Empresas de Rio Preto investem em capacitação profissional

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS

Empresas de Rio Preto investem em capacitação profissional

Empresas de Rio Preto e região investem em educação para capacitar colaboradores e franqueados; resultado é maior conexão com a cultura da empresa, desenvolvimento pessoal e produtividade


Felipe Marim, da Unimed: formação e capacitação das equipes
Felipe Marim, da Unimed: formação e capacitação das equipes - Guilherme Baffi 23/9/2020

Há empresas que existem há décadas e não conseguem fazer com que seus colaboradores entendam qual é sua missão, seus valores, o propósito do negócio. Outras, atentas à importância de difundir a cultura da organização, investem na criação das universidades corporativas - instituições de ensino dentro da própria empresa, voltadas a desenvolver sua equipe e melhorar a produtividade. Essa iniciativa chegou à região, com empresas de diferentes setores investindo em educação corporativa.

Preocupação de grandes empresas nacionais há um bom tempo, o olhar para a educação dos colaboradores ganha força entre as empresas do interior por meio agora não de treinamentos ofertados de fora, mas em suas próprias plataformas. E, com o desenvolvimento da tecnologia, o formato à distância (EAD) facilita a criação dos projetos. Segundo a professora Adriana Gomes, coordenadora da área de carreiras da ESPM, esse movimento ocorreu cerca de 15 anos atrás no País, mas ficou estagnado desde então. "É muito positivo que as empresas saibam o valor da educação tanto para o indivíduo quanto para a corporação".

A especialista explica que canalizar recursos para o treinamento e desenvolvimento de sua equipe é o melhor investimento que uma empresa pode fazer para ter vantagens competitivas. Ela ressalta que os profissionais saem formados dos bancos de universidades ou escolas técnicas, capacitados em suas áreas de atuação, mas não de acordo com as premissas da empresa. "Com essa formação se consegue disseminar a cultura organizacional, estabelecer os valores e reforçar o sistema de crenças".

Dentro deste contexto, os funcionários passam a ficar mais alinhados aos conteúdos que as empresas necessitam transmitir às equipes. Por exemplo, é possível ensinar aos colaboradores questões ligadas a vendas, atendimento de clientes, liderança de equipe, assertividade, até demandas bem técnicas relativas ao negócio. "Investimentos em formação, treinamento e desenvolvimento fazem com que os colaboradores tenham maior engajamento e que melhore a produtividade", afirma.

Em tempos de pandemia, especialmente, as empresas não têm restringido os cursos que oferecem aos colaboradores apenas a temáticas técnicas ou relacionadas a questões comportamentais. Neste momento em que a saúde mental, tanto quanto a física necessita de tantos cuidados, as empresas se voltam a treinamentos que buscam diminuir o stress da equipe e que possam melhorar sua qualidade de vida.

E, quando se fala em desenvolvimento das competências comportamentais dentro de uma empresa, há um ponto crítico, principalmente envolvendo líderes e gestores - que são os replicadores da informação, afirma Adriana. "É um desafio grande lidar com essas questões comportamentais, seja ela comunicação, assertividade, negociação, liderança e gestão de equipes. São competências importantes e muitas vezes relegadas a um segundo plano, quando as competências técnicas são priorizadas", afirma.

Dentre os muitos ganhos que esse tipo de investimento proporciona para a corporação, Adriana destaca o que está relacionado ao employer branding, ou seja, à imagem da empresa enquanto local de trabalho. "A atratividade dessa organização acaba ficando forte e as pessoas querem trabalhar nessas empresas. Quem se candidata também quer saber os benefícios que a empresa oferece. E treinamento e desenvolvimento, que custa caro, é um convite para atrair bons talentos e para reter bons profissionais".

Implantação

A Unimed Rio Preto acaba de lançar sua universidade corporativa, uma plataforma online com conteúdos, treinamentos e cursos voltadas à equipe. Segundo Felipe Augusto Marim, gerente de Gestão de Pessoas da cooperativa, em um mês 40% dos colaboradores já acessaram a plataforma (447 pessoas)e 304 fizeram algum dos nove cursos disponíveis.

Ele explica que o investimento na plataforma não foi muito alto e o que seria direcionado para cursos presenciais foi redirecionado. "Já tínhamos essa ideia desde 2019 e a pandemia acabou acelerando sua execução", afirmou.

Segundo Felipe, uma plataforma online melhora a gestão do tempo - já que não precisa parar um departamento todo ao mesmo tempo. Os cursos ocorrem durante o horário de trabalho. Entre os temas, tudo que é relacionado à cultura da empresa, além de cursos técnicos e comportamentais. "Um dos já liberados trata de coragem, que está bem em linha com esse momento de pandemia".

Uma das pioneiras em Rio Preto foi a Rodobens, que criou sua universidade em 2013. "O objetivo é capacitar nossos profissionais em temas que contribuam para o desenvolvimento de suas atividades e também promover a troca de experiências e conteúdos uma vez que todos os colaboradores da empresa podem sugerir ou desenvolver temas de treinamento de forma colaborativa", afirmou Ricardo Nazário, superintendente de Gente e Gestão da empresa.

O conteúdo também é bastante amplo, desde temas comportamentais, como liderança, oratória, relações interpessoais, até temas técnicos, como vendas, Excel, etc. Segundo Ricardo, os conteúdos em formato de vídeo estão disponíveis na plataforma da universidade, no modelo da Netflix, treinamentos presenciais, que ocorriam antes das medidas de isolamento, e treinamentos digitais.

"Temos temas específicos da empresa, temas abertos e uma inovação onde o colaborador pode recomendar um assunto que seja pertinente ao trabalho ou que melhore a vida dos colaboradores".

Para o trainee Rafael Spegiorin Cantero, a universidade tem contribuído com seu desenvolvimento pessoal e profissional. "Os cursos alinham a teoria à prática, dando a possibilidade de aplicação no dia a dia da empresa", disse.

Fundada em 2015, a Tereos Academy tem como objetivo contribuir para o desempenho operacional de longo prazo do grupo. Cerca de 10 mil colaboradores já receberam os treinamentos. São módulos de acompanhamento, presencial ou online, em quatro áreas, em que os colaboradores reforçam a adesão aos valores do grupo e os líderes também podem melhorar a eficiência em sua área.

"O objetivo é disseminar as melhores práticas, formar especialistas na multiplicação de conhecimentos e, por fim, proporcionar ao nosso time conhecimentos diferenciados, como entender mercados, clientes, atividades e produtos", afirmou Rui Carvalho, gerente executivo de Desenvolvimento Humano e Organizacional da empresa.

 

Com cerca de 600 unidades espalhadas pelo Brasil e no exterior, a fabricante de piscinas Igui, cuja sede fica em Cedral, criou sua universidade corporativa no ano passado. Totalmente digital, a universidade está disponível por meio de uma plataforma de educação a distância.

De acordo com Lilian Marques, diretora da Tratabem, franquia de serviços da rede, e idealizadora do projeto, os cursos são destinados aos franqueados e aos colaboradores. "Estruturamos cursos focados no crescimento empresarial do franqueado. Temos temas técnicos relacionadas à instalação de piscinas, de venda de produtos, gestão de pessoas, desenvolvimento pessoal, português e até mesmo relacionado aos cuidados com saúde mental".

Neste um ano de criação do projeto, a adesão está na casa de 90% dos franqueados participando de algum tipo de treinamento disponível. "O resultado tem sido positivo. Tivemos um crescimento nas vendas recorde e a universidade contribuiu para que o franqueado vendesse com mais qualidade e conseguisse superar seus medos."

Gravado no estúdio do grupo, os cursos permitem que franqueados e colaboradores entendam melhor o modelo do negócio. A novidade é que estão sendo traduzidos para o inglês e para o espanhol, para serem replicados nas franquias instaladas no exterior. (LM)