Indústria fatura igual ao período pré-crise

REAÇÃO

Indústria fatura igual ao período pré-crise

Horas trabalhadas na indústria acumulam alta de 25,1% desde maio


Segundo a CNI, parque industrial que vem sendo utilizado 'está praticamente de volta ao período anterior à crise'
Segundo a CNI, parque industrial que vem sendo utilizado 'está praticamente de volta ao período anterior à crise' - Divulgação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta terça-feira, 6, que o faturamento de agosto do setor ultrapassou o patamar verificado no início do ano, antes do início da pandemia da Covid-19.

Segundo o relatório "Indicadores Industriais", publicado pela entidade, a utilização da capacidade instalada, que aponta quanto do parque industrial vem sendo utilizado, "está praticamente de volta ao período anterior à crise".

De acordo com a entidade, o faturamento real da indústria aumentou 2,3% em agosto na comparação com julho e 3,6% em relação ao mesmo mês de 2019. No acumulado do ano, no entanto, o faturamento ainda acumula queda de 3,9%, em relação ao período de janeiro a agosto de 2019.

Segundo a CNI, o emprego industrial registrou em agosto a primeira alta neste ano e cresceu 1,9% em relação ao indicador de julho. Com relação a agosto de 2019, houve queda de 2,9%. "Com esse desempenho, o nível de emprego já se encontra próximo do que vigorava pré-crise, após ajuste sazonal", informou a entidade.

Segundo a pesquisa da CNI, a utilização da capacidade instalada ficou em 78,1%. Após ajustes sazonais, o índice ficou apenas 0,8 ponto porcentual abaixo do registrado em fevereiro deste ano, antes da pandemia.

As horas trabalhadas nas fábricas aumentaram 2,9% em relação a julho, mas continuaram 3,3% abaixo do nível do mesmo mês de 2019. As horas trabalhadas na indústria acumulam alta de 25,1% desde maio, mas também não retornaram ao patamar pré-pandemia.

Apesar do crescimento de 4,5% em agosto ante julho, a massa salarial real na indústria está 5,0% abaixo do nível de agosto de 2019. Da mesma forma, o rendimento médio do trabalhador do setor cresceu 2,8% na comparação mensal, mas ainda apresentou recuo de 2,2% na comparação anual.

Mesmo com o bom desempenho dos indicadores industriais em agosto, o resultado acumulado nos oito primeiros meses de 2020 mostra o tamanho da crise que a pandemia causou no setor. Na comparação com o mesmo período do ano passado, há quedas em faturamento (-3,9%), emprego (-2,7%), horas trabalhadas (-8,2%), massa salarial (-6,1%) e rendimento médio (-3,6%).

Recuperação

A avaliação da entidade é que os números reforçam a percepção de recuperação em V da atividade industrial, que veio acompanhada pelo crescimento do emprego, o que sugere maior confiança do empresário. Recuperação em V é um termo usado por economistas para relatar uma retomada intensa depois de uma queda vertiginosa na atividade econômica.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) de agosto alcançou 78,1% e se encontra 0,8 ponto percentual abaixo do percentual de fevereiro deste ano. Além disso, a massa salarial registrou aumento de 4,5% em agosto, na comparação com julho. Para a CNI, o crescimento mais que compensou a queda do mês anterior, mas o indicador ainda está distante do patamar pré-pandemia e algumas empresas ainda estão adotando suspensão de contrato ou redução de jornada de trabalho.

De acordo com a pesquisa, acompanhando o movimento da massa salarial, o rendimento médio real pago aos trabalhadores cresceu 2,8% em agosto na comparação com julho, após ajuste sazonal. Nesse caso, o rendimento médio também é afetado pelos acordos de redução de jornada ou suspensão de contrato, e se encontra distante da realidade pré-pandemia. Na comparação com agosto de 2019, a queda é de 2,2%.