Pandemia afeta empresas de eventos esportivos em Rio Preto

FATURAMENTO

Pandemia afeta empresas de eventos esportivos em Rio Preto

Empresas que atuam no segmento esportivo em Rio Preto, especialmente com as corridas de rua, veem o faturamento despencar com a suspensão das atividades e ainda não têm perspectivas de retorno


Alexandre Pinhel tem um empresa que organiza corridas de rua
Alexandre Pinhel tem um empresa que organiza corridas de rua - Fotos: Guilherme Baffi 4/9/2020

Empresas e prestadores de serviço ligados ao setor de eventos esportivos integram os segmentos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Enquanto alguns segmentos começam a retomar suas atividades depois de cinco meses de distanciamento social, profissionais que atuam na organização e realização de corridas de rua ainda não têm perspectiva de quando poderão voltar a trabalhar.

Toda uma cadeia econômica acaba sendo afetada com a suspensão dos eventos, explicam os organizadores, já que uma corrida de rua mobiliza empresas que atuam na confecção de roupas, na produção de medalhas e troféus, na instalação de som e iluminação e na cronometragem dos participantes, além de afetar a renda de quem é contratado como freelancer para trabalhar na semana de realização do evento. "Em média, mobilizamos entre 250 e 300 pessoas que trabalham direta ou indiretamente nas corridas", explica Rangel Rodrigues, proprietário da SBR Sports.

A empresa foi uma das primeiras a ter uma corrida cancelada no Brasil por conta da pandemia. A organização estava sendo feita por uma empresa de fora, mas toda a montagem de estrutura e entrega de kits ficou sob responsabilidade da empresa rio-pretense. O circuito havia sido programado para ser realizado no dia 21 de março (sábado). Na noite do dia anterior os organizadores receberam a informação de que o evento havia sido suspenso pelos patrocinadores. "A estrutura estava toda pronta. Tivemos um prejuízo de R$ 30 mil, já que tivemos que pagar todos os fornecedores", diz.

O empresário já está há oito anos no ramo e conta que chega a organizar até dez eventos no ano, entre as corridas de pequeno, médio e grande portes. As que oferecem premiações recebem, inclusive, competidores de diferentes partes do País. "Isso movimenta também o setor hoteleiro. No ano passado, os competidores chegaram a lotar dois hotéis da cidade".

Mas tudo mudou no mês de março, com o início das regras de distanciamento social. O mês também seria marcado por dar início à temporada de corridas de rua na cidade, afirma Alexandre Pinhel, sócio-proprietário da Rax Eventos. A última corrida organizada pela empresa foi em setembro de 2019, há exatamente um ano. Para 2020, a agenda já estava totalmente fechada, mas os contratos precisaram ser cancelados com o início das regras de isolamento social. "Essas corridas estavam sendo discutidas desde o ano passado. Estava tudo certo, mas aí tudo parou. Não tem mais nada, acabou tudo", lamenta.

A paralisação nos contratos, no entanto, não significou uma pausa nas contas. Entre as despesas fixas como aluguel, contador, impostos e manutenção de site, o gasto mensal da Rax Eventos gira em torno de R$ 3 mil. O alento para o empresário chegou no início da semana, quando uma rede hoteleira solicitou a locação de grades de proteção de distanciamento. Foi a primeira vez que Pinhel abriu as portas do galpão nos últimos sete meses.

Além dos organizadores, empresas que prestam serviços também foram diretamente afetadas com as suspensões nas corridas, esclarece Pinhel. "Acabamos envolvendo no mínimo 30 empresas que são necessárias para a realização dos eventos, isso sem contar os prestadores de serviço. Na semana da corrida temos uma média de 200 pessoas que são envolvidas na logística", explica.

Entre essas empresas que se envolvem nesse processo está a Perukas Camisetas, Uniformes e Acessórios, que atua há cerca de cinco anos em Rio Preto. Danieli Peruca, proprietária da empresa, explica que a confecção de roupas para eventos esportivos chega a representar 35% do faturamento anual. "Além das corridas, trabalhamos muitos produções para esportes em grupo como torneios de tênis e de futebol, mas todas essas atividades pararam".

A camiseteria também atua na confecção de roupas para grupos empresariais e eventos sociais. Com a queda na procura por esses grupos, mês a mês a Perukas Camisetas tem registrado uma queda no faturamento entre 60% e 70%. "Estamos tentando adaptar nosso foco para empresas e setores que não pararam, como o da construção civil, por exemplo".

Diante do cenário, a empresa precisou dispensar dois funcionários e diminuiu o repasse de serviço para empresas terceirizadas de corte e costura. "Somos muito otimistas quanto ao futuro. Estamos buscando novos horizontes".

Otimismo

Rodrigues diz que também tenta se mostrar otimista, apesar de reconhecer que dificilmente Rio Preto conseguirá ter uma corrida de rua ainda em 2020. Isso porque, segundo o plano feito pelo governo estadual, eventos desse tipo só poderiam ser realizados 28 dias após a cidade permanecer na fase amarela.

No Estado, a primeira corrida-teste ocorreu no dia 30 de agosto, em São Vicente, no litoral paulista. "Em média, uma corrida demora de 90 a 120 dias para ser realizada desde a elaboração, documentação e divulgação".

O empresário também amarga uma queda brutal no faturamento. Neste ano, eles tiveram uma receita de R$ 40 mil, número muito inferior ao registrado no ano anterior, de R$ 400 mil. Para tentar segurar as pontas, Rodrigues se inscreveu no Pronampe, mas o dinheiro da linha de crédito se esgotou enquanto ele ainda estava na fila. "Essa é nossa lamentação. Nós fazemos a alegria das pessoas, mas na hora que estamos em dificuldade ninguém enxerga nossa situação".

Alessandre Soares é proprietário da LTC, uma empresa de locação de equipamentos de som e iluminação sediada em Rio Preto. Com mais de 30 anos de experiência no ramo, há 15 ele se especializou no segmento de eventos esportivos. "Era uma área muito carente na época. Hoje, nós aprimoramos muitos e inserimos até painéis de led que exibem imagem dos atletas em tempo real", conta. De acordo com o empresário, as corridas de rua chegam a representar metade dos contratos formalizados pela empresa no ano, seguido de eventos culturais (30%) e eventos corporativos (20%).

Com o início das regras de isolamento social, o empresário viu um contrato sendo cancelado após o outro. Neste cinco meses de pandemia, a empresa faturou apenas 2% do volume que foi registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo Soares, o faturamento só não ficou zerado por conta de alguns serviços prestados para artistas locais durante a transmissão de lives. "Nesse tempo, apareceu uma coisa aqui e outra ali, mas é muito esporádico. Não é suficiente para pagar nem a conta de luz do depósito", conta. Os dois funcionários que trabalhavam fixos foram dispensados. Além disso, a empresa chegava a contratar até oito profissionais freelances por fim de semana.

Massa

Para conseguir manter a casa, Soares passou a ajudar a esposa na produção de massa artesanal que são vendidas para amigos e conhecidos. "Fomos aprimorando e fazendo algumas receitas diferentes. Não sei se é por pena da nossa situação, mas estamos com uma clientela muito boa".

Apesar da dificuldade, Soares tenta ajudar os antigos funcionários com indicações. "Recentemente, fizemos campanha de arrecadação de cestas básicas para técnicos de som, de luz e até carregadores que estão passando necessidade", afirma. (FN)