Em recuperação judicial, Grupo Moreno realiza nova assembleia

Recuperação judicial

Em recuperação judicial, Grupo Moreno realiza nova assembleia

Dívidas são estimadas em R$ 2 bilhões; plano prevê venda de usinas


Grupo tem três usinas no Estado de São Paulo, duas na região de Rio Preto
Grupo tem três usinas no Estado de São Paulo, duas na região de Rio Preto - Divulgação

Uma nova assembleia de credores da Recuperação Judicial do grupo Moreno, que atua no setor sucroenergético, está marcada para a próxima segunda-feira, 28. Na reunião online - neste formato em função da pandemia de coronavírus - está prevista uma nova rodada de discussões para aprovação do plano de recuperação do grupo, que prevê a venda de alguns ativos para quitar dívidas estimadas em cerca de R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,2 bilhão com bancos.

Com 60 anos de história, o grupo Moreno é composto por três usinas, a Central Energética Moreno Açúcar e Álcool (CEM), localizada em Luiz Antonio; a Central Energética Moreno de Monte Aprazível Açúcar e Álcool (CEMMA) e Coplasa Açúcar e Álcool Ltda, instalada em Planalto, essas duas na região de Rio Preto.

Atualmente, as três usinas têm capacidade para moer 13 milhões de toneladas de cana por ano, produzindo açúcar e etanol. Segundo a empresa, o grupo tem influência direta na economia de 52 municípios, empregando aproximadamente 5 mil pessoas e gerando mais de 15 mil empregos indiretos. O grupo tem ainda plantações de cana e atua com geração e comercialização de energia elétrica.

Com cerca de 7 mil credores entre trabalhadores, produtores de cana-de-açúcar, parceiros, bancos, entre outras empresas, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial em setembro de 2019, que foi deferido pela Justiça. Entre as justificativas, a crise econômico-financeira pela qual passa o setor nos últimos anos - que registrou pedidos de outras empresas do ramo -, além de questões como falta de acesso a financiamentos bancários a custos razoáveis desde 2015 e aumento da competição para compra de cana de açúcar, elevando o preço da matéria-prima.

As plantas industriais do grupo estão em operação. Na safra atual, vão processar 9,060 milhões de toneladas de cana, que originarão 13,8 milhões de sacas de açúcar e 323,7 mil metros cúbicos de etanol. De acordo com informações contidas no plano de RJ, a projeção é de honrar os compromissos assumidos, já que há um cenário de preços bem remuneradores na safra atual, com sinalização de manutenção nas próximas duas safras, aliado aos investimentos agroindustriais que foram mantidos.

"Diante do exposto, o grupo Moreno busca superar a sua crise econômico-financeira e reestruturar seus negócios, com o objetivo de preservar a sua atividade empresarial como fonte de geração de empregos, tributos e riquezas; estabelecer a forma de pagamento dos credores, sempre com vistas a atender aos melhores interesses de todos e possibilitar o soerguimento do Grupo Moreno, por meio da restruturação do seu passivo e de suas garantias, bem como da obtenção de novos financiamentos; de modo a manter e expandir a atividade empresarial que desenvolve em 52 municípios", diz trecho do pedido de recuperação apresentado à Justiça.

De acordo com o advogado Donaldo Luis Paiola, que representa cerca de 750 credores fornecedores de cana e arrendatários de terra, a assembleia da próxima segunda-feira é uma continuação de duas anteriores realizadas em agosto e setembro também para apreciação do plano e que foram suspensas por falta de consenso. Ele explicou que está havendo uma dificuldade na aprovação do plano porque os bancos não estariam concordando com a forma de pagamento apresentada no plano, que, para ele, é considerado bem construído. "Fornecedores, parceiros e trabalhadores estão de acordo, mas os bancos não", disse.

Plano

O plano de recuperação prevê a venda de parte dos ativos, as usinas CEM e CEMMA. Diante da necessidade de caixa, o plano projeta ainda a obtenção de novos financiamentos. Parte de seus ativos podem entrar como garantia desses empréstimos. O plano apresentado ainda permite que as empresas em recuperação façam uma reorganização societária.

O advogado explicou que dívidas no valor de até R$ 19 mil seriam pagadas em até 30 dias da homologação do plano; de até R$ 100 mil em 24 parcelas e, acima desse valor, em 36 vezes. Segundo Paiola, ainda, as dívidas com fornecedores e parceiros está na casa de R$ 70 milhões, mas com bancos, acima de R$ 1 bilhão.

Ainda segundo Paiola, o Santander, um dos credores do grupo, estaria intermediando a venda para uma multinacional, num valor que não seria suficiente para arcar com as dívidas e, portanto, não seria de interesse dos credores.

O Santander foi procurado, mas informou que não se manifestaria. Representantes do grupo também preferiram não comentar o assunto e a empresa Laspro Consultores, administradora judicial da RJ, também informou que não atende às demandas da imprensa.