Programa capacita 109 empreendedores em Rio Preto e outras três cidades

EMPREENDEDORISMO

Programa capacita 109 empreendedores em Rio Preto e outras três cidades

A finalidade é ajudar na geração de renda por meio do empreendedorismo e, assim, diminuir as desigualdades sociais


Nathalia Rocha Mendes participou do programa e conseguiu focar o nicho do seu negócio
Nathalia Rocha Mendes participou do programa e conseguiu focar o nicho do seu negócio - Johnny Torres 2/10/2020

Se tornar empreendedor e gerar renda por meio do próprio negócio é o sonho de muitos brasileiros. Os desafios são muitos e parecem ainda maiores para jovens em situação de vulnerabilidade social. Como era o caso da rio-pretense Nathália Rocha Mendes, 28 anos. Panificadora formada, ela sempre teve a vontade de explorar suas habilidades em uma área diferente do que o mercado de trabalho disponibilizava. "Eu tinha vontade de abrir minha própria empresa, mas tinha medo. No começo, a gente fica desmotivado e sem saber por onde começar".

Por conta da insegurança, era comum Nathália encontrar empecilhos que adiassem o início do sonho. "Eu dizia para mim mesma que iria começar depois que tivesse minha cozinha pronta. Eu tinha o talento, mas ficava me bloqueando".

O 'start' começou depois que Nathália foi selecionada para participar do projeto Conecta, um programa que foi criado com o objetivo de capacitar jovens de 18 a 34 anos que precisam abrir um negócio.

O Conecta é um projeto social da Copersucar - empresa de exportação de açúcar e álcool, realizado em parceria com o Instituto Crescer. Em 2020, ele completa cinco anos de existência. Além de Rio Preto, é realizado em Ribeirão Preto e Paulínia e Santos, cidades onde a empresa atua.

A finalidade é ajudar na geração de renda por meio do empreendedorismo e, assim, diminuir as desigualdades sociais, destaca Monica Jean, gerente de sustentabilidade e meio ambiente da Copersucar. "Não investimos apenas em ações de qualificação profissional. É um programa focado no desenvolvimento do próprio indivíduo, nas suas qualidades e competências. Fazemos com que esse jovem comece a se valorizar como pessoa e conquiste a própria autonomia".

O curso de empreendedorismo consiste em uma formação gratuita para jovens que queiram transformar ideias em projetos e montar seu próprio negócio. Em cinco anos, 109 empreendedores foram formados na cidade; são profissionais que passaram a atuar nos ramos de serviço, beleza e alimentação. Na região de Rio Preto, o projeto já impactou quase 4 mil pessoas durante cursos profissionalizantes, oficinas artísticas, atividades esportivas e ações voluntárias.

Apesar de ser um programa de enfoque no empreendedorismo, o projeto trabalha diferentes aptidões profissionais que faz os participantes serem cada vez mais procurados pelo mercado de trabalho. "Cerca de 70% dos nossos alunos conseguem emprego depois de passarem pelo curso, porque estão mais preparados para o mercado. Isso acontece porque as pessoas aprendem não só a vender o próprio produto, mas também a própria imagem".

No caso da Nathália, o curso foi essencial para que ela pudesse encontrar um nicho específico para atuar. A ideia inicial era a de montar uma salgaderia, mas ela percebeu a necessidade que muitos empresários e executivos tinham em encontrar um serviço que fornecesse café da manhã e coffee break personalizado durante eventos empresariais. Foi aí que nasceu a Girassol Delícias.

"Tivemos uma aula com a participação de empresários de Rio Preto. Foi aí que eu enxerguei como funciona o mundo corporativo e decidi montar um plano de negócio específico para atender esse mercado", recorda. Atualmente, ela tem um contrato fechado com uma empresa e atende clientes avulsos.

"O curso foi muito importante. Aprendi a calcular custo, preço de venda e fazer o controle de estoque. E eles sempre te incentivam a buscar cada vez mais conhecimento", reforça.

Esse conhecimento e a capacidade de se reinventar foram necessários durante o início da pandemia, que restringiu a realização de diversos eventos corporativos. O jeito foi recorrer ao caderno de anotações e encontrar uma forma de continuar atuando. "Passei a oferecer o serviço de maneira individual, com tudo embalado separadamente. Foi a estratégia que tivemos para permanecer atendendo às empresas que não pararam".

Hoje, Nathália já conseguiu finalizar a cozinha de casa e continua trabalhando para reformar o resto do imóvel. "Posso dizer que meu sonho deu certo. Me sinto realizada no que eu faço" diz Nathália.

Pandemia

Em agosto, o Conecta retirou o limite de idade de 34 anos para que os candidatos a empreendedores participem do programa. A idade mínima continua sendo 18. Segundo gerente de sustentabilidade e meio ambiente da Copersucar, essa flexibilidade continua válida durante a pandemia e será reavaliada após o fim da doença.