Seis de cada 10 empresas sentem crise

PESQUISA IBGE

Seis de cada 10 empresas sentem crise


A pandemia de Covid-19 ainda afeta com mais intensidade os pequenos negócios do País, mesmo em meio às medidas de flexibilização do isolamento social. Na segunda quinzena de junho, 2,776 milhões de empresas estavam em funcionamento, sendo que 62,4% delas informaram que a Covid-19 afetou negativamente suas atividades. Os dados são da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Essa percepção negativa de impacto da pandemia é disseminada por regiões e por setores", observou Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas do IBGE.

Os efeitos negativos atingiram 62,7% das empresas de pequeno porte, 46,3% das intermediárias e 50,5% das grandes. As empresas de serviços foram as que mais sentiram os reflexos da pandemia: houve queixas em 65,5% das companhias do setor. No segmento de serviços prestados às famílias, 86,7% das empresas foram negativamente afetadas.

Metade de todas as empresas em atividade (50,7%) registrou queda nas vendas ou serviços comercializados em decorrência da pandemia. Entre as pequenas empresas, 51,0% tiveram perdas. Esse porcentual desceu a 39,1% entre as intermediárias e 32,8% entre as grandes companhias. Das grandes empresas, 41,2% que relataram efeito pequeno ou inexistente da pandemia sobre as vendas.

"São perguntas qualitativas, a gente não levanta dados quantitativos. Isso expressa uma observância da empresa", explicou Magheli, lembrando que os resultados sobre o desempenho econômico serão captados nas pesquisas conjunturais mensais de comércio, indústria e serviços.

Na segunda quinzena de junho, 52,9% das empresas em funcionamento reportaram dificuldades em realizar pagamentos de rotina.

"Se a gente fizer um ranking de impactos, a gente percebe que dois se sobressaem: impacto sobre as vendas, mas tem também o impacto na capacidade de realizar pagamentos de rotina. O impacto nas vendas era esperado, porque é mais flexível pelo lado da demanda. Mas isso começa a contaminar a cadeia de pagamento", observou Alessandro Pinheiro, coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE. "A gente vê quem está doente, não quanto está doente."