Grupos de negócios na região de Rio Preto ajudam no faturamento de filiados

A FORÇA DO GRUPO

Grupos de negócios na região de Rio Preto ajudam no faturamento de filiados

Redes de negócios que atuam na região de Rio Preto usam seu poder - a conexão e a possibilidade de gerar renda entre os filiados - para que empresários consigam ter faturamento durante a pandemia


Marcelo Lina, do Tamareira: apoio psicológico e expectativa para reabertura
Marcelo Lina, do Tamareira: apoio psicológico e expectativa para reabertura - Guilherme Baffi 8/7/2020

Redes de negócios existem para fortalecer as conexões entre os participantes e fazer com que aumente o nível de negócios entre eles. Numa pandemia, como agora, esse compromisso se tornou crucial para ajudar a minimizar as perdas causadas pelo coronavírus na atividade das empresas.

Na região, duas redes ajudaram seus membros a movimentar os negócios: foram R$ 3,4 milhões. Em junho, a rede Passo a Passo, de Rio Preto, movimentou R$ 2 milhões entre os 150 empresários, alavancando receita e vendendo uns aos outros, por meio de 145 contratos fechados.

A rede BNI Noroeste Paulista, que reúne cinco grupos, gerou R$ 1,4 milhão em negócios no mês passado e alcançou R$ 4,5 milhões em contratos fechados desde março - quando começou a pandemia - entre os 203 membros de cidades como Rio Preto, Catanduva, Jales e Olímpia.

A empresária Helen Girotto, diretora do grupo Passo a Passo, que reúne a escola de dança com o mesmo nome e a rede de negócios, conta que neste momento foi preciso fortalecer ainda mais o empreendedorismo e ajudar os membros. "Nossa ideia foi aumentar o consumo entre os participantes para que pudesse aumentar a renda".

Daí nasceu a ideia do projeto de troca consciente, ou seja, os contratos já firmados que pudessem ser trocados para priorizar companheiros da rede deveriam ser feitos. Deu certo e houve a movimentação em 145 oportunidades. "Muito se fala em fechamento de empresas, acreditamos que colaborar com o inevitável e encontrar ferramentas para ajudar empresas e empresários seja a solução", disse.

Para este mês, o projeto do grupo prevê o apoio direto às oito empresas do rede que mais estejam passando por dificuldade em função da queda de faturamento provocada pela crise atual. Elas vão receber indicações para que possam vender seus produtos e ou negócios e assim aumentem a renda. "Também temos oferecido uma série de palestras online com temas ligados a gestão, produtividade, tudo com o objetivo de gerar retorno às empresas. Nossa meta é mudar positivamente a vida do outro."

O diretor executivo do BNI Noroeste Paulista, André Mantovani, afirma que a rede conseguiu usar sua força - seu tamanho - para ajudar os membros durante este momento tão desafiador a todos. Desde o início, os trabalhos, que ocorriam em reuniões presenciais, foram transferidos para virtuais e começaram os webinários com especialistas nos mais variados temas. "Como é uma organização global, quando a pandemia chegou aqui já estávamos preparados", afirmou.

Segundo ele, algumas iniciativas específicas também têm sido fundamentais para encontrar soluções para aqueles empresários que se encontram em solução mais crítica neste momento. Um dos projetos é o Open Mind, que reúne entre dez e 15 profissionais de diferentes áreas e que vão buscar alternativas para esse empresário em dificuldade. "Um mentor também vai acompanhá-lo por até seis meses para que ele implemente as tarefas apresentadas", afirmou.

O grupo também tem realizado encontros virtuais onde é possível fazer networking entre os mais de 7 mil membros do BNI pelo Brasil. Segundo Mantovani, os números movimentados em junho na região já são melhores do que os de março, o que apontam para uma melhora do cenário, embora, naturalmente, ainda seja um momento desfavorável. E, se não fosse o grupo, o resultado poderia ser ainda inferior. Mais do que nunca é hora de mostrar que é empreendedor, estar firme e forte, reinventar o negócio, não se deixar abalar. Construindo oportunidade agora a gente vai estar à frente de quem está paralisado pelo medo".

Motivação

O empresário Marcelo Garcia Lima, do Tamareira Fábrica Bar, está operando apenas com delivery e drive thru de bebidas e comida, demitiu funcionários, tentou financiamentos e não conseguiu, mas segue firme preparando a reabertura de seu empreendimento.

Parte da motivação vem do grupo do qual faz parte: a rede de negócios Passo a Passo - que ele se tornou membro pouco antes do início da pandemia. "A rede tem me ajudo muito no aspecto psicológico. É um ambiente muito positivo, ainda que virtual". Em relação à geração de negócios, também colabora quando os parceiros vêm comprar meu chope. "No meu caso, sei que há o desejo de vir ao bar e que quando tudo passar os colegas vão vir me prestigiar. Também tenho feito minha parte: ao comprar um bolo, por exemplo, compro da pessoa da rede."

Para o retorno, Marcelo vai recontratar duas pessoas, reforçar os treinamentos de segurança necessários e reformular os cardápios. "Estou preparando a reabertura: vou lançar um aplicativo próprio de entrega e quero estar o mais próximo do ideal quando for possível operar", disse.

Para a diretora executiva da Igui Tratabem, Lilian Marques, que integra a rede Passo a Passo há dois anos, as relações geradas entre os membros criam muito mais que negócios financeiros, trazem um retorno que vai além. "O que é muito legal é que conseguimos priorizar as contratações por segmentos dentro da rede mesmo e isso acaba fidelizando", afirma.

Por ter uma grande convenção em breve, o grupo acabou fazendo uma série de compras no mês passado, assim como para outras demandas do dia a dia, o que movimentou a rede de negócios em cerca de 30 contratos, desde necessidades de impressões gráficas, passando por brindes, essências, álcool em gel, até bolo e bufê. "E a retribuição também acontece. As pessoas nem precisariam fazer grandes compras, mas indicam para seus amigos. Existe uma preocupação para fazer com que dê certo." Trata-se de espalhar o bem, diz.

Letícia Silveira Delcol, da Imperatriz Eventos, em Jales, está com o negócio que atua na organização de casamentos e formaturas parado também em função das restrições impostas pela pandemia de coronavírus. Por sorte, os clientes não chegaram a cancelar os eventos, apenas adiaram, mas o faturamento caiu. Mas, participar do BNI a ajudou a enxergar caminhos para sair das dificuldades. "Minha necessidade era encontrar maneiras de atrair clientes para fechar negócios para 2021. Por medo, as pessoas não estavam vindo", afirmou.

Ela começou a por em prática as sugestões dos profissionais que integram o open o mind está vendo os resultados. Ela passou fazer lives solidárias, vídeos tirando dúvidas acerca de assuntos relativos à sua atividade e passou a ficar mais presente nas redes sociais. "Quando você está no problema acaba não vendo as soluções", afirmou.

A partir das sugestões, Letícia reativou uma antiga empresa da família, uma rotisseria, e passou a vender produtos congelados, como massas e molhos. "Essa é uma forma de gerar algum dinheiro mais rápido", disse.

O empresário Jonathan Andrade Marckert, da Eco Webdesign, empresa de criação de sites, conta que faz parte do BNI há um ano e um mês e que estar participando da rede neste período de pandemia foi fundamental para manter o networking - condição para que os negócios mantivessem ocorrendo. "O mais importante para mim foi que eu consegui continuar fazendo o networking, que é o nosso prospecto mais forte. A gente faz o rastreio de marketing e vê que a indicação de clientes de antigos e parceiros é como mais se fecha negócios e mesmo na pandemia conseguimos potencializar nossas vendas", disse.

Segundo ele, o interessante foi que a rede foi muito rápida em se adaptar ao mundo virtual e ofereceu as informações de relevância necessárias para a condução dos negócios: no início, de ordem trabalhista, de gestão, contábil e depois, com foco em empreendedorismo. (LM)