Lojas de consertos e assistência registram aumento de 30% em Rio Preto

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Lojas de consertos e assistência registram aumento de 30% em Rio Preto

Pandemia de coronavírus faz aumentar em até 30% movimento nas lojas que consertam utilidades e eletrodomésticos de Rio Preto; consumidor está cozinhando mais em casa e procurando gastar menos


Delvair Marques, da Eletrônica Coronel: contratação de dois funcionários
Delvair Marques, da Eletrônica Coronel: contratação de dois funcionários - Guilherme Baffi 23/06/2020

A pandemia do coronavírus provocou um movimento inesperado até mesmo para quem atua no setor de consertos de utilidades e eletrodomésticos: o aumento no movimento. Em média, de 30% em relação ao que se fazia antes do período de quarentena, afirmam os empresários do ramo de Rio Preto.

O crescimento na procura de consumidores em busca de arrumar liquidificadores, micro-ondas, fornos elétricos, fogões, geladeiras e até panelas é uma boa notícia em meio ao cenário negativo em geral. O aumento da demanda representou até geração de alguns postos de trabalho nas lojas que vendem e oferecem consertos. E tem lojista trabalhando até 12 horas por dia.

O aumento na procura por consertos variados tem duas razões, afirmam os lojistas do setor. A primeira é o fato de mais gente em casa, cozinhando com mais frequência, que faz com os utensílios acabem quebrando ou mesmo precisando de manutenção. A segunda razão é a própria crise financeira provocada também pelo coronavírus, que achatou ou acabou com a renda do trabalhador, que faz com que ele pense duas vezes antes de comprar um equipamento novo.

O proprietário da Eletrotécnica Coronel, Delvair Martins, conta que a procura dos consumidores registrou um aumento de 30% e que agora a devolução de um orçamento, que levava até dois dias, hoje leva de cinco a seis dias. Para atender à demanda, contratou dois funcionários. "Estamos com um turno de trabalho à noite e uma média de 40 a 45 aparelhos para consertar por dia", afirmou.

Os produtos mais arrumados são micro-ondas, liquidificador/processador, forno elétrico e air fryer. Os preços dos serviços variam muito, mas a título de comparação, um reparo simples num micro-ondas de 18 litros sai a partir de R$ 90 enquanto o valor de um novo parte de R$ 300. Os copos de liquidificador variam de R$ 20 a R$ 60, dependendo do modelo.

Segundo Cleiton Lieger Costa, da Kelly Peças, loja de utilidades domésticas e peças de reposição, a alta na procura foi de 30%. Lá, o consumidor tem ido em busca dos copos de liquidificador e itens ligados ao conserto de fogão, como mangueirinhas, tampinhas e bocas. "Além da compra das peças, tem havido muita procura para colocar encanamento a gás em casas e apartamentos", afirmou.

Para Cleiton, a explicação tem relação com a economia - com menos gente comendo fora e fazendo mais comida em casa. "Cheguei a pensar que precisaria ficar fechado um tempo durante a pandemia porque não tinha serviço. Vejo que todos estão trabalhando muito, inclusive as fábricas que oferecem as peças."

Charles Soares da Silva, diretor da Rio Preto Fogões e Refrigeração, assistência técnica autorizada de grandes marcas de eletrodomésticos da linha branca (geladeira, fogão, freezer, ar-condicionado, etc), afirma que já está operando em 90% do faturamento que tinha antes da pandemia e que no departamento de consertos a alta foi de 30%, ao passo que houve queda na venda de eletrodomésticos.

Por lá, a procura é para manutenções em lavadoras, refrigeradores, fornos e fogões. "A gente tinha orçamentos parados há três, quatro meses sem aprovação. Na empresa, duas pessoas foram contratadas para reforçar a equipe para atender à demanda, já que o sistema de delivery e recebimento teve de ser reestruturado. "Também temos tido grande procura de equipamentos para áreas de lazer de condomínios. As pessoas estão investindo nas próprias residências para reunir o pessoal e evitar sair."

Danilo Gustavo da Silva, da Miudinho Assistência Técnica, conserta praticamente de tudo: de panelas até geladeiras. Ele conta que no início do ano chegou a ficar quase um mês parado por falta de serviço, o que mudou totalmente depois da pandemia em hoje tem trabalhado entre dez e 12 horas por dia. "O movimento está enorme. Não tenho do que reclamar. Uma entrega que era feita em dois dias hoje está levando 14", afirma ele, dizendo que os clientes têm entendido a demora. "Nunca trabalhei tanto como agora", afirma ele, que toca o negócio sozinho.

A vendedora Marcia Teresinha Beal conta que recentemente levou para arrumar a batedeira e o liquidificador. Com as duas filhas e casa, tem feito mais bolos e tortas, o que acabou quebrando os utensílios que têm sido muito usados neste período de pandemia. "Preferi mandar arrumar do que comprar um novo. Saiu mais barato", disse.