Onda de calor dispara a procura por ar-condicionado em Rio Preto

PACIÊNCIA PARA 'GELAR'

Onda de calor dispara a procura por ar-condicionado em Rio Preto

A procura pelo aparelho aumentou, mas consumidor precisa ter paciência para as sonhadas noites mais tranquilas: espera chega a 15 dias; valor também subiu


Gerente Renato Rodrigues diz que procura por ar teve 
alta de 220%
Gerente Renato Rodrigues diz que procura por ar teve alta de 220% - Guilherme Baffi 9/10/2020

A onda de calor tem atrapalhado o sono de muitos moradores de Rio Preto e a primeira e melhor solução para resolver o problema é comprando um aparelho de ar-condicionado. Mas, quem deseja se refrescar nesses dias quentes terá que esperar pelo menos 15 dias. Isso porque as lojas e distribuidoras estão sofrendo com a falta do produto no mercado. Além disso, o consumidor irá encontrar produtos mais caros.

A falta do produto para pronta entrega é por conta da alta demanda que as lojas estão tendo nos últimos dias. Os lojistas e fabricantes não esperavam que a procura fosse tão alta e, com a oferta dos aparelhos menor, o resultado é a falta. Dependendo da loja em Rio Preto, a procura pelo aparelho aumentou em até 100% nos últimos 15 dias.

Se não bastasse a demora para os consumidores terem um alívio com o calorão, quem for comprar o ar- condicionado também vai pagar mais caro. O reajuste pode chegar até 15%, dependendo do revendedor. O consumidor que quer sair de 40 °C para 16 °C tem que desembolsar em média de R$ 2 mil, contabilizando a compra de um aparelho convencional de 9 mil btus e a instalação do aparelho, cujo valor é cobrado a parte.

A secretária e vendedora da JVM Ar- Condicionado Sandra Rosa de Mattos Caldeira diz que não foram apenas as vendas que aumentaram na loja, mas também as manutenções nos aparelhos. Segundo ela, houve um aumento de 100% nos pedidos de manutenções e a procura pelo aparelho cresceu em 80%.

Sandra ainda diz que a loja não tem aparelhos para pronta entrega, que o consumidor terá que esperar até oito dias úteis e que houve um aumento de até 10% no preço. "Aqui em Rio Preto quando as pessoas não conseguem dormir pelo forte calor, com isso todos resolvem ir às lojas no dia seguinte para comprar. Hoje, o preço de um ar split de 9 mil btus do modelo inverter está na faixa de R$ 1,8 mil a R$ 2 mil dependendo da marca".

O proprietário da loja Friolar, Odirlei Gerim, diz que aumentou em média 50% a procura por ar- condicionado. Ele diz que além da loja estar sofrendo pela falta do produto, os fornecedores também estão com o mesmo problema. A loja está pedindo de 10 a 15 dias de espera para os consumidores.

Segundo Gerim, a alta procura começa sempre em setembro, mas que com o forte calor a procura se intensificou nos últimos 15 dias. "Tivemos duas altas nos preços nos últimos meses que, no acumulado, chega a 15%. Em média, um ar-condicionado do modelo convencional de 9 mil btus está custando R$ 1,4 mil. No modelo inverter, também de 9 mil btus, está em média R$ 1,8 mil".

A vendedora da Conect Ar Malcinéia Rodrigues diosse que o telefone não para de tocar e que recebe muitas mensagens de clientes em busca do tão desejado ar-condicionado. Segundo ela, a procura aumentou em quase 100% nos últimos 30 dias e que o forte calor é o principal fator.

A loja não trabalha com pronta entrega e que o prazo para entrega é de dez dias. "Por conta da alta procura não tem como manter muitos produtos no estoque e para repor leva até 15 dias. Toda virada de mês tem reajuste, neste mês o aumento foi de 2%. O ar-condicionado de 9 mil btus do modelo convencional está na faixa de R$ 1,3 mil; no modelo inverter o valor é de R$ 1,7 mil".

O gerente comercial da Arcontemp, Renato de Paula Rodrigues, diz que a procura por ar-condicionado aumentou em 220% comparado aos últimos meses e em torno de 40% com relação ao mesmo período do ano passado. Ele ainda diz que registrou um aumento de 20% nos preços e a tendência é de ter novos aumentos. Na loja, um aparelho custa a partir de R$ 1,5 mil.

O gerente diz que não tem o produto a pronta entrega e que o prazo é de 15 a 20 dias úteis. "Há de se levar em conta que todas as distribuidoras de equipamentos de ar-condicionado têm centros de distribuição fora do estado de São Paulo. Devido à grande procura, o sistema de logística esta com dificuldade de fazer todas as entregas em menor prazo".

Cuidados

Antes de comprar o aparelho o consumidor deve tomar alguns cuidados. Segundo o consultor financeiro Flávio Neves, o consumidor deve pesquisar o preço em pelo menos três a cinco lojas. "Se você já tiver uma reserva financeira busque comprar à vista para tentar um bom desconto e evite parcelar para não ficar com uma dívida nos próximos meses. Se não tem reserva financeira, mas o parcelamento cabe no seu orçamento à compra pode ser feita sem grandes impactos".

(colaborou Leonardo Lino)

Agendar a instalação do ar-condicionado uma manutenção também não está fácil. Para instalar o aparelho em casa o consumidor terá que esperar pelo menos sete dias por conta da agenda dos técnicos estarem lotadas. Além disso, terá que desembolsar de R$ 350 a R$ 400.

O técnico de ar-condicionado Ivan Carlos Borges Rodrigues diz que o grande problema é que muita gente deixa para fazer as manutenções preventivas e instalações na última hora e isso acaba sobrecarregando quem trabalha na área. Para ele, o correto seria fazer esse trabalho durante o outono ou inverno, para não chegar neste período e querer o serviço o mais rápido possível.

Rodrigues contou que está trabalhando com agendamento de no mínimo cinco a sete dias e que a procura por instalação ou conserto aumentou 70%. "A procura pelos serviços está empatada, 50% quer fazer manutenção e 50% quer instalar. A procura só não está maior por causa da falta de aparelhos para venda nas lojas especializadas, por conta da pandemia e pelo alto consumo".

O técnico diz que para instalar ar- condicionado dos modelos convencionais de 9 mil a 18 mil btus custa em torno de R$ 350 a R$ 400. "As manutenções preventivas como limpezas periódicas, carga de gás, correção de vazamentos, troca de peças variam em torno de R$ 150 a R$ 850. Os serviços que ficaram mais caros são os que envolvem trocas de peças no geral, pois neste período de pandemia houve um aumento considerável nos preços destes insumos".

Empresas

A procura por instalações e manutenções em empresas também está aquecida. Segundo o vendedor da Inter Ar Vanderlei Marquezini, a demanda está tão alta que os agendamentos estão sendo feitos para 30 dias. "Empresas, mercados e lojas estão nos procurando. O problema é que eles querem para o mesmo dia e isso não é possível".

Segundo ele, muitas empresas suspenderam os contratos durante a pandemia e agora voltaram a todo vapor por conta do calor. "Quando não está calor ninguém se lembra de fazer as manutenções e é aí que está o problema. O certo seria fazer manutenções preventivas, mas todos preferem fazer as corretivas, que é quando não tem mais solução e precisam do serviço". (LL)