Em cinco meses, Rio Preto ganha 3 mil empreendedores individuais

EMPREENDER É A SOLUÇÃO

Em cinco meses, Rio Preto ganha 3 mil empreendedores individuais

Eles encontraram nessa modalidade jurídica a opção para fugir do desemprego ou perda de renda


Há quatro meses, o casal Katiele Brandão Santana e Nilson da Silva Gonçalves aposta na venda de pizzas
Há quatro meses, o casal Katiele Brandão Santana e Nilson da Silva Gonçalves aposta na venda de pizzas - Johnny Torres 5/9/2020

Nos últimos cinco meses, Rio Preto ganhou 3,1 mil novos microempreendedores individuais (MEIs). Atualmente, o número de rio-pretenses que optaram por essa modalidade de atuação já chega a 35,5 mil. No início de março, antes da pandemia, eram 32,3 mil - um crescimento de 9% no período.

A pandemia do coronavírus é uma das razões do aumento no número de pessoas que partiram em busca do negócio próprio. No entanto, ela não é a única razão, afirma a gerente regional do Sebrae Rio Preto, Iroá Arantes. "É uma junção de vários fatores. Isso também é um reflexo do que já vinha acontecendo por conta da mudança nas leis trabalhistas, com relação à tomada de decisão de algumas empresas".

A migração do trabalho registrado em carteira para a modalidade jurídica já era uma tendência e deve permanecer nos próximos anos, avalia Iroá. O número de MEIs registrados no mesmo período do ano passado reforçam ainda mais esse argumento. Entre março e agosto de 2019, a cidade registrou o surgimento de também 3,1 mil.

Iroá destaca que muitas pessoas partiram para o empreendedorismo motivados pela falta de oportunidades de emprego, provocado principalmente pela pandemia, mas também pela constatação de que muitas vagas serão extintas. "Tem-se a expectativa e a tendência que não se volte a ter a criação de todos os empregos perdidos ao longo desse período. Quer dizer, não voltaremos a ter o mesmo volume de empregos que tínhamos antes da pandemia".

Empreender é preciso

Com o início da pandemia, muitas pessoas buscaram no empreendedorismo uma maneira de conseguir renda. Esse é o caso da empreendedora Katiele Brandão Santana, 27 anos, que passou a investir na venda de pizzas delivery depois que precisou deixar o emprego em uma confecção de roupas. Com a suspensão das atividades da creches municipais, ela precisou pedir desligamento da empresa na qual trabalhava para cuidar da filha de dois anos.

O marido, Nilson Gonçalves é padeiro em um hotel e teve a carga horária e o salário reduzidos com o início da quarentena. Diante da diminuição na renda, o casal passou a vender pães caseiros para conseguir complementar o orçamento. "Nós íamos de madrugada na porta de fábricas e empresas que ainda estavam funcionado para vender. Mas estava sendo muito puxado, principalmente porque tínhamos que levar nossa filha, então decidimos mudar a estratégia", conta ela.

A ideia da pizza surgiu meio que por acaso, conta. O marido fez alguns testes com a massa e o resultado acabou agradando. "Fizemos pra gente mesmo, mas as pessoas gostaram e começamos a vender", lembra ela. A produção ocorre dentro de casa mesmo e a entrega fica por conta do marido. Nos finais de semana, eles chegam a vender até 20 unidades, mas sonham em aumentar o negócio.

Disposta a seguir em frente com o projeto, Katiele buscou orientação no Sebrae sobre como montar um negócio. "Nós decidimos nos regularizar porque nossa intenção é crescer. Diante de tudo o que está acontecendo, não me vejo mais trabalhando com carteira assinada", reflete.

Nathália Rocha Mendes, 28 anos, também não se imagina mais trabalhando em uma empresa na qual precisa atuar fora de casa e cumprir horário fixo. Com a suspensão das aulas, as duas filhas passaram a ficar o dia todo em casa. "Sendo MEI, eu consigo trabalhar de casa, ganhar meu próprio dinheiro e ainda acompanhar o desenvolvimento delas".

Formanda em panificação, Nathália abriu um serviço que fornece café da manhã para empresas. O plano de negócio formado antes da pandemia previa atender eventos, palestras a reuniões empresarias. Mas a estratégia teve que mudar. "Passei a oferecer o serviço de maneira individual, com tudo embalado separadamente. Foi a estratégia que tivemos para permanecer atendendo às empresas que não pararam".

Atualmente, a empreendedora produz entre 100 e 150 cafés da manhã por dia. "Tenho um contrato fechado com uma empresa e atendo clientes avulso. Sindo que me realizei no que eu faço. Se não fosse isso, não sei o que faria para conseguir cuidar das minhas filhas".

Desde o início do mês, passou a valer em todo território nacional uma a resolução que permite que MEIs sejam dispensados de alvará, ato público de liberação de atividades econômicas relativas à categoria. A regra foi aprovada em agosto pelo Comitê para Gestão da Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (CGSIM). Segundo o Ministério da Economia, a norma é reflexo da Lei de Liberdade Econômica, em vigor desde setembro do ano passado, que visa tornar o ambiente de negócios no País mais simples e menos burocrático.

Após inscrição no Portal do Empreendedor, o candidato a MEI manifestará sua concordância com o conteúdo do Termo de Ciência e Responsabilidade com Efeito de Dispensa de Alvará de Licença de Funcionamento. O documento será emitido eletronicamente e permite o exercício imediato de suas atividades. (FN)