Lojistas do setor de artigos religiosos registram alta nas vendas em Rio Preto

O VALOR DA FÉ

Lojistas do setor de artigos religiosos registram alta nas vendas em Rio Preto

Com igrejas e templos fechados ou com a capacidade reduzida, fiéis recorrem a lojas de artigos religiosos para se manterem conectados à espiritualidade; segmento tem alta de até 40% nas vendas


Paulo Aranha conta que consumidores têm procurado de tudo: imagens, incensos, velas
Paulo Aranha conta que consumidores têm procurado de tudo: imagens, incensos, velas - Guilherme Baffi 8/9/2020

Com a pandemia do coronavírus, igrejas e templos foram fechados ou estão com a capacidade de atendimento reduzidos, e ainda é preciso continuar lidando com medos e novos temores provocados pela doença que não para de fazer vítimas. Para se conectar à espiritualidade, os rio-pretenses têm procurado mais imagens de santos, objetos e livros ligados à religiões. Teve empresa que até contratou funcionários para atender ao aumento da demanda.

Empresas especializadas em artigos religiões, esotéricos e que tenham relação com o sagrado registram aumento no faturamento de até 40% em plena pandemia, em comparação com igual período do ano passado.

A explicação dos lojistas é justamente esse olhar que se voltou para dentro, essa preocupação com o bem-estar da família e a busca pela proteção divina. Se as igrejas estão fechadas, é só fazer da própria casa um ambiente para rezar, orar, meditar e agradecer.

É o caso do empresário Paulo Aranha, do Espaço Místico, que tem duas lojas do ramo em Rio Preto. Segundo ele, houve uma alta de 30% no faturamento em função das vendas de itens religiosos e esotéricos dos mais variados tipos. Ele destaca uma grande procura por imagens religiosas, em especial pelas estatuetas de São Jorge e Nossa Senhora Aparecida, ambas com alta de 50% neste ano. "Eu comprava 200 Aparecidas por mês; agora estou comprando 300", disse. Os preços são a partir de R$ 16.

Com 15 anos de experiência no setor, Paulo conta que entre os campeões de vendas ainda estão velas e incensos. Para atender à demanda, contratou dois funcionários e hoje, sua mulher, cuida apenas das redes sociais da empresa. "Sabemos da situação do País. Hoje as pessoas estão comprando em menor valor, mas o volume aumentou. Se a média diária era de 200 pessoas, hoje são 300, 350 consumidores por dia".

A empresa também tem um nicho forte em artigos para candomblé e umbanda, tanto que chega a enviar para países como China e África seus produtos importados. "Nossa loja é totalmente eclética, foi desenvolvida para todos os tipos de religiões", afirmou.

Quem também viu o faturamento crescer neste período foi a empresária Ana Paula Ribeiro Cury, da loja Santo Santo Santo, especializada em artigos religiosos com uma pegada mais moderna, atual e colorida. O carro-chefe da empresa são as pulseiras de silicone com santos (a partir de R$ 40). A novidade entre as peças são as frases de salmos. "As pessoas estão tendo uma busca incessante para se sustentar através da fé e da religião", diz.

Na empresa também há itens de decoração como placas, abajures, além de outros modelos de pulseiras e incensos litúrgicos. Com a alta de 40% nas vendas, houve também necessidade de mais um funcionário para a equipe. "Logo no começo da pandemia, quando veio a onda do medo, fizemos um terço por 40 dias, junto com meus seguidores, e isso me fortaleceu muito", disse Ana Paula.

Segundo ela, o público que tem procurado pelos objetos que promovem essa conexão interna é formado por jovens, com idade entre 22 e 45 anos e que está muito ligado nas redes sociais. Para chegar mais longe, a empresa investe forte no Instagram e nas vendas pelo Whastapp. "As pulseiras fazem lembrar do que faz bem e traz essa força. Independentemente da religião, a fé colore a alma. É esperança", diz.

Retração

Mas, nem tudo é motivo de comemoração. Livrarias que atuam principalmente com livros e outros materiais impressos voltados à igreja católica amargam uma queda vertiginosa no faturamento, algo em torno de 70%. Isso porque as vendas eram muito atreladas ao trabalho realizado pelas paróquias, que tiveram suas atividades interrompidas em função das medidas de distanciamento social impostas para conter a disseminação do coronavírus.

Se houve queda nas vendas de maior volume, observou-se um crescimento na procura por itens para que se professe a fé individualmente ou em família, dentro de casa, como c crucifixos, velas, imagens e medalhas de santos e livros de novena. "As pessoas estão querendo estar mais próximas com o sagrado para se sentirem protegidas", afirmou Sandra Regina Martins Peres, gerente da Livraria Paulus.

Ela conta que houve aumento na procura por livros e objetos devocionais, em especial relacionados a santos como Padre Pio, São Bento e São Miguel Arcanjo. "As pessoas que já tinham hábito de ir à missa se habituaram às celebrações online. As outras começaram a fazer novenas, acender velas, a pensar mais no lado espiritual, devocional", disse.

Na livraria El Shaddai, segundo a gerente Heloiza Silvestre, com a ascensão do mercado de streaming e com a facilidade do acesso à internet, de um modo geral, a empresa já vem criando mecanismos de atender ao mercado em suas necessidades mais específicas, ou seja, procurando livros e artigos de modo mais artesanal, mais próximo da vontade do cliente. "Durante a pandemia isso não foi diferente. A gente percebeu uma queda no número de vendas presenciais - uns 14% - mas logo conseguimos criar possibilidades de entrega que respeitem as normas de segurança emitidas pelas autoridades competentes", disse.

Ainda segundo ela, nestes dias de incertezas, as pessoas estão buscando lidar melhor com a espiritualidade e têm procurado a empresa de diferentes maneiras: "não só para consumir, mas também para conversar e fortalecer a fé, que é um princípio cristão que a gente prioriza muito: o acolhimento pautado no amor ao próximo"

Mais consumo

A terapeuta holística e taróloga Ghianiny Scabora conta que aumentou muito o consumo dos artigos ligados à espiritualidade, tanto para uso próprio, em suas meditações, como em seu trabalho profissional. "AS pessoas têm procurado melhorar as energias", disse.

Para isso, recorrem às terapias como aromaterapia, cromoterapia e artigos variados para melhorar o bem-estar. "Nas minhas meditações uso muito cristal, vela, incensos e óleos essenciais", explica.