Pandemia faz potencial de consumo do rio-pretense voltar ao patamar de 2012

CONSUMO COMPROMETIDO

Pandemia faz potencial de consumo do rio-pretense voltar ao patamar de 2012

Levantamento mostra que potencial de consumo de Rio Preto em 2020 voltou aos mesmos patamares do ano 2012, num total de R$ 13,6 bilhões; pandemia do coronavírus é culpada pelo desempenho ruim


Levantamento mostra que potencial de consumo de Rio Preto em 2020 voltou aos mesmos patamares do ano 2012
Levantamento mostra que potencial de consumo de Rio Preto em 2020 voltou aos mesmos patamares do ano 2012 - Marcos Santos/USP Imagens

A pandemia de coronavírus derreteu o potencial de consumo de Rio Preto. Depois de registrar alta nos últimos anos, agora, o que se espera para 2020 - naturalmente - é uma retração nas vendas. Os dados do IPC Maps 2020 revelam que o potencial deve atingir R$ 13,6 bilhões, mesmo nível de 2012, uma redução de 21,8% no potencial de Rio Preto em relação ao volume do ano passado, que havia sido de R$ 17,4 bilhões.

Segundo o estudo, o consumo das famílias brasileiras ficará comprometido ao longo de 2020, se igualando aos patamares de 2010 e 2012, descartando a inflação e levando em conta apenas os acréscimos ano a ano. A projeção é uma movimentação de cerca de R$ 4,4 trilhões na economia do País — um crescimento negativo de 5,39% em relação a 2019 —, a uma taxa também negativa do PIB de 5,89%.

Para o economista Hipólito Martins Filho, esse era um resultado esperado em virtude de toda a crise mundial causada pela pandemia de coronavírus. "Já se imaginava que o consumo registraria uma queda dramática. Acredito que neste ano haverá um crescimento negativo do Produto Interno Bruno (PIB) do País de cerca de 7%".

Neste ano, os recursos dos rio-pretenses serão destinados principalmente para itens básicos, como cuidados com a casa, veículo e alimentação. A liderança no ranking fica com o segmento habitação, que vai receber R$ 3,654 bilhões. Os gastos com veículos próprios devem ser da ordem de R$ 1,494 bilhão. Alimentação em domicílio aparece em seguida, com R$ 1,083 bilhão. Para se alimentar fora de casa, os gastos devem ficar em R$ 530,2 milhões.

Com o resultado, Rio Preto despencou dez posições no ranking nacional e agora ocupa a 44ª colocação, com um share (parte) de consumo de 0,30647. No ranking estre os maiores potenciais de consumo do Estado, Rio Preto está na 12ª colocação, ou seja, caiu duas posições. "A redução no share de consumo ocorreu em função da diminuição da quantidade de domicílios das classes mais altas entre 2019 e 2010", disse Marcos Pazzini, responsável pelo estudo. Na década, a classe A encolheu 11,1%, passando de 6.216 domicílios para 5.524 na cidade. A classe B teve redução de 2,5%, ao passar de 50.266 para 49.002.

Dos 22 setores que formam a pesquisa do IPC Maps, apenas quatro tiveram aumento na previsão de gastos: veículo próprio, higiene e cuidados pessoais, livros e material escolar e educação. O destaque é a previsão de gastos com veículo próprio, que chega a R$ 1,494 bilhão neste ano - o terceiro maior setor - uma alta de 73,5% em relação a 2019. "Esse fenômeno se deve ao fato de a população ter acesso a financiamento para aquisição de seu veículo, seja carro ou moto. Essa aquisição leva à mudança de life style, trocando transporte público pelo uso do veículo próprio", explica Marcos.

Nesta edição, chama a atenção a redução na previsão de gastos com alimentação fora de casa - que sempre costumou ocupar a segunda posição entre os segmentos. Do ano passado para cá, houve uma queda de 50,2%, já que o potencial baixou de R$ 1,065 bilhão para R$ 530,2 milhões. Esse movimento está intimamente ligado ao fato de bares e restaurantes estarem impossibilitados de funcionar regularmente desde o mês de março e, pior, ainda sem previsão de um atendimento ampliado.

Segundo Martins Filho, cidades como Rio Preto, em que o setor de serviços e o de comércio imperam na economia, tendem a sofrer mais em crises como essa. "Onde a indústria e a construção civil, que não pararam durante a pandemia, predominam, as cidades reagem um pouco melhor. Em Rio Preto, 78% do PIB são comércio e serviços, por isso despencou", disse ele.

Quando se fala em alimentação no domicílio, o potencial previsto é de R$ 1,083 bilhão, o que representa uma queda de 38,8% em relação ao volume do ano passado (R$ 1,772 bilhão). Segundo Marcos, os preços de alguns produtos essenciais diminuíram, assim como a população aprendeu a comprar produtos de época, que normalmente têm preços melhores que produtos industrializados, ou que não estão em época de safra. "Essas despesas estão pesando menos no orçamento da população e por isso tiveram os valores reduzidos nesse período", disse.

Estatísticas  (Foto: Reprodução)

O segmento que mais recebe dinheiro do rio-pretense em todas as edições é a habitação, ou seja, o que antes era chamado de manutenção do lar. Ainda assim, o volume também ficou menor neste ano, 21,1%, passando de R$ 4,633 bilhões em 2019 para R$ 3,654 bilhões neste. Neste ano, de modo geral, a maior redução foi com os gastos destinados à compra de eletroeletrônicos, de 51,9%, já que o volume empregado caiu de R$ 386,7 milhões para R$ 185,7 milhões, o que revela que o consumidor tende a gastar mais com itens essenciais como habitação e alimentação.

Perfil

A classe B, formada por 49.002 domicílios (29,8% do total), é quem mais vai consumir neste ano, com RS 6,683 bilhões do total. Em seguida aparece o consumidor que forma a classe C em Rio Preto - um total de 83.718 domicílios (51%), que vai responder por R$ 4,028 bilhões do consumo da cidade neste ano. A classe A, formada por 5.524 domicílios, o que significa apenas 3,4% do total, vai responder por R$ 1,810 bilhões. E, na última colocação, com 25.963 domicílios (15,8% do total), a classe D/E tem o potencial de R$ 634,0 milhões neste ano.

O levantamento aponta ainda que valores de consumo per capita urbano caíram de R$ 38.551,23 em 2019 para R$ 29.815,38. Segundo Marcos, essa retração é reflexo da queda dos valores de potencial de consumo em 2020 e do aumento da população urbana, que segundo o estudo passou de 461.184 para 465.001 habitantes.