo ao lembrar que a cana-de-açúcar só vai retornar o ciclo após seis ou sete anos.

No manejo da leguminosa, conforme o engenheiro agrônomo, requer do produtor rural equipamentos para o monitoramento de pragas e doenças, já que a incidência de mariposas, lagartas ou percevejos atacam as lavouras. "Em nossa região, o produtor pode fazer o plantio da soja um pouco mais tardio, mas sempre atento às condições climáticas." (CC)

A soja, considerada uma das commodities mais rentáveis no País, com safra recorde neste ano de 121 milhões de toneladas - conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) - , também ganhou espaço no Noroeste paulista para a reforma dos canaviais. É que na entressafra, as áreas de cana-de-açúcar podem servir para o plantio de soja, em rotação de culturas e ainda para preparar o solo, rico em nutrientes.

"A palha da cana-de açúcar beneficia muito a plantação de soja e traz maior rentabilidade para o produtor rural, utilizando as áreas de canaviais para fazer a rotação de culturas", disse o produtor rural e engenheiro agrônomo Rodrigo Duarte de Bello. Ele afirmou ainda que integra um grupo de produtores rurais do noroeste paulista, que está investindo nas culturas de cana-de-açúcar e de soja.

Um fator que Bello destaca é que os canaviais, para garantir a maior produtividade da cana-de-açúcar, precisam ser reformados, ou seja, depois de certa quantidade de colheitas consecutivas - podem variar de três a seis cortes- o ciclo pode se encerrar e o produtor precisa renovar o canavial. "Muitas usinas na região estão cedendo áreas, através de arrendamento, para os produtores de soja realizar o plantio do grão".

Em Fernandópolis, Bello plantou 510 hectares de soja, com um rendimento nesta safra de 54 sacas por hectare. "A colheita de 2020 foi muito positiva e as condições climáticas foram boas, mas ainda não atingimos a meta que é de um rendimento de 60 sacas para cada hectare", avaliou. Mas, conforme o produtor, em comparação com o ano passado, com produção de 45 sacas por hectare, a safra deste ano é satisfatória.

A integração entre o plantio de soja e o de cana-de-açúcar é muito positiva, como afirmou Duarte. "No canavial, a planta da soja consegue deixar benefício para o solo, evita o aparecimento de pragas e doenças, muito comuns aos canaviais. E para a soja, a palha da cana também colabora em nutrientes, com um aumento de produtividade entre 8% a 10%", disse o produtor rural. (CC)