Cana-de-açúcar representa 80% da produção agrícola na região de Rio Preto

'VALE DA CANA-DE-AÇÚCAR'

Cana-de-açúcar representa 80% da produção agrícola na região de Rio Preto

Espécie predomina como a principal cultura agrícola presente no Noroeste paulista segundo o IBGE; seguida pela laranja e pela borracha; região possui 35 usinas de açúcar e álcool em 33 cidades


Cana de açúcar
Cana de açúcar - Arquivo/Agência Brasil

Quando alguém chega à região Noroeste do Estado de São Paulo é fácil constatar o que reina como produção agrícola aqui. A cana-de-açúcar, que tomou o lugar do café, é quem ocupa boa parte do território rural da região de Rio Preto, representando aproximadamente 80% da produção agrícola dos 114 municípios da região de Rio Preto. É o que mostra a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) intitulada Produção Agrícola Municipal 2019.

É fácil compreender o apelido "vale da cana-de-açúcar" e os motivos do produto agrícola gerar tanto emprego nos pequenos e até médios municípios da região. São pelo menos 35 usinas de açúcar e álcool em 33 cidades.

Além da cana-de-açúcar, a laranja e a borracha também se destacam. Essa última, inclusive, mesmo representando 4,3% do total de produção agrícola regional, consegue colocar o Noroeste Paulista como um dos principais polos produtores de borracha natural do País. Mirassol é a cidade com o maior número de área cultivada de borracha na região, com 2.660 hectares.

A laranja, presente em 105 dos 114 municípios, ocupa a segunda colocação do ranking de maior área cultivada. Altair é a que concentra a maior fatia dos pomares regionais. Dos 60.429 hectares com pomares de laranja na região, 4.893 hectares ficam apenas na cidade. "A laranja é forte porque o Brasil exporta muito o suco", apontou o economista Hipólito Martins Filho.

Para o professor do departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (USP), Edgar Gomes Ferreira Beauclair, a vocação da região de Rio Preto para a cana-de-açúcar pode ser vista de forma positiva. "Cada região tem uma vocação, que com menor custo se produz. Na região é a cana-de-açúcar. Por essa razão, São Paulo é um dos maiores produtores do País".

Para o professor, além de o clima favorecer o cultivo da cana na região, o avanço do setor também contribuiu para que cada vez mais terras fossem arrendadas para a cana, principalmente, em comparação ao café que era predominante no passado. "Na verdade, o café é um investimento que apresenta uma variação de preço. Isso levou à substituição dele. E hoje uma das questões no campo que pesa muito, é que a colheita do café ainda é manual e está muito difícil ter pessoas dispostas a trabalhar no campo. Apesar de ser um trabalho honesto, é um trabalho muito duro colher café, assim como era o corte de cana, mas agora a colheita está toda mecanizada", disse.

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, aponta que a alta geração de emprego em pequenos municípios também favorece o predomínio do cultivo da cana na região. "O valor da receita e da atividade muitas vezes fica nos próprios municípios, os empregados gastam o dinheiro no comércio regional. Isso dá uma dinâmica grande para economia local".

Na opinião de Hipólito, a tendência é que cada vez mais as empresas, principalmente, as sucroalcooleiras necessitem de mão de obra especializada. "Antes, tínhamos muito a ideia do profissional chegando no campo e sendo tratorista, mas nada além disso, hoje se ele tiver conhecimento e cursos superior, cresce na empresa e até gerencia uma fazenda, ou seja, melhorou a qualidade de vida do profissional".

Soja

Outra produção agrícola que também se destaca é a soja em grão, que ocupa 3,6% do território cultivado regional. Apenas em José Bonifácio, campeão de área cultivada, foram 4.200 hectares dedicados para a soja em 2019. Já o milho, ocupa 2,8% do território agrícola do Noroeste Paulista, com Nova Granada liderando a produção do produto em 2019, com 1.920 hectares.

Também aparecem na lista de produtos mais cultivados regionalmente o amendoim, ocupando 1,7% da região e o limão, com 1,1%. Demais produtos, como mandioca, maça, uva, entre outros concentram os 1,9% restantes.

Destaques

80% da área de plantações agrícolas da região é de:

  • Cana-de-açúcar - 1.037.836 hectares
  • Olímpia - 43.800 hectares

4,6% da área de plantações agrícolas da região é de:

  • Laranja - 60.429 hectares
  • Altair - 4.893 hectares

4,3% da área de plantações agrícolas da região é de:

  • Borracha - 55.990 hectares
  • Mirassol - 2.660 hectares

3,6% da área de plantações agrícolas da região é de:

  •  Soja (em grão) - 46.701 hectares
  • José Bonifácio - 4.200 hectares

2,8% da área de plantações agrícolas da região é de:

  • Milho - 36.497 hectares
  • Nova Granada - 1.920 hectares

1,7% da área de plantações agrícolas da região é de:

  • Amendoim - 22.437 hectares
  • Novo Horizonte - 2.000 hectares

1,1% da área de plantações agrícolas da região é de:

  • Limão - 14.301 hectares
  • Itajobi - 4.376 hectares

Fonte: IBGE - Produção Agrícola Municipal

Cidades com usinas de açúcar e álcool da região

  • Fernandópolis
  • Planalto
  • Santo Antônio do Aracanguá
  • Ariranha
  • José Bonifácio
  • Catanduva
  • Olímpia
  • Buritama
  • Pontes Gestal
  • Frutal
  • General Salgado
  • Icém
  • Mendonça
  • Monções
  • Ouroeste
  • Pereira Barreto
  • Potirendaba
  • Santa Albertina
  • Meridiano
  • Orindiúva
  • Ubarana
  • Palestina
  • Sud Mennucci
  • Sebastianópolis do Sul
  • Severínia
  • Paraíso
  • Novo Horizonte
  • Tanabi
  • Suzanápolis
  • Guaraci
  • Marapoama
  • Onda Verde

Fonte: Nova Cana