Aumenta procura por crédito consignado na região de Rio Preto

DINHEIRO CURTO

Aumenta procura por crédito consignado na região de Rio Preto

Número de contratos subiu 31% no semestre e valor financeiro, 60%


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O número de contratos de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas registrou alta no primeiro semestre deste ano na região de Rio Preto. De acordo com dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o aumento foi de 31% entre janeiro e junho deste ano em relação a igual período do ano passado e está totalmente ligado à crise econômica gerada pela pandemia do coronavírus. O volume financeiro emprestado cresceu ainda mais, 60% no mesmo período de comparação.

Levantamento revela que foram fechados 148.335 contratos de empréstimo consignado no primeiro semestre deste ano na região da superintendência do INSS de Rio Preto, que abrange 15 municípios. O número é 31% maior do que os 113.180 fechados em igual período de 2019. Ao mesmo tempo, o valor desses contratos cresceu 60%, passando de R$ 489,8 milhões para R$ 786,6 milhões no mesmo período.

De acordo com o economista Hipólito Martins Filho, essa alta está totalmente ligada ao momento em que estamos vivendo. A pandemia do coronavírus aumentou os índices de desemprego e levou à perda de renda de boa parte das famílias, inclusive dos próprios aposentados, ainda que os mesmos atuassem na informalidade. "A gente sabe que muitos desses empréstimos são para ajudar alguém da família. Alguns aposentados sustentam filhos, netos. E teve muita gente que perdeu o emprego", afirmou.

Como medida para ajudar aposentados e pensionistas a minimizar as dificuldades durante este período, o governo federal adotou algumas medidas ligadas ao empréstimo consignado. Desde esta segunda-feira estão em vigor três alterações importantes, duas com validade pelo menos até dezembro deste ano e esse tipo de crédito é mais interessante porque é o que costuma ter as menores taxas de juros do mercado. "Numa situação como esta que estamos vivendo são medidas muito importantes e que devem ser usadas por quem está precisando", afirmou Martins Filho.

A primeira mudança é a redução do bloqueio, ou seja, o período que um novo benefício fica bloqueado para tomar empréstimos consignados cai de 90 para 30 dias depois que é concedido. Outra mudança que vem para dar um fôlego para quem anda precisando de crédito é que o aposentado terá três meses para começar a pagar a dívida, ou seja, os bancos ficam autorizados a dar uma carência de até 90 dias para o pagamento da primeira parcela. Essas duas medidas valem até dezembro, já que têm como objetivo facilitar o acesso ao crédito durante a pandemia de Covid-19.

A terceira medida permite que o limite máximo concedido no cartão de crédito para o pagamento de despesas contraídas com a finalidade de compras e saques passe de 1,4 para 1,6 vez o valor mensal do benefício, ou seja, isso significa que para cada R$ 1.000 de valor de benefício o segurado poderá realizar operações de até R$ 1.600. Esse limite, de acordo com o INSS, ao contrário das outras duas medidas, terá vigência permanente.

Os bancos podem definir a taxa de juros do crédito consignado aos aposentados e pensionistas, mas ela não ultrapassar o limite de 1,80% ao mês para o empréstimo e de 2,70% para o cartão de crédito. O beneficiário não está obrigado a obter empréstimo no banco em que recebe o pagamento, podendo optar pela instituição financeira que oferece menor taxa de juros, mas para garantir a segurança da operação, o valor do empréstimo terá que ser creditado diretamente na conta em que a pessoa recebe o benefício.

Para se ter uma ideia da diferença em relação ao que as outras modalidades praticam no mercado, basta ver a última pesquisa da Associação Nacional de Executivos (Anefac), de junho. A menor taxa é o empréstimo pessoal oferecido pelos bancos, da ordem de 3,21% ao mês; a taxa do cheque especial sobe para 7,13% ao mês e, o grande vilão quando o assunto são os juros - o cartão de crédito - está com a taxa mensal em 11,16%.

O crédito consignado é um empréstimo cujo valor das parcelas é debitado diretamente no benefício, seja ele aposentadoria ou pensão. De acordo com o INSS, o limite do benefício que pode ser comprometido é de 30% para o empréstimo pessoal consignado e de 5% para o cartão de crédito consignado. O pagamento do empréstimo pode ser feito em até 84 meses. (LM)