Pesquisa indica que 35% das redes de bares e restaurantes fecharam unidades na pandemia

CRISE

Pesquisa indica que 35% das redes de bares e restaurantes fecharam unidades na pandemia

Segundo o levantamento, o total de desempregados no setor está estimado em 1,2 milhão de trabalhadores até o momento


Bares e restaurantes estão entre os negócios mais afetados pela pandemia
Bares e restaurantes estão entre os negócios mais afetados pela pandemia - Pixabay/Banco de Imagens

Com as portas fechadas desde março e operando apenas com delivery ou take away, o setor de bares e restaurantes é um dos mais afetados pela crise imposta pela pandemia da Covid-19. Pesquisa divulgada esta semana aponta que 35% das companhias desse setor que possuem mais de uma unidade já fecharam lojas definitivamente durante a pandemia. Além disso, 72% das empresas já promoveram demissões e o total de desempregados no setor está estimado em 1,2 milhão de trabalhadores até o momento.

O estudo foi realizado pela Associação Nacional de Restaurantes em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado de food service. Os dados apontam ainda que 76% das empresas que buscaram novas linhas de crédito para financiar o negócio tiveram suas propostas recusadas.

O mesmo percentual se aplica às empresas que já fizeram uso da MP 936, a MP dos Salários, aprovada pelo Senado na semana passada e ainda aguardando a sanção presidencial. O percentual sobe para 86% quando se aplica às redes. Pela MP, as empresas podem suspender ou reduzir jornadas dos trabalhadores. Com a aprovação pelo Congresso, caberá ao executivo decidir o tempo de prorrogação. A expectativa do setor, segundo a ANR, é de que o prazo, que já supera 60 dias da edição da MP, seja estendido para 120 dias.

O levantamento em conjunto com a Galunion foi realizado com empresas de todo o país entre os dias 5 e 17 de junho. Para o presidente da ANR, Cristiano Melles, a MP ajuda a aliviar parcialmente o problema das empresas, mas ele afirma que o governo federal deve estudar mais um pacote de medidas especialmente para bares e restaurantes. "Jamais vivemos uma crise como essa. Em alguns países como no Reino Unido e nos Estados Unidos, os governos criaram pacotes especiais de ajuda para o setor. Aqui será fundamental que isso ocorra o quanto antes, sob pena de aumentar o desemprego e a falência de muitas empresas", afirma Melles.

A mesma pesquisa aponta ainda que 15% das empresas afirmam que não conseguirão manter seus negócios após a pandemia.

Folha de pagamento

A pesquisa indica que 35% das empresas no setor de bares e restaurantes não conseguiram realizar na totalidade o pagamento da folha salarial do mês de maio. No pagamento da folha salarial de junho (a vencer no quinto dia útil de julho), 72% afirmaram que terão que recorrer a nova ajuda externa, como empréstimo bancário, linhas de crédito lançadas pelo BNDES e bancos estaduais, antecipação de recebíveis de cartões e vales ou renovação do uso da MP 936.

(Com informações de ANR)

Estadão Conteúdo

A possibilidade de reabertura de bares e restaurantes na capital, anunciada pelo governo, divide o setor, que é um dos mais afetados pela crise gerada pela pandemia do coronavírus. Estima-se que mais de 20% dos estabelecimentos fecharam as portas definitivamente e mais de 1 milhão de vagas de trabalho foram perdidas em todo o País.

Boa parte dos chefs e donos de restaurantes afirma que ainda não se sente segura para reabrir as portas, tanto por questões de saúde como pelo risco de os clientes não aparecerem. A chance de recuo para a fase laranja (mais restritiva), caso o número de contaminações e mortes por coronavírus aumente, por exemplo, é também levada em conta.

"Esse possível abre-e-fecha, como já ocorreu em outras cidades, pode ser ainda mais danoso para a saúde financeira de um restaurante", afirma Tomás Foz, proprietário do Fitó, restaurante em Pinheiros.

Para proteger funcionários e clientes, muitos estabelecimentos fecharam suas portas em março, antes mesmo de o governo decretar a quarentena oficial na cidade.

"Estamos bem cautelosos em relação à reabertura. Fechamos o Cais antes de ser obrigatório e só vamos reabrir quando estivermos seguros", conta Guilherme Giraldi, um dos sócios da casa da Vila Madalena. O restaurante estreou no delivery ontem, e o plano é continuar trabalhando com a equipe reduzida, apenas com os funcionários que podem se locomover de carro, bicicleta ou a pé.

"Estou surpresa com essa notícia, não esperava isso para já", conta Gabriela Barretto, chef dos restaurantes Chou e Futuro Refeitório, ambos em Pinheiros. "Ao mesmo tempo em que a gente torce pela reabertura, há outros fatores que precisam ser levados em conta. Não acho, por exemplo, que os clientes estão prontos para voltar a frequentar restaurantes."

Por outro lado, Gabriela prevê pressão para retomar o funcionamento das casas. "Com a permissão do governo para funcionar, perco poder de barganha para negociar aluguel e prazos de pagamento com fornecedores e prestação serviços."

Protocolos

Mesmo sem muita perspectiva e informações, restaurantes adiantaram a tomada de medidas de proteção, inspirados no que foi adotado em outras cidades e países, para que pudessem abrir as portas tão logo fosse permitido. O Loup, no Itaim-Bibi, montou uma cartilha de procedimentos que devem ser adotados por todos os funcionários, incluindo manobristas e seguranças.
O salão da Tasca da Esquina já está pronto para receber clientes. "Se pudesse abrir neste fim de semana, abriria", afirma o restaurateur Edrey Momo, sócio do grupo também detentor da Tasquinha da Esquina, no shopping Morumbi, e da Padaria da Esquina. O cardápio já foi adaptado para uma versão digital, acessada pelo smartphone via QR Code, e uma pessoa da equipe foi deslocada para cuidar da higienização do salão.

Edrey diz, porém, que há incertezas sobre o modelo. "Não dá para se preparar 100%, não temos nenhuma informação oficial, um protocolo. Não vou comprar termômetro, divisórias de acrílico, sem saber se serão de fato obrigatórios. Ninguém tem dinheiro para ficar gastando à toa", pondera. "Para restaurante, abrir do meio-dia às 18h não faz sentido. O movimento acaba às 15h. Posso dividir essas horas entre almoço e jantar? Não sei."
"Com tantas incertezas, não sabemos ao certo como vai ser", diz Mauricio Cavallari, sócio do Pitico e Mica.

A exemplo de outros países, os chefs reivindicam o uso de calçadas e vagas de carro para expandir o salão. "Seria mais interessante para todos se, em vez de forçar a abertura na parte interna, tivéssemos uma política de ocupação das calçadas", diz Giraldi. O prefeito Bruno Covas (PSDB) chegou a afirmar que há projeto-piloto para fechar ruas no centro, mas ressaltou a dificuldade de controle do número de pessoas em áreas externas. Pontos do protocolo de reabertura devem ser definidos em reunião entre Covas e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.