Puxada pelo crescimento nos casos no Brasil, na Argentina, no México e no Peru, a pandemia do novo coronavírus avança na região da América Latina com quase 640 mil casos e mais de 35 mil mortes. O avanço na região ocorre à medida em que países da Europa promovem reabertura gradualmente e a China já prevê uma vitória sobre o vírus.

Nesta sexta-feira, 22, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a América do Sul se tornou "o epicentro da doença". "Vimos muitos países sul-americanos com aumento do número de casos, e claramente há preocupação em muitos desses países, mas certamente o mais afetado é o Brasil", disse Michael Ryan, diretor do programa de emergências da entidade.

O número de casos no mundo dobrou em um mês, com uma forte aceleração na América Latina e no Caribe. A pandemia deixará 11,5 milhões de novos desempregados em 2020 na região, o que elevará o total para 37,7 milhões de pessoas, de acordo com um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A Cepal tem alertado ainda para a desigualdade na região, que é a maior do planeta, e crescerá com a pandemia. A contração econômica na América Latina será de 5,3% este ano - a pior registrada desde 1930 - e terá efeitos na taxa de desemprego, que passará de 8,1% em 2019 para 11,5% em 2020, de acordo com o relatório.

O Brasil, um dos países em que a pandemia cresce mais rapidamente, ultrapassou 20 mil mortes por coronavírus na quinta, 21, depois de atingir um registro diário de 1.188. mortes.

O País é o terceiro país em número de afetados, com 310.087 casos, atrás dos Estados Unidos e da Rússia. O número de infecções pode ser, no entanto, até 15 vezes maior, devido à dificuldade de se obter estatísticas precisas devido à falta de testes, segundo analistas.

A crise ocorre em um contexto de forte confusão política devido a divergências entre a maioria dos governadores, a favor de medidas de confinamento, e o presidente Jair Bolsonaro, que critica o impacto econômico provocado pelo distanciamento social. (AE)